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sexta-feira, 20 de julho de 2012

Pouso Alegre, sua beleza, seu progresso, sua administração

Para o viajante, que chega de outras terras, Pouso Alegre é uma surpresa e um milagres, porque ninguém supõe que um município como este, que não tem tido auxílios de grandes empresas particulares ou oficiosas, possa apresentar aspectos tão encantadores, movimento comercial tão desusado, produção agricula tão variada e em larga escala como Pouso Alegre apresenta, em comparação com outras cidades brasileiras. É natural o espanto que causa aos forasteiros o nosso desenvolvimento, pois que lá fora ninguém conhece as causas certas do quasi extranho progresso deste centro do Sul de Minas.
È comum a gente ouvir exclamações como esta: “Como é que Pouso Alegre, uma cidade pobre, está mais deslumbrante e progressista que do que as cidades ricas?!” Esses que assim perguntam não examinaram ainda as causas principais da vitalidade econômica do nosso município.
Evidentemente a nossa industria começou a se desenvolver, de maneira mais notável, de uns seis anos a esta parte. Mesmo assim não apresentamos ainda um movimentos industrial que esteja em relação com o movimento e grandeza de nossa cidade.
Há pouco tempo um fiscal do Instituto dos Industriários confessou que calculara maior o numero de nossos industrais porque se encantara com o movimento da cidade, com a grandeza material dos nossos edifícios e com a extensão da “urbs” rumorejante, que já tem sido comparada ás capitais modernas e deslumbrantes.
Entretanto é fácil explicar a grandeza deste município. A posição geográfica, em primeiro logar, tem seu destaque especial no encaminhar para aqui os habitantes dos logares visinhos. A salubridade do clima, a belesa topográfica da séde, de onde se descortinam os mais vastos encantadores horizontes, contribuem, em larga parcela, para a boa fama do logar. As terras muito divididas e cultivadas, produzindo vários produtos diferentes, não deixa haver as crises motivadas nos logares onde se pratica a monocultura.
Uma terra assim feliz teve ainda a ajudar-lhe a grandeza outros fatores de êxito... Entre esses o privilegio doce e grato de contar em seu convívio com personalidades de eleição, naturais da terra alguns, outros de outras origens, mas todos unanimes no seu amor a Pouso Alegre. Um desses foi D. Nery, o excelso prelado, que além das qualidades piedosas de pastor de almas dedicadíssimo reuniu ainda outras de orador incomparável e escritos importantíssimo. D. Nery foi um precursor, um fundador de movimentos, um mestre iluminado, que se rodeou de um pugilo ilustre de discípulos, e hoje esta imortalisado pela tradição de suas obras singulares e pela chama sagrada da saudades que ficou no coração e nos espírito de seus continuadores.
Falando em D. Nery nós nos lembramos dos primeiros dias desta freguezia, quando aqui chegou, jovem e cheio de energias, que ele dedicou em favor desta terra, o seu primeiro vigário, padre José Bento Leite Ferreira de Melo, mais tarde Senador do Império, fundador da imprensa em Pouso Alegre, político de grande influencia nos dias agitados das lutas administrativas do Império. O Senador José Bento foi também um precursor, pois imprimiu nas oficinas do “Pregoeiro Constitucional”a Constituição que seria do Brasil e que passou á historia com o nome de “Constituição de Pouso Alegre”.

(...)
O seu governador atual, o Prefeito Tuany Toledo, representante do Governador do Estado e que fora anteriormente eleito Presidente da Camara Municipal, é bem o representante do povo de Pouso Alegre, reunindo em sua personalidade as melhores tradições dos filhos desta terra. Homem que se fez no estudo e no trabalho, homem que sempre se dispoz a auxiliar os seus semelhantes, o farmacêutico Tuany Toledo é um representante da ponderação e da tenacidade dos mineiros, por que jamais se entibiou diante de quaisquer dificuldades e nunca se esmoreceu frente aos maiores sacrifícios. Dotado de rara capacidade de uma tempera de aço, nasceu o Sr. Tuany Toledo com a predestinação de servir a causa publica e mercê dessa predestinação venceu todos os obstáculos, com galhardia e destemor, tornando-se creador de admiração e simpatia. Imaginoso, porém meticuloso nas suas realizações, entusiasta mas prudente, não se deixando governar por paixões mesquinhas e pessoais, é o atual governador de Pouso Alegre o dirigente ideal para uma coletividade que deseja o progresso geral.
É com esse prazer que consignamos, nestas palavras sobre a vida e a administração de Pouso Alegre, essa nota de justiça sobre a personalidade do seu dirigente pois ele é bem a síntese vibrante de uma terra feliz e gloriosa.
Na pessoa, pois, do Sr. Prefeito Tuany Toledo homenageamos todas as autoridades e todo o povo de Pouso Alegre. 

Extraído do Jornal “O Linguarudo” 08/10/1939
Escrito como no original

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Escola Profissional

Inaugurou-se hontem officialmente a Escola Profissional Delfim Moreira, fundada nesta cidade pelo seu bispo diocesano.
É um acontecimento assaz promissor para o engrandecimento da nossa bella e culta cidade, e bastante demonstrativo do espírito de iniciativa que existe entre nós, não só da parte dos dirigentes locaes, como também da parte do povo, que não desampara nunca todo e qualquer emprehendimento que redunde em um melhoramento local.
Ao lado dos estabelecimentos de ensino que já existem na cidade- Escola de Pharmacia, Gymnasio S. José, Collégio das Dorothéas, Grupo Escolar, além das innumeras escolas particulares,- todos elles superiormente dirigidos e com existências já consolidadas pelos annos e pelos resultados apresentados, vem se enfileirar agora este novo instituto agora este novo instituto, preenchendo uma falta na nossa instrucçao popular, qual a de ministrar um curso pratico aos alumnos, dando-lhes ao término uma profissão determinada para o ganha pão effectivo.
Entre os três estabelecimentos que se podem chamar de profissionaes – Escola de Pharmacia, Collegio das Dorothéas e Escola Profissional, est
e ultimo é incontestavelmente o que vae prestar maior somma de serviços porque terá um mais largo âmbito de acçao, dirigindo e beneficiando exactamente as classes menos afortunadas e propriamente mais productoras as classes menos afortunadas e propriamente mais productoras, enquanto que os outros dois ficam restrictos às classes mais altas e afortunadas e por isso com sua acção bastante delimitada.
Em um paiz como o nosso, de uma superfície tão vasta de terras ainda incultas apezar de sua opulenta uberdade; em um paiz como o nosso, que guarda em seu seio riquezas immensas, representadas pelos minérios e sobretudo pelo ferro aos montões; em um paiz como o nosso, que conserva dentro de suas florestas virgens uma enorme e incalculável quantidade de matéria prima, representada pelas numerosas e belíssimas madeiras de leis; em um paiz como o nosso, em que a natureza tudo faz e tudo amontoa e o homem pouco aproveita por falta de estimulo e pela míngua de conhecimentos precisos, cumpre inquestionavelmente orientar a educação do povo no sentido de tornal-o apto para gozar de todas essas riqueza com que Deus dotou nossa terra bemdita. E esse resultado só nos poderá advir da multiplicação das escolas profissionaes, taes como a que o homem se inaugurou e que já conta com elementos valiosos para a sua existência e para sua acçao profícua em prol desse futuro brilhante que está destinado ao nosso paiz, no dia em que o homem souber entrar em uma sublime emulação com as forças productoras do nosso solo, nessa competência grandiosa entre o que mais produz e os que mais sabem aproveitar.
Ipsa scientia potestas est.
Extraído do Jornal “Gazeta de Pouso Alegre” 07/10/1917
Escrito como no original

terça-feira, 17 de julho de 2012

Dom Octavio Chagas de Miranda

Passou a 14 deste o vigésimo anniversário de eleição de Dom Octavio Chagas de Miranda, exmo. e revmo. Bispo Diocesano.
Em Dom Octavio Chagas de Miranda não sabemos o que mais louvar tantas são as suas virtudes pregrinas.
Tem o nosso illustre prelado a alma a alma cheia de zelo; sua capacidade de sacrifício é inigualável, seu espírito christão affirma-se a cada instante e muito vivo e muito forte é o seu interesse pela vida daquelles  que estão sob sua direcção espiritual.
Contemplando os actos de supremo altruísmo do illustre e piedoso antistite, os fiéis desta cidade se commovem, tão tocantes são os exemplos do Amado Pastor de almas da Diocese de Pouso Alegre, tão visíveis e claros e pujantes são os seus actos, em beneficio da colectividade.
Dom Octavio é o guia sereno, recto, inflexível. Quantas vezes o seu coração sangra e quantas vezes, do alto de sua infinita autoridade elle fulmina, com as suas palavras de reprovação, os actos praticados contra Deus e contra a sociedade.

No terreno pratico ahi estão as realizações de Dom Octavio frutificando-se explendorosamente, attestados do quanto pode o Amor Divino inspirando o coração de um Bispo.
Escola Doméstica, Orphanato, Escola Profissional, Gymnasio São José, Seminário Episcopal, Villa D. Nery, eis as arvores magestosas e floridas que a mão de Dom Octavio plantou, regou, cultivou, em pouco tempo, arrancando as hervas damninhas, adubando o terreno com o adubo riquíssimo da caridade.
No dia 14 o Sr. Vigário Geral celebrou Missa as 8 horas na Cathedral, em intensão do Exmo. e Revmo. Sr. Bispo Diocesano.
As noite uma multidão de fieis, reunida na Cathedral dirigiu-se ao Palacio Episcopal para prestar uma grande manifestação de apreço a Dom Octavio.
Traduziu o sentimento dos manifestantes o Deputado Dr. João Beraldo, que pronunciou lidíssimas palavras.
Profundamente commovido o illustre prelado agradeceu a manifestação em brilhante improviso.
A Dom Octavio as nossas homenagens filiaes.  

Extraído do Jornal “A Cidade” 16/02/1936, capa
Escrito como no original

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Escola de Pharmacia

Pouso Alegre, população cavalheiresca e de costumes fidalgos, empório da instrucção e educação desde os tempos imperiaes nas regiões do Sul de Minas, como disse recentemente um peregrino discurso um visitante paulista, cidade civilisada e culta, bem merecia há muitíssimos annos um Instituto de Ensino Superior- idéal esse que despontou aqui realmente nos tempos áureos do inicio do século presente e que teve plena realização há três anos devido ao acolhimento dos que tem posses mais ou menos avultadas e máxime ao devotamento dos competentes, que se prontificaram, puramente por amor ao idéal colimado, a prestar o seu contingente indispensável, em razão do que são credores dum agradecimento apotheótico de todos os pousoalegrenses, de quem são bemfeitores inquestionavelmente.
Fulgurará o dia 4 de fevereiro de 1914! Fulgurará sim; por que essa data é o marco de mais um cyclo descripto na orbita das florescências da civilisação em nossa cidade.
Um Instituto moderno já seria muito; mas o que se fez, o que se conseguiu, o que ahi está como facto, desafiando os argumentos, vale por uma conquista, um idéal, uma victória. 
Urgia capital para montagem de gabinetes e 22 contos de réis num abrir e fechar d’olhos se precipitaram nos cofres da sociedade anonyma, que se constituira com tal meta.
Urgia um corpo Docente idôneo e uma plêiade de intellectuaes,trazendo a frente os nomes que são nomeadas, de Nothel Teixeira, Arthur Guimarães, Rodolpho Teixeira, Sebastião Meyer e outros que me escapam no momento, se prontificam a preechel-o com competência e dedicação.
Dedicação e competência raras: porque são homens de reputação mais que firmada na esphera dos seus conhecimentos específicos e porque se propozeram a exercer não a ambição do lucro, mas em toda a linha a industria d’um ideal, - o desenvolvimento intelectual sempre mais intenso e efficaz em Pouso Alegre.  
Conseguido o mobiliário escolar, remodelado um edificio amplo e confortável, organisado um corpo docente de primeira ordem, só faltavam bons gabinetes.
Esses vieram logo d’Europa ao valor de mais de dezoito contos.
O Laboratorio de Physica é de primeira ordem: merece a mais lisongeira noticia, que a falta de espaço hoje nos priva em absoluto de descrever.
O de bactereologia é estupendo, simplesmente magnífico, basta dizer que na opinião dos competentes que o visitaram, se identifica ao do Rio de Janeiro, pelo qual foi modelado. O Museu de Historia Natural com secções especiaes de entomologia e serpentologia regional com muitíssimos espécimens, o laboratório de Physica e Chimica, gabinetes de prothese e clinica Odontologicas, tudo se encontra no melhor estado de conservação, nada deixando a desejar em seus complementos.
Os programmas desde o inicio foram executados e estabelecidos nos moldes da Faculdade congênere da Capital Federal. Em geral se dão duas aulas theoricas e uma pratica por semana para cada disciplina.
Há exercícios de observação ao microscópio, de experimentação com apparelhos de Physica, de preparações chimicas e reconhecimento dos elementos componentes, de verificação das alterações e falsificações, quer dos medicamentos quer das principaes substancias alimentícias.
Em toxicologia tem-se dado um cunho eminente pratico a parte pericial para se conseguir a mais prompta e exacta habilitação nos alumnos a verificarem a existência e reconhecerem os diversos vermes e a um tempo os modos mais acertados e os meios mais eficazes da sua propinação. Em bactereologia se fazem constantemente exames de sangue, escarros, ulsudatas, transudatas, etc.
É de se admirar e aplaudir como homenagem a verdade um curso tão perfeito assim numa Escola Particular.
É a pura realidade o que dizemos e quem duvidar é bastante de... antes de tagarellar, vir patentear o facto apreciável a toda a gente competente e seria.
Esse curso que nas outras faculdades em tudo similares a nossa não tem passado de cadeira nominal e hypothetica, é um esplendido attestado da seriedade, severidade e competência do magistério superior de direito, de dever, de dignidade e... de facto na nossa Escola.
É quasi incrível, mas é realidade que convida aos capazes e imparciaes a uma verificação feita em demorada e minuciosa visita.
Era mister muita abnegação, muito sacrifício, voluntariedade inquebrantável, intelligencia e experiência... O sacrifício se fez e o resultado nessa parte é só por si uma coroa de gloria para os paladinos desse ideal, que os nobilita, enaltece, glorifica tanto mais quanto é alcandorado e puro o fim que tiveram em vista.
Na pessoa do notável clinico Dr. Nothel Teixeira, primeiro director da Escola, o povo de Pouso Alegre, saúda esta legião gloriosa da vencedora idéa.
Após dous annos de funccionamento regular com optimos resultados, ao finalizar o segundo tirocínio, se fez nova eleição para Director. A escolha cahiu no brilhante nome do Pharmaceutico Rodolpho Teixeira, vice-presidente da nossa Camara, membro do Directorio Politico Local, cidadão conceituadíssimo no nosso meio.
Não poderia ser melhor: o eleito é um homem que reúne em si um verdadeiro escrínio de pérolas, de qualidades raras.
Cidadão de trato fidalgo, caracter firme, de temperamento sereno, intelligencia clara, vontade austera, coração expansivo e jovial, - é desses homens raros pela harmonia de predicados, que possue  e que o tornam elemento indispensável de ordem e do melhor sucesso a frente d’uma administração.
A vice-directoria que foi occupada nos annos transactos pelos abalisado operador Dr. Arthur Guimarães, é exercida actualmente pelo hábil dentista Snr. Joaquim Nunes Brigagão. A eleição de faz por dous annos pela assembleia dos accionistas e a Directoria fica constituída por um Director, um vice Director, que devem sair do Corpo Docente e de um thesoureiro, que é eleito entre os accionistas, os quaes por esta forma estão habilitados a zelarem de seus interesses e da correcçao das transacçoes feitas nesse sentido. E de facto: estamos informados que impera completa satisfações no animo dos accionistas com relação a parte econômica.
____________
A Escola se fundou aqui em virtude da Lei Federal, conhecida por lei Rivadavia, que lhe dava direito de registro aos seus títulos na Directoria Geral da Hygiene. Esta lei desappareceu para os seus effeitos com a Reforma Carlos Maximiliano; mas o Congresso Estadual votou então a Lei n. 268, de 22 de Setembro de 1914, com caracter geral para todas as escolas.
Abrogada esta, o actual Senador Eduardo Amaral, naquelle tempo presidente do Congresso Legislativo Estadual, apresentou e defendeu uma emenda a um projecto de lei sobre o ensino secundário em 1915, mandando registrar os diplomas das escolas de S. João d’El-Rey, Alfenas e Pouso Alegre.
Assim continuou a funccionar em goso de regalias e prerrogativas, que lhe competiam não só de facto, officialmente, mas ainda de direito, por que a Escola de Pouso Alegre pode comparecer a uma comparação com qualquer Instituto Official, quer deste Estado quer de S. Paulo.
A lei ultima, porém, de 12 de Setembro de 1916, regulando o exercício da profissão pharmaceutica, a qual o permittia exclusivamente aos formados pelas escolas Officiaes, veio suscitar opiniões divergentes sobre a acceitação ao registro dos diplomas conferidos pelas Escolas a que se referia a emenda de 1915.
Após maduro estudo da questão, porém, na Secretaria do Interior, ficou definido que os diplomas conferidos pelas Escolas Officiaes, veio suscitar opiniões divergentes sobre a acceitação ao registro dos diplomas conferidos pelas Escolas a que se referia a emenda de 1915.
Após maduro estudo da questão, porém, na Secretaria do Interior, ficou definido que os diplomas conferidos pelas Escolas a que se referia a emenda de 1915 seriam acceitos a registro como dantes. A lei actual se estendia apenas a outros estabelecimentos particulares em geral com excepção das Escolas de Pouso Alegre, Alfenas e S. João d’El-Rey.
Essa interpretação positivamente se não definira ainda quando precipitadamente se julgou entre nós uma questão resolvida, quando estava apenas em perspectiva.
Prevalesceu afinal a execução da emenda Eduardo Amaral sanccionada em 1915 pelo Congresso, ficando a nossa Escola com prerrogativa. Inquestionavelmente concorreram, porém, para que os estudos, que se faziam sobre o assumpto na Secretaria do Interior sob os auspícios do grande amigo e eminente titular Sr. Dr. Américo Lopes-, tivessem mais rápida solução, a instancia do Exmo. e Revmo. Dom Octavio Chagas de Miranda, D. D. Bispo Diocesano e também o generoso e inequívoco acolhimento do Sr. Dr. Delfim Moreira, Presidente do Estado e a dedicação dp Director da Escola Sr. Phco. Rodolpho Teixeira, cuja atitude durante toda a gestão do problema estáacima do mãos caloroso elogio.
Fica assim gosando do direito de conferir diplomas de competência para o exercício das profissões pharmaceutica e odontológica, desde já, a nossa Escola.
Esses títulos de formatura numa e noutra profissão, segundo a declaração peremptória e publicamente feita pelos Srs. Presidente e Secretario do Interior, serão este anno mesmo acceitos na repartição de registro geral de Hygiene em Bello Horizonte.
Os diplomas dados na Escola de Pouso Alegre, officialmente habilitam e dão direito aos portadores, de montarem Pharmacia e exercerem a arte dentaria em todo e qualquer logar do Estado de Minas Gerais.
Eis em linguagem mais clara e positiva o que se acaba de conseguir.
A mocidade Academica, representada por uma commissao de 15 membros, a política pelos Srs. Senador Eduardo Amaral e Cel. Herculanp Cobra, a Directoria da Escola pelo Sr. Pharmaceutico Rodolpho Teixeira, o Fôro pelos Drs. Drausio de Alcantara e José Francisco do Rego Cavalcanti, o Exmo. Sr. Bispo Diocesano, que foi o maior pioneiro da promptidão da decisão favorável à nossa Escola perante o Governo do Estado, representado pelo Secretario do Bispado, Padre Dr. Furtado de Mendonça,- apresentaram em S. Rita, no dia 20, a S. Excia. O Sr. Dr. Delfim Moreira, Presidente, e ao Exmo. Sr. Dr. Américo Lopes, secretario do Interior, agradecimentos pelo muito que tem feito e continua a fazer pelo nosso engrandecimento.
Ao Exmo. Sr. Dom Octavio. A 23 se fez estrondosa recepção em agradecimento pelos esforços empregados em prol da conservação deste importantíssimo instituto de ensino superior, conseguindo a mais rápida e melhor solução ao caso da parte do Governo do Estado.
À política local, ao Governo do Estado, à Directoria da Escola, ao Exmo. Sr. Dom Octavio, à mocidade acadêmica, a Pouso Alegre em peso, as nossa apotheoticas homenagens, os mais ruidosos applausos.
(F.M.)  


Extraído do Jornal “Gazeta de Pouso Alegre” 26/11/1916
*Escrito como no original

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Club Literario e Recreativo

O Club Literario e Recreativo de Pouso Alegre, é, innegavelmente, uma das causas do legitimo orgulho dos pousoalegrenses.
Obra de esforço, de grandioso trabalho, tem sido o Club a sala a sala de visitas da cidade, que recebe nos seus salões as figuras illustres que nos visitam.
Nos salões do Club Literário e Recreativo reúne-se a sociedade pousoalegrense nos dias de festas, de sessões literos-musicaes. Naquelles amplos e luxuosos salões são homenageados muitas vezes os pousoalegrenses illustres.
Alli se fazem novos conhecimentos, alli se reúnem os velhos amigos depois do trabalho diurno, alli se estreitam laços de amisade.
O edifício do Club, enfeita a praça Senador José Bento. Collocado bem no centro da praça em frente a fonte luminosa, tendo ao fundo um magnífico terraço de onde se descortina uma vista mara
vilhosa, o prédio do nosso Club constitue, sem duvida, um dos motivos de belleza desta cidade.
A escadaria de mármore que da ingresso aos salões de cima impressiona muitíssimo bem. As salas de jogos são amplas, arejadas. Na primeira sala, a direita, fica a mesa de xadrez.
Às 13hs do dia há distribuição de café aos sócios. Mas é as 20 horas que o café da noite reúne nas salas um grande numero de sócios.
Propositadamente deixamos para o fim o que o Club Literario e Recreativo tem de extraordinário valor, de um valor inestimável: a sua bibliotheca, composta de obras admiráveis, de literatura, Sciencias, Direito, medicina, Engenharia, etc.
Não se pode calcular o quanto de esforço e de boa vontade custou a Bibliotheca. Custou muitos pedidos, muitos apellos, muito dinheiro, muito trabalho e sobretudo grande amor, o immenso carinho que o Cel. Joaquim Mariano Campos do Amaral tem pela sua obra.
Ainda este anno o Cel. Campos desejava para a Bibliotheca o total de 4000 volumes. Pois já se chegou aos 500 e já passou para frente.
A Bibliotheca está com 5000 volumes, 300 duplicatas, 5000 revistas, jornaes e mappas.
A actual Directoria pretende fazer uma reforma na bibliotheca vendendo as estantes antigas e mandando construir prateleiras novas, systema americano. Já foram fornecido os dados para a confecção de orçamentos. Só depois destes promptos, se resolverá se o serviço deve ser feito de aço, cimento armado ou simplesmente de madeira.
Esse trabalho em favor de nossa bibliotheca, tem a sua frente o venerando Cel. Campos do Amaral, presidente do Club, cujo esforço em prol dessa instituição  é proclamado por todos os amigos do Club.
Os pousoalegrenses devem pois se alegrar com o enriquecimento constante e progressivo do Club Literario e Recreativo.
Todos aquelles que puderem ajudar a Directoria devem fazel-o, pois contribuem para a grandeza de uma obra que só será devidamente apreciada pelos que, vendo a sua extensão expelendida não contemplaram o seu crescimento, dia-a-dia, impulsionado por mãos generosas, vigorosas e bemfasejas.
É a seguinte a actual diretoria do Club Literario e Recreativo de Pouso Alegre:
Presidente- Cel. Joaquim M. Campos do Amaral; Vice pres. : Antonio Carlos Garcia de Faria; Orador- Dr. José Garcia Coutinho; Thesoureiro- Jayme Gomes; 1° secretario: Castorino Silva;  2° secretario: Dionysio Machado; Bibliothecaria: Josephina Silva.  

Extraído do Jornal “A Cidade” 16/02/1936, capa
Escrito como no original

terça-feira, 3 de julho de 2012

Hospital Regional “Samuel Libanio”- Novo aparelho de Raios X


Nunca é demais insistir sobre esta instituição admirável que é o Hospital Regional “Samuel Libanio” e escrevendo e falando muito a seu respeito, nunca se falará e se escreverá tudo.
Já dissemos aqui dos benefícios dessa organização hospitalar, verdadeira organização no que tem essa palavra de mais significativo.
Já falamos da ordem, do asseio, da disciplina impeccavel do Hospital, tudo resultado da sua insuperável direcção, que luctando com uma verba por demais pequena consegue fazer o máximo, transformando aquella casa em colmeia magnífica, onde, obreiras do bem, as abelhas que alli mourejam, fabricam o mel dulcíssimo da saudade.
Confessamos aqui, que, casas dessa ordem jamais nos dão impressão que temos ao penetrarmos o Hospital Regional desta cidade. Na outras o soffrimento apparece logo, berrante, transtornando a phisionomia dos visitantes com a commoção natural experimentada diante das imensas dores dos doentes. No nosso hospital a limpesa das salas e das enfermarias, o bom humor, a solicitude do pessoal, transformam de tal maneira o ambiente, que é com verdadeiro espanto, que o forasteiro, esperando encontrar espectaculos tristes, sae dalli maravilhado, porque aos seus olhos apresentou se uma dor discreta dissimulada pela naturalidade profissional dos médicos e dos enfermeiros possuidores da perfeita noção de seus encargos.
Era essa a impressão pessoal e muito sincera que temos do Hospital Regional “Samuel Libanio” que não tínhamos trazido para estas columnas.
Há dias falamos das melhorias por que vae passando o hospital. Na nossa ultima visita notamos a excelência das novas enfermarias, amplas, arejadas, modernas, com janellas em todos os lados, as partes em reforma, renovadas, o muro em frente, em construcção, tudo mostrando a actividade que se vae desenvolvendo alli em construcções, depois das felizes demarches do Sr. Bispo Diocesano e do Dr. Custodio Ribeiro de Miranda com o Governo Estadual.
O Dr. Candido Lamy Filho, chefe da Secção de Radiologia do Hospital, tendo feito em Bello Horizonte a sua especialização, trouxe nos a noticia da promessa a elle feita pelo governo da doação, ao nosso Hospital, de um apparelho de Rais X, novo, que viria prestar inestimáveis serviços, substituindo o antigo apparelho.
O novo apparelho acaba de ser installado. É grande porém simples. Entretanto desenvolve movimentos que permittem ao médico tirar radioscopias e radiographias em diversas posições. Veio directamente da Alemanha, por intermédio da Casa Oswaldo Cruz de Bello Horizonte, da firma Alfredo Santos e & Cia. É de marca Volls Chutz Gross Diax Coch e Sterzel. Possue uma voltagem de 130 kilowatts e a sua amperagem chega a 170 mil sendo a ampola de 10 kv, quando as mais communs são de 6 e 7. Foi montado pelo competente technico Manoel Pena que veio especialmente de São Paulo. Com a collocação de um transformador novo em frente ao Hospital, como prometteu o Sr. Prefeito, poderá ser essa machina utilíssima prestar todos os benefícios possíveis na sua esphera, tornando mais efficiente a apparelhagem do Hospital Regional.
Disse-nos um technico Manoel Pena que é o presente apparelho de Raios X p melhor do Estado de Minas, tendo custado vultuosa quantia.
O apparelho si, maravilha aos médicos, deslumbra os leigo que o vê.
Temos que agradecer ao Dr. Candido Lamy Filho os seus esforços e o que o seu enthusiasmo conseguiu; ao Dr. Miranda a confiança que impõe aos poderes públicos estaduaes, tudo isso fazendo do Hospital Regional “Samuel Libanio” um legitimo padrão de orgulho para nós.   
Extraído do jornal “A Cidade” 06/10/1935
Escrito como no original

Hospital Regional- Década de 30

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Fabrica de Colla Chimica

Quando se noticiou nesta cidade que para aqui viria uma fabrica de colla chimica, esta folha debateu largamente e assumpto mostrando as vantagens que dahi adviriam fatalmente para Pouso Alegre.
Há poucos dias noticiamos a definitiva installação dessa industria e hoje informamos aos nossos leitores, que a fabrica já está funcionando regularmente.
É o proprietário da fabrica que veio dar maior movimento e riqueza a Pouso Alegre, a firma Industrias Chimicas Renard Lmitda.
O Diretor da firma é o Sr. Otto Renard.
A matéria prima é a caseína producto que até a pouco, era entre nós relegado como inútil. Agora esse producto desta zona, será empregado todo pela firma Renard. Dentro de pouco tempo será produzido uma quantidade de caseína correspondente a 50.000 litros diários.
A colla das fabricas Renard tem sindo empregada em São Paulo com grande acceitação. Alliás isto é muito natural pois que a colla é considerada como um producto de qualidade superior egual a extrangeira. Para corroborar a nossa affirmativa transcrevemos o trecho de uma noticia a respeito das realizações do Club Paulista de Planadores, sociedade de amadores de aviação que usam aviões sem motor. Referindo-se a colla diz o “Diario de São Paulo”:
“Uma particularidade interessante dos planadores é que nos seu fabrico não se prega um único prego. Tudo é madeira collada. Pequenas taxas grantem, depois da aplicação da colla, a adherencia de umas as outras peças e são depois retiradas. Colla de tanta resistência é a da caseína que, no apparelho actualmente em exposição é originaria do estado de Santa Catharina do Laboratorio Renard, de Blumenau.
A caseína de Santa Catharina, é igual a allemã. O verniz para diversas applicações, o material do contraplacado, a colla, o material para enchimento, a tela-tudo isto nada fica a dever ao material importado.
Podemos esperar pois, muito em breve a noticia da construcçao de aviões nacionaes collados com a colla Renard de Pouso Alegre.
O Director Technico da fabrica de Pouso Alegre é o Dr. Gerhard Grunow.
Extraído do Jornal “A Cidade” 02/12/1934, p. 02
*Escrito como no original

quinta-feira, 28 de junho de 2012

O Instituto Santa Dorotéia

Foi sem duvida em uma hora feliz para Pouso Alegre, aquela em que lhe passaram o solo as Irmãs Dorotéias. Já se escoaram desde então, 46 anos. Todos eles tem sido marcados por um labor contínuo, profundamente Cristão e humano , em favor da formação, não só da mocidade feminina de Pouso Alegre, mas, das cidades circunvizinhas.
O Instituto Santa Dorotéia possui como finalidade apostólica precípua a educação. Para este mister ele foi fundado pela MADRE PAULA FRASSINETTI. É, a educação, o seu campo de batalha na Igreja de Deus.
Em nossa terra tem sido, as Dorotéias, fiéis e exímias no desempenho de sua sublime missão. Quando as igrejas se enchem de povo em busca de vida divina. Quando no lar, a família vive a sua missão. Quando, nos hospitais, se encontram abnegadas Irmãs que suavisam as dores alheias. Quando, nos mosteiros, centenas de almas vivem o mistério da prece e da imolação. Quando, em meio ao mundo conturbado, se encontram almas de valor. Quando os seminários e comunidades religiosas se enchem de novos obreiros para a messe do Senhor, procuramos saber qual a seiva que fez frutificar tão fecunda sementeira, a resposta encontramos na educação cristã que foi ministrada. A resposta encontramos na abnegação integral da vida das educado
ras que souberam prepara para Deus, o seu povo; para o lar a esposa; para os hospitais, as enfermeiras; para os mosteiros, as monjas; para o mundo, os heróis; para o altar, os Sacerdotes; para a vinha do Senhor, novos religiosos.
Em nossa cidade é o que vem fazendo com a sua obra educativa as Irmãs Dorotéias. Há 46 anos a nossa juventude feminina, o que equivale dizer, nossas avós e nossas mães, nossas irmãs e nossas noivas vem passando por esta casa de educação, onde garantem os fundamentos de uma formação sadia para a família e a sociedade pousoalegrense.
No corrente ano, manteve o Instituto Santa Dorotéia os Cursos de Jardim da Infância, Primário e Admissão ao Ginásio, Ginasial e de Formação de Professoras, com a matricula de 500 e poucas alunas.
Há, aí, motivo de sobejo para que nosso “informativo” renda a esta entidade educacional o tributo de homenagem e incentivo a que prossiga na sua missão de semear o bem para a gloria de Deus e felicidade do mundo.  



Extraído da Revista “Informativo Pousoalegrense” 1957, p. 61
*Escrito como no original

quarta-feira, 27 de junho de 2012

O algoz da execução à forca de Antonio Congo em 1846


Há tempos relatamos nesta folha a existência da forca e a execução de Antonio Congo em nossa terra no ano de 1846. Completando hoje o nosso estudo, damos a seguir a descoberta que fizemos, pela leitura das “Ephemerides Mineiras”, de José Xavier da Veiga, vol. III, pagina 114, edição de 1897, que foi o carrasco Fortunato o algoz dessa execução, cujo traço biográfico é o seguinte:
“Fortunato José era natural da freguezia de Lavras, escravo de João de Paiva, cuja viúva- d. Custodia- criou-o com bondade e carinho. Esse tratamento, generoso, quasi maternal, não impediu que se tornasse de mãos instintos, ingratos, entregando-se cedo ao jogo, a embriaguez e a outros vícios. Admoestado frequentemente, mas com brandura, por sua Senhora, criou-lhe ódio, e um dia enfurecido, prostou-a morta com bordoadas. Foi isso em 1833, tinha então 25 annos o miserável, predestinado a vida medonha e abominável”. Assim, “Preso, julgado e condenado a morte, recolhido a cadeia de Ouro Preto, foi a pena comutada na prisão perpetua de acordo com ele com a obrigação de servir de algoz em Minas a outros miseráveis condenados a forca”.
Fortunato dizia-se “empregado publico” no seu oficio de executor da justiça. Falava que as primeira execuções lhe repugnaram, principalmente se eram mulheres que ia enforcar. Quanto aos homens ficou habituado logo e cumpria essa obrigação insencivelmente.   
“Contava sempre que, de ordinário, os sentenciados revoltavam-se contra os sacerdotes que buscavam suavisar-lhes os tristes e últimos momentos”.
Dizia mais “que, nos oficio dormia em comum com os demais presos, inclusive aquele que tinha de enforcar. Mas, certa vez, estando na cadeia de Pitanguy, um desses sentenciados a morte deu-lhe, durante o sono profundo das navalhadas, desde então ficou sempre separado dos presos condenados a morte”.
Tudo isso contava esse negro boçal, como diz Xavier da Veiga, no seu cinismo inconciente, afecto ao mais repugnante e hediondo viver, falando indiferentemente dos próprios atos, com jatancia mas sem vexame.
Notava que devendo o “emprego” ser-lhe rendoso pagavam-lhe mal.
“Fortunato era alto, musculoso, ainda forte em 1877 quando morreu, apezar dos seus 69 anos, dos quaes 44 de prisão, passou na cadeia de Ouro Preto grande parte, onde faleceu, após ter realisado 87 execuções judiciária” durante sua própria vida, até 1874, época em que foi abolida a pena de morte no Brasil, conforme relação que fornecera ele próprio.
Queixava-se no fim da vida, de reumatismo.
Dizia que “se obtivesse a liberdade iria viver socegado em algum canto”.
Segundo o seu relato exerceu seu horroroso oficio em 29 localidades de Minas e duas na Província do Rio de Janeiro, em cuja sombria resenha de suas execuções está uma única em Pouso Alegre.
Basta considerar que a pena de morte foi extinta em 1874, sendo que durante todo seu vigor Fortunato foi o único algoz oficial de Minas. Morrendo nesse posto em 1877, antes ele relata as 87 execuções feitas em diversas localidades mineiras, onde conta uma em Pouso Alegre.
Diz Xavier da Veiga: “Fortunato era acusado de ter enforcado seus pais em S. João del-Rei, ele protestava dizendo que taes execuções foram feitas por seu antecessor Antonio Rezende e todas demais execuções desde 1833 em Minas foram feitas por ele”.
Essa declaração por si só, nos convence de ter sido a execução de Antonio Congo a única feita em nossa terra, sobretudo quando sabemos que só as vilas podiam ter forca, e esta só apareceu aqui (depois da criação da Vila em 13 de outubro de 1831) em 4 de janeiro de 1835 quando se instalou pela primeira vez o júri de sentença, de acordo com a lei que o criava nos municípios.
Estas são finalmente as noticias sobre a lúgubre existência aqui vindo em 1874, a requisição do Juiz Municipal Julião Florencio Meyer, por intermédio da Câmara, para esse triste mister, ganhando apenas 1$021 reis por essa execução, conforme autos findos existentes no cartório crime desta cidade.
Assim, unicamente devido a abominável lei da pena de morte de tão triste lembrança, como bem disse Xavier da Veiga: “esse miserável, esse desgraçado, esse prescrito anônimo das alegrias e da luz!... tinha também uma alma obscurecida pela ignorância, pela fatalidade de um instinto irreprimível, foi se enegrecendo progressivamente cada dia internando-se mais e mais na zona tenebrosa, supremamente infeliz no seu irremediável destino”.
De quase meio século de cárcere e de objeção incomparável um oficio sinistro! Que ainda se fala em restaurar no Brasil.

Extraído do Jornal “A Cidade” 05/05/1936, p. 2, por Eduardo Amaral de Oliveira
*Escrito como no original

terça-feira, 26 de junho de 2012

Pouso Alegre marcha para o progresso

A cidade cresce dia-a-dia, hora a hora, mês a mês, ano a ano, momento a momento e em cada etapa, emoldura-lhe em seu esplendor, além da situação geográfica, verdadeiramente privilegiada, onde montanhas, vales, rios, lagoas, em articulação perfeita, formam esse conjunto dadivoso, cheio de encantos, o sussurro da brisa centenária, badalando os sinos das sua igrejas, na oração perene do devotamento ao signo de Deus.
Preguiçosos rios contornam o seu município fertilizando a terra e a natureza prodiga, sempre engalanada na verdura de sua riqueza, é fator importante fdo desenvolvimento da cidade.
Município rico e ubérrimo, miniatura do paraizo celeste, formando com o seu esforço e com fé inabalável de seus filhos, um lugar onde ainda se pode viver, livre e tranquilo, despreocupado, feliz e alegre, longe das ondas contínuas, nervosas e sempre agitadas, da humanidade de além mar, buscando na inquietude farrapos e migalhas de felicidade.
Pouso Alegre caminha para frente de mãos dadas com a fé que tem e que lhe serve de estímulo e guia!
Pouso Alegre marcha para o progresso, progresso franco, decidido e palpável, quando acaba de completar seus cento e nove anos.
A cidade está no borborinho da sua vida que segue o destino que lhe foi traçado, através da esperança que cimenta os tijolos de sua maternidade N. Sra. de Fátima; da piscina , da sua praça de esportes; da reforma do Colégio São José e da Escola Doméstica Santa Terezinha; da estação rodoviária; da Faculdade de Direito do Sul de Minas; da reforma no Clube Literário e Recreativo; da reforma da cadeia e do edifício do Forum; das novas instalações do Carmelo e Escola Técnico de Comércio São José; do edifício da Associação Comercial; da reforma da instalação elétrica da Avenida Independência; do novo abastecimento de água potável; das construções dos prédios do Clube “28 de Setembro” e “União Operária”; das instalações das Agências dos Institutos do I.A.P.I e I.A.P.C; da construção do majestoso prédio da Escola Profissional “Delfim Moreira”; da reforma do Parque Infantil  “João da Silva”; do asfaltamento dos trechos da rodovia Fernão Dias, na parte que serve o nosso município; das novas instalações do Departamento Nacional de Estradas e Rodagens (D.N.E.R); da magnífica situação e belas instalações do Clube de Caça e Pesca; portanto Pouso Alegre persegue ativamente as conquistas pelo trabalho e pelo saber, através das gerações que se encorporam ao patrimônio da coletividade pousoalegrense, formando uma verdadeira rede de trabalho e realizações. E o progresso de intelectual, administrativa, econômica, agrícola, industrial, comercial, bancária, esportiva, social, religiosa, de seus filhos.
Rendemos nesta oportunidade não só aos filhos ilustres como a todos os demais colaboradores desta obra extraordinária de progresso, pois, todos são dignos e merecedores da admiração e estima dos vindouros, tornando-se credores das reverências pelo muito que fizeram.      
Extraído da Revista “Informativo Pousoalegrense” 1957, p. 55-56
*Escrito como no original

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Parque infantil “João da Silva”

Os homens são feitos para traçarem novos rumos na marcha acelerada para o progresso.
Entretanto, aqueles que são escolhidos, nomeados ou eleitos para administrar trazem muito maior responsabilidade. E, por isto, agora vamos buscar, nos umbrais de seu lar, vivendo a vida calma e pacífica de quem já cumpriu a sua missão na terra, a figura do Ex-Prefeito Tuany Toledo. Não vamos fazer nesta oportunidade de um retrospecto de sua atividade quando Prefeito de Pouso Alegre. Queremos apenas lembrar aos pousoalegrenses, quem foi este homem que construiu o Parque Infantil João da Silva.
Basta esta obra para imortalizá-lo perante a história de nossa comuna. Pois incontestavelmente é sem duvida, uma grande realização e de extraordinário alcance social. Construiu um reduto infantil: cercou-o de todos os requisitos de um parque infantil, para que pudessem os escolares aí buscar nas suas alamedas o local apropriado para seus folguedos juvenis. Inaugurado em 1940, vem prestando a infância, para os ricos e pobres, pretos e brancos, incalculáveis benefícios. Entre os locais destinados a infância, figura o parque “João da Silva”, como o seu principal e o que melhores requisitos tem para os fins que se lhe destinou.
Extraído da Revista “Informativo Pousoalegrense” 1957, p. 53
*Escrito como no original

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Carmelo da Sagrada Família

O Carmelo da Sagrada Família foi fundado a 26 de Outubro de 1943, pelo Bispo Diocesano Dom Otavio Chagas de Miranda.
Essa obra foi idealizada e tornou-se realidade pelo piedoso zêlo de D. Delfim Ribeiro Guedes, então Reitor do Seminário N. S. Auxiliadora.
Com a cooperação de generosas benfeitoras e o apoio geral do bom povo de Pouso Alegre, conseguiu adquirir o antigo prédio, do Cel. Joaquim Ribeiro de Abreu, onde se instalou e funcionou por 14 anos, o Carmelo da Sagrada Família.
As Monjas Carmelitas que deram início a essa abençoada fundação, vieram do Carmelo de S. Terezinha, da cidade de Campinas.
Fundado sem patrimônio, por especial concessão da S. Sé, o Carmelo da S. Família tem se sustentado de esmolas liberais do bom e caridoso povo desta diocese.
Em 1951 iniciou-se um movimento em beneficio da construção do Mosteiro regular, para satisfazer as exigências da vida monástica, professada pelas Carmelitas.
A Divina Providência abençoou milagrosamente a silenciosa campanha das Filhas do Carmelo.
As esmolas chegaram de todos os recantos do Brasil e o Carmelo, como um baluarte de fé e piedade, irmana as alunas na caridade de Cristo.
A Benção da pedra fundamental realizou-se no dia 28 de Março de 1953, pelo Cônego João Aristides de Oliveira.
Graças a cooperação de um grupo de amigos, de incomparável dedicação, a obra prosseguiu rapidamente, podendo inaugurar-se o novo Carmelo a 29 de Setembro do corrente ano.
Falta apenas a Capela. Mas entusiasmo dos generosos amigos do Carmelo, promete tornar, muito em breve, em sublime realidade, o majestoso Santuário do Deus Eucarístico. 

Extraído da Revista “Informativo Pousoalegrense” 1957, p. 29 
*Escrito como no original

quinta-feira, 21 de junho de 2012

O Ensino em Pouso Alegre (Década de 50)

A cidade de Pouso Alegre é incontestavelmente um grande centro educacional. Inúmeros estabelecimentos de ensino enriquecem o patrimônio cultural de nossa cidade. Centro de irradiação de instrução, Pouso Alegre, se inscreve no cenário cultural do Suld e Minas, como a expressão mais forte e positiva do ensino quer primário como secundário. Comecemos com um retrospecto dos nossos estabelecimentos de ensino.
Ginásio e Escola Normal “Santa Dorotéia”
O Ginásio e Escola Normal “Santa Dorotéia”, foi fundado em 11 de fevereiro de 1911.
Funciona em maravilhoso edifício próprio, montado com todos requisitos modernos de educação, e conta este ano com 510 alunas incluindo todas as séries desde o Jardim da Infância até o 3° ano do Curso de Formação.
Colégio São José
O Colégio São José, instalado em majestoso edifício próprio , possuindo bela piscina, é um  ginásio moderno e de educação moderna. O colégio vai nestas férias entrar em obras para maior comodidade dos alunos e magnificência das instalações.
É seu atual diretor o Padre Carlos Colombo, emérito educador e administrador. Conta atualmente com 430 alunos.
Escola Técnica de Comércio
A Escola Técnica de Comércio São José, dirigida pelos professores Dr. Geraldo Clemente de Andrade e Alberto Péres, acha-se localizada em magnífico prédio próprio, com todas as instalações modernas, tornando-se incontestavelmente numa das maiores casas de ensino de Pouso Alegre. Nas suas diversas séries frequentam 337 alunos de ambos os sexos; funcionam regularmente com cursos de Admissão, Comercial Básico e Técnico de Contabilidade.
Escola Doméstica “Santa Terezinha”
Sob a direção da madre Lydia Bueno de Oliveira, funciona a Escola Doméstica “Santa Terezinha”, com a frequência de 60 alunas.
Está em acabamento as obras para um pensionato que vai funcionar anexo à Escola.
As irmãs da Escola Doméstica “Santa Terezinha” exercem na cidade, um trabalho muito interessante e elogiável de Assistência Social, não só no perímetro urbano como suburbano.
Escola Profissional “Delfim Moreira”
Esta Escola foi fundada pelo nosso querido Bispo D. Otávio em 19 de março de 1917.
Atualmente é dirigida pela Congregação Religiosa dos Filhos de Maria Imaculada e ministra educação e instrução literária profissional a menores órfãos desvalidos.
Está com seu novo e imponente prédio prestes a ser inaugurado.
Os alunos ai aprendem a arte tipográfica, alfaiataria, horticultura,sapataria.
Orfanato Nossa Senhora de Lourdes
Esta casa que tem a direção das Irmãs da Caridade, é sustentada pela Associação de Caridade de Pouso Alegre.
Destina-se ao amparo das crianças pobres e desvalidas, tornando-se numa casa de verdadeira caridade, tantos benefícios congrega em seu selo. É uma casa que realmente representa o espírito caridoso de nosso povo.
Seminário Diocesano
Funciona em prédio próprio e foi fundado em 8 de setembro de 1899, sob a invocação de Nossa Senhora Auxiliadora. Tem como diretor o Cônego Sebastião Vieira. Conta atualmente com 81 seminaristas.
Escola Prat
A escola de datilografia funciona sob a competente direção da professora Euridice Carvalho Coutinho, e todo ano dá a nossa cidade grandes turmas de alunos que ali buscam aperfeiçoamento tornando-se magníficos chefes e funcionários.
Seminário “Santo Antonio Maria Claret"
Fundado em 2 de junho de 1956, dirigido pelo Padre Irineu Balestero C.M.F, reitor.
Conservatório Estadual de Música “Juscelino Kubitschek”
Dirigido pelo Capitão João Soares de Sousa. Criado em 14 de dezembro de 1951, pela lei Estadual n° 825, instalado oficialmente em 30 de maio de 1954.
Grupo Escolar- Prof. Joaquim Queirós-
O Grupo Escolar “Professor Joaquim Queirós” é dirigido pela professora Cecila de Souza, tendo como auxiliar a Professora Evangelina Meireles Miranda e 14 professoras, e foi intaldo em 1° de fevereiro de 1949.
Grupo Escolar- Monsenhor José Paulino-
Este foi o primeiro Grupo instalado em nossa cidade, no dia 6 de Agosto de 1912; é atualmente dirigido pela professora d. Cleonice da Silva Caldas, auxiliada pela professora Josefina da Costa Ferreira e conta com 15 professoras.
Grupo Escolar- Hermantina Beraldo-
Instalado em 28 de Maio de 1946; é dirigido pela Professora Maria das Dores Lamounier de Vilhena que é auxiliada pela Professora Tarcila Paiva de Carvalho. Tem 20 professoras.
Grupo Escolar –D. Otavio
Fundado em 27 de Fevereiro de 1954, tem como Diretora a Professora Clarisse Toledo e como auxiliar Jandira Ribeiro Tosta. Tem 10 professoras.
Grupo Escolar- Presidente Bernardes-
Fundado em 2 de fevereiro de 1956 é dirigido pela Professora Clarisse Caldas, tendo como auxiliar Prof. Lourdes Andery e 11 professoras.    
Pouso Alegre ainda contava com 35 escolas municipais na década de 50.


Extraído da Revista “Informativo Pousoalegrense” 1957, p. 17-20
*Escrito como no original
Colégio Sao José e Seminario- Década de 40
Acervo do MHMTT
Grupo Escolar Monsenhor José Paulino- 1920
Acervo do MHMTT
Colégio Santa Dorotéia- 1930 (Atual Conservatorio)
Acervo do MHMTT
Escola Profissional- 1930
Acervo do MHMTT