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quinta-feira, 18 de abril de 2013

A Pesquisa em História e Imprensa


O trabalho de pesquisa feito através da imprensa tem crescido constantemente, por ser o jornal fonte de ricas informações sobre um determinado espaço. Através do levantamento destas fontes, podemos aprofundar sobre os significados dos fatos cotidianos de uma determinada época. 

 De acordo com a professora Heloisa Faria Cruz (PUC-SP), o pesquisador deve entender a imprensa “como linguagem constitutiva social, que detém uma linguagem constitutiva social, que detém uma historicidade e peculiaridades próprias, e requer ser trabalhada e compreendida como tal, desvendando a cada momento, as relações imprensa/sociedade, e os movimentos de constituição e instituição do social que esta relação propõe”. A partir desta fonte de pesquisa passamos a perceber toda a movimentação que se dá na sociedade, assim como as disputas sociais e políticas, as diversas mentalidades e memórias que constituem uma certa localidade.  

O Museu Histórico Tuany Toledo possui um rico acervo de jornais, revistas e almanaques pertencentes à Pouso Alegre, que se encontra disponível aos pesquisadores da cidade e região. Dentre eles podemos destacar:

Pregoeiro Constitucional: Primeiro jornal impresso na cidade, contendo debates políticos importantes no período do Brasil Império. Estes arquivos estão disponíveis digitalizados. 

Correio Sul Mineiro: Órgão impresso que retrata a cidade de Pouso Alegre no início do século XX. 

Gazeta de Pouso Alegre: Através deste material podemos encontrar publicações relacionadas à “Linha de Tiro” (Exército), às Obras Municipais, à Igreja Católica e colunas sociais aludindo às famílias tradicionais da cidade. Circulou entre os anos e 1916 a 1930

A Razão: Com este jornal podemos conhecer o movimento político “Integralista” e a sua presença nesta cidade, na década de 30. 

Entre outros que perpassam até os dias de hoje e dão um rico suporte ao trabalho daqueles que consultam os arquivos do MHMTT. 

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Alexandre de Araujo



Alexandre nasceu em Pouso Alegre, em 17 de abril de 1922, filho de Sebastião de Araujo e Maria Luiza Dadado Laira de Araujo.

Frequentou escolas particulares e o Ginásio São José. Dos 12 aos 16 anos trabalhou no estabelecimento comercial de seu pai, a Casa Araujo, na Avenida Dr. Lisboa.

De 1939 a 1941, serviu no 8º Regimento de Artilharia Montada (RAM), em Pouso Alegre, e na 2ª Bateria Independente de Artilharia Automóvel, em Olinda (PE).

Residiu no Rio de Janeiro, em Juiz de Fora e Belo Horizonte, trabalhando em firmas particulares. De 1950 a 1978, foi funcionário do Departamento Nacional de Estradas e Rodagens (DNER), chefiando a Sessão Pessoal na construção da BR 381, a Rodovia Fernão Dias.

Na década de 1960, foi gerente da PRJ-7 e do Cine Glória. Em 1964, foi convidado por Argentino de Paula, então presidente da Câmara, para ocupar o cargo de secretário executivo no legislativo, assessorando presidentes e vereadores.


Em 1965, promoveu uma exposição de fotos e documentos relacionados com Pouso Alegre, nas vitrines da Casa Vitale, na Avenida Dr. Lisboa.


Em 1976, a Câmara lhe confere o título de “Grande Pouso-alegrense”, pelos serviços prestados à comunidade na legislatura 73/77.


Em 1984, instala no piso superior do prédio da Câmara a “Galeria para Exposição de Fotos e Documentos” relacionados a Pouso Alegre. 


Em 1989, promove, junto à Prefeitura, a construção de um mausoléu para preservar os restos mortais do padre senador José Bento Leite Ferreira de Melo. 


No mesmo ano, é nomeado, pela Câmara, supervisor da Galeria Tuany Toledo, posteriormente denominada de Museu Histórico Municipal Tuany Toledo. Alexandre de Araujo é o idealizador, criador e atual diretor do Museu.


Em 1990, o Jornal do Estado lhe confere o diploma de reconhecimento aos serviços prestados à comunidade. Em 1996, é condecorado pelo 14º GAC com os diplomas “Amigo do Grupo Fernão Dias” e “Colaborador Emérito do Exército”.


Publicou dois livros, “Ex-chefes do Executivo” e “Pouso Alegre através dos tempos: sequência histórica”, em 1997.


Em 2002, é homenageado pela Prefeitura com o diploma “Fundador da Cidade”, e em 2003, pela Câmara Municipal com a “Insígnia Tiradentes”.


Alexandre de Araujo é casado com Leonor Rocha de Araujo. Seus filhos: Wanderley, Lúcia Helena e Emerson. Possui cinco netos e dois bisnetos.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

A Pesquisa no MHMTT


"a incompreensão do presente nasce da ignorância do passado"
Marc Bloch

            Nas ultimas edições, nesta mesma coluna, abordamos a questão da importância das diversas memórias que compõe a sociedade, em especial as que integram o espaço do Museu Histórico Municipal Tuany Toledo, organizado nos seus mais diversos núcleos.
            Neste sentido, a pesquisa é uma das formas de se colocar em evidência e investigar o que está guardado ou até mesmo escondido nos arquivos ou até mesmo nas memórias das pessoas. O pesquisador, através da “Nova História” é aquele que “dá voz” aos documentos e aos silenciados de algum lugar.
            A Nova História ainda propôs formas de investigações em diversas fontes, que durante muito tempo permaneceram esquecidas. Além dos documentos escritos, atualmente trabalha-se com imagens, jornais, cinema, vídeo, pinturas, charges e outros suportes documentais que levam o pesquisador a questionar, refletir e realizar sua pesquisa investigativa. È necessário que o pesquisador tenha um olhar abrangente sobre a movimentação da sociedade em conjunto com o contexto vivido. Neste sentido, é necessário que o historiador tenha um olhar crítico sobre a documentação pesquisada para que não se torne um mero reprodutor daquilo que já está dito.
            Em Pouso Alegre, o número de pesquisas está aumentando, devido a disponibilidade de fontes encontradas em arquivos e principalmente no Museu Histórico. A grande procura são de acadêmicos do curso de História, buscando informações, principalmente em temas relacionados a linha de pesquisa “Historia e Cidade”. Temas como: Avenida Doutor Lisboa, Cadeia Publica, Colônia Francisco Sales, Estação Ferroviária, Distrito Industrial, Mercado Municipal entre outros foram requisitados em nossos arquivos por estudantes de graduação, mestrandos e doutorandos. Os pesquisadores podem ter acesso a alguns documentos como: jornais, revistas, atas do poder legislativo, imagens fotográficas entre outros, muitas vezes já digitalizados e arquivados no banco de dados da própria instituição.
            As pesquisas locais atualmente desenvolvidas contribuem para a valorização das muitas memórias e para um novo jeito de se escrever história da cidade de Pouso Alegre.  

Colaboração: Fernando do Vale

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

OS PRIMEIROS JORNAIS DE POUSO ALEGRE

Isaías Pascoal*

O padre, deputado e senador José Bento foi o pioneiro no jornalismo político em Pouso Alegre e região. Foram criações suas o Pregoeiro Constitucional e o Recopilador Mineiro. Quando surgiu, em 1830, o Pregoeiro Constitucional, sob a ótica do Liberalismo, se opôs a D. Pedro I de forma resoluta e agressiva. Suas matérias eram mais doutrinárias e filosóficas, com pouca preocupação em descrever fatos. Os textos eram extensos, faziam comparações entre governos tirânicos (Turquia) e os democráticos (Inglaterra), e exaltava a ideologia Liberal, na realidade, a grande bandeira de luta dos que se opunham ao imperador.

 Já o Recopilador Mineiro (1833-37) era de uma fase em  que D. Pedro I já havia renunciado ao poder. Na época, o interesse primordial do governo regencial era garantir a ordem política e social e salvar o país da “anarquia”. Suas matérias são mais relatos de acontecimentos. São menos filosóficos e doutrinários. Há anúncios que, no Pregoeiro Constitucional, eram impensáveis. O mote principal são os fatos políticos. Afinal, os leitores estavam interessados em acompanhar o rumo da política no país. De longe, a maior preocupação.

Os acontecimentos do exterior também eram assuntos de interesse dos leitores. Os jornais reservavam um espaço para o noticiário internacional, sobretudo se relevante para a situação interna crítica. Conhecer o que se passava fora do país, principalmente na Europa, servia como norte para as lideranças políticas brasileiras.
 
As notícias internacionais chegavam com muito atraso ao sul de Minas, cerca de três meses após o seu acontecimento. A imprensa não conseguia, nem mesmo, publicar notícias de uma província a outra sem que isso levasse ao menos um mês.

O Pregoeiro Constitucional, de 20 de outubro de 1830, nº 13, fala sobre a revolução que explodiu em Paris no mês de julho. As matérias do exterior publicadas enfatizavam os conflitos entre os países. O Recopilador Mineiro, de 19 de dezembro de 1833, nº 89, trazia uma transcrição do Jornal do Commercio que fazia análise sobre a invasão da Ilha das Malvinas pela Inglaterra, explicitando o apoio dos brasileiros aos argentinos: “Invadidas as Ilhas Malvina pela Corveta de S. M.Britaneia (...) Entretanto a Regencia do Imperio  do Brazil, (...), tem sido um dos primeiros que de modo mais franco e nobre deu uma prova inequivoca de que olha para a Causa da America, como propria, e que em qualquer tempo se collocará á frente dos Estados Americanos para resistir ao poder Europêo. Estamos autorisados a publicar que a Regencia  do Brazil, sem outra iniciativa além de circular nosso Governo, ordenou seu Ministério Plenipotenciário em Londres o Cavallheiro Mello Mattos, coopere por todos os modos possiveis  a sustentar as reclamações do Ministro da Republica Argentina a respeito da usurpação das Malvinas por parte da Inglaterra”.

Além do dia-a-dia da política nacional e internacional, os jornais faziam comentários sobre o comportamento feminino, a chegada dos correios, divertiam seus leitores com anedotas, e até noticiavam o falecimento de seus desafetos.

Em 16 de outubro de 1830, na edição de nº 12 do Pregoeiro Constitucional, é noticiada a morte do presidente de Sergipe: “Consta-nos que morreu o Presidente de Sergipe; muitas vezes a morte de um mau empregado, é origem de paz, e tranqüilidade!”

O Recopilador Mineiro de 9 de novembro de 1833 trazia ao fim de sua edição uma anedota: “Anedocta: Aconselhava-se a um velho que cazasse: elle respondeu, que não gostava de mulheres velhas: Disserão-lhe que tomasse uma moça: oh! Replicou elle, eu sou velho, e não posso supportar as velhas, como uma moça me ha-de supportar?”

Este era o cotidiano retratado pelos jornais. Os acontecimentos políticos eram esperados e lidos com interesse. A sociedade sul-mineira se desenvolvia e procurava se espelhar na Corte em sua maneira de ser, de vestir e viver.  Os homens liam e discutiam as notícias em rodas de amigos, enquanto as mulheres faziam suas visitas, e José Bento realizava façanhas na política e no jornalismo.
 
 
*Professor no Instituto Federal de Educação do Sul de Minas. Formado em Pedagogia e História, com especialização em História Moderna e Contemporânea pela PUC-BH, mestrado em Sociologia pela UNICAMP e doutorado em Ciências Sociais também pela UNICAMP.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Pouso Alegre e a Catedral- um pouco sobre o catolicismo na cidade mineira



Sílvia Regina Alves Fernandes
O presente artigo analisa os dados de uma pesquisa paroquial na cidade mineira de Pouso Alegre. Trata-se de uma pesquisa de opinião aplicada em católicos durante o dia da missa na Catedral Metropolitana da cidade. É realizada uma contextualização da cidade e dos dados referentes ao cenário religioso no Brasil. A análise de dados está fundamentada na literatura sobre o cenário religioso no Brasil e suas implicações para o catolicismo. Sugere-se que as cidades em expansão guardem elementos da tradição religiosa, mas estão suscetíveis aos apelos do pluralismo religioso e da globalização cultural.

Palavras-chave: catolicismo; globalização cultural; pastoral urbana; pesquisa paroquial; Pouso Alegre-MG




                               Fonte:  http://www.pousoalegre.net/foto-do-dia-catedral/


segunda-feira, 7 de maio de 2012

Territorio urbano e o processo saúde-doença : perfil territorial da saúde no São Geraldo em Pouso Alegre-MG

Rivaldo Mauro de Faria


A investigação da relação entre o território urbano e o processo saúde-doença constitui o cerne das preocupações que motivaram o presente trabalho. Parte-se do pressuposto que a saúde tem uma dependência territorial que, uma vez entendida, pode se tornar uma importante ferramenta para o planejamento em saúde pública. Ao delinear o perfil territorial da saúde de uma área pode-se antecipar ações de controle de longo prazo e diminuir os impactos das ações corretivas de curto prazo. A pesquisa que aqui se apresenta constitui um esforço teórico-prático que busca inserir o objeto da ciência geográfica nas análises em saúde pública. Para isso se fez uso de um instrumento teórico, a categoria território defendida na obra de Milton Santos e um objeto para sua aplicação, o bairro São Geraldo, localizado em Pouso Alegre-MG. A complexidade inerente à dinâmica urbana produz territórios de usos diferenciados que têm relação direta ou indireta com a produção de doenças. É o caso do bairro São Geraldo, uma área de exclusão social propícia à produção de algumas enfermidades. Notadamente as doenças infecciosas, devido as suas características, são muito comuns nesse território. Nesta pesquisa, foram investigadas a diarréia aguda, hepatite A, dengue e leptospirose. A escala temporal para a coleta dos dados compreendeu o período de 2002 a 2006 (com exceção da diarréia aguda, cujos dados são de 2006). Ao realizar o diagnóstico territorial da área de estudo, foi possível estabelecer a sua relação com a produção dessas enfermidades. O perfil territorial do bairro São Geraldo pode ser tomado como um fator causador da doença e, ao mesmo tempo, o cenário para a implementação de práticas de atenção primária em saúde.


A cidade e o "mal necessário"; zona de prostituição e marginalidade social em Pouso Alegre - MG (1969-1988)


Eduardo Moreira Assis

Este artigo discute a tensa relação estabelecida entre a cidade sul-mineira de Pouso Alegre e sua zona de prostituição entre os anos de 1969 a 1988, marcados por uma campanha moral contra a zona de prostituição e pela experiência da cidade frente à "modernidade" e o "progresso", reforçando fronteiras invisíveis e preconceitos através de representações sociais negativas ou baseadas no conceito de "mal necessário.
Palavras-chaves: zona de prostituição e território urbano; preconceito e fronteiras simbólicas; história oral e imprensa.







A Igreja Católica e a transformação do espaço e do viver urbano de Pouso Alegre-MG (1936-45)




Carlos Leonardo Teixeira Sampaio
Esta dissertação denominada: A Igreja Católica e a transformação do espaço e do viver urbano de Pouso Alegre -MG (1936- 45) procura discutir a posição e a articulação adotada pela diocese de Pouso Alegre, referente às transformações do espaço da cidade, que passava por incisivas intervenções urbanísticas. Reflito também a postura exercida pela Igreja em relação à chegada de novos costumes influenciados principalmente com a chegada do cinema sonoro e por uma maior presença na região de outras religiões. Nesta perspectiva, analiso a ênfase da Igreja no controle e na intervenção educacional sobre a juventude feminina e a criança, servindo como um instrumento de defesa de sua instituição. A imprensa local, como também livros de memórias da cidade são as principais fontes utilizadas na discussão do tema. O trabalho está dividido em três partes: na primeira, discuto a Igreja Católica frente às modificações dos espaços da cidade, na segunda parte, trato sobre a questão da moral católica e a juventude feminina, diante das transformações no viver urbano e por último, analiso a Igreja e o universo infantil em sua formação educacional e na discussão sobre o problema social da infância em Pouso Alegre.
Link para texto completo: http://www.sapientia.pucsp.br//tde_busca/arquivo.php?codArquivo=9046

A praça João Pinheiro: cidade, memórias e viver urbano: Pouso Alegre, 1941-1969


Juliano Hiroshi Ikeda Ishimura
Na dissertação intitulada “A Praça João Pinheiro: Cidade, memórias e viver urbano. Pouso Alegre, 1941-1969”, é tecida uma reflexão sobre as intervenções urbanísticas de grande impacto, na Praça João Pinheiro, que tornaram-se o mote para o desenvolvimento desta pesquisa. As muitas histórias e memórias levantadas nos depoimentos de usuários, freqüentadores e representantes do poder público municipal, associados a outros documentos escritos como a imprensa, as Atas da Câmara Municipal e as memórias escritas, revelaram significados múltiplos que essa Praça teve para a cidade e sua vida cotidiana. Os efeitos das intervenções no modo de ver e vivenciar o espaço são fundamentais neste trabalho. Busquei estabelecer um diálogo constante com diferentes tipos de fontes, cujo objetivo maior foi construir uma história multifacetada daquele território, capaz de desmistificar as imagens que pesavam sobre a Praça, dona de valores e regras próprias. Uma cultura da saúde e da infância marcou a Praça João Pinheiro e seus arredores. O peso das idéias higienistas, a repressão da sexualidade feminina e as manipulações ideológicas mostram que instituições como os Parques Infantis e os Dispensários são mais do que lugares de lazer e aprendizado, são locais de disciplina e reclusão. Repleta de disputas e alianças sociais, a pesquisa, dividida em três partes, revelou gostos e sensibilidades que, por vezes, não são mais visíveis no cotidiano da cidade atual.
Link para texto completo:

Encantos e desencantos da cidade: Histórias e memórias do Mercado Municipal de Pouso Alegre/MG


Ana Eugênia Nunes de Andrade
Fernando Henrique do Vale

Este trabalho tem por objetivo discutir as relações de sociabilidade em torno do Mercado Municipal de Pouso Alegre, no sul de Minas Gerais e as políticas de urbanização no período de 1940-1970. O Mercado Municipal, desde o fim do século XIX, é um ponto de tensões e conflitos sociais na cidade. Com o passar do tempo, desde sua fundação em 1873 até os dias atuais, sua estrutura sofreu reformas, ampliações e melhoramentos pautados no ideal higienista do início da república no Brasil e nos moldes do pensamento dos governantes do regime militar de 1964.

Discursos impressos de um padre político: análise da breve trajetória d' O Pregoeiro Constitucional

Françoise Jean de Oliveira Souza

O presente texto realiza uma análise da trajetória do periódico O Pregoeiro Constitucional, publicado pelo deputado e padre José Bento Ferreira Leite de Mello, em Pouso Alegre, visando atingir dois objetivos bem claros. O primeiro deles é o de perceber como este padre político discutiu os importantes acontecimentos que precederam à abdicação de Dom Pedro I, tomando a imprensa como principal instrumento de vigilância das ações do poder executivo e como tribuna para defesa de projetos de caráter liberal moderado. O estudo das proposições federalistas e constitucionais apresentadas por José Bento, bem como da maneira como estas ganharam novos significados num curto período de tempo, leva-nos, por sua vez, ao nosso segundo e mais amplo objetivo que é o de compreender a presença e as implicações do fenômeno de reconfiguração e deslocamento semântico dos conceitos e vocabulários políticos ocorrido nas primeiras décadas do século XIX brasileiro.
Palavras-chave: Império do Brasil, imprensa, religião, vocabulário político, Estado / formas de governo