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segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Sete de Setembro: Aniversário da Publicação do “Pregoeiro Constitucional”



Sete de setembro é uma data notável para o Brasil. Entretanto para Pouso Alegre esse dia deve ser lembrado de maneira particularmente cara, pois que é a data do anniversário do primeiro jornal de Pouso Alegre, primeiro do Sul de Minas e o quinto em toda a província, na ordem chronológica.
No dia 7 de setembro de 1830, há 104 annos, publicou-se no então arraial de Pouso Alegre, o “Pregoeiro Constitucional”.
Foi seu fundador o Padre José Bento Leite Ferreira de Mello.
“O Pregoeiro”, diz Amadeu de Queiroz, illustre historiador patrício, foi um jornal de combate, impresso em typographia própria, adquirida unicamente para esse fim pelo Padre José Bento.
Lendo-se o “Pregoeiro” verifica-se que jamais teve muitos mercantis; não faz nenhuma referência a própria typographia, tão pouco publica o seu expediente comercial. Foi jornal de assignantes honorários e escolhidos, de pequena e cuidadíssima tiragem”.
“A impressão que deixa a leitura do notável jornal de Pouso Alegre, continua Amadeu de Queiroz é a da nobreza de seus redactores e aristocracia das idéas que propagavam”.
A typographia do “Pregoeiro” era installada em uma pequena casa que existiu entre a Praça Senador José Bento e a rua Adolpho Olynto, ao centro da travessa chamada hoje João da Silva, ao lado esquerdo de quem entra da praça e onde termina a casa que pertence actualmente ao advogado Dr. José Manoel dos Reis”.
Natural de Campanha o fundador da imprensa em Pouso Alegre para aqui veio em provimento a capella do Senhor Bom Jesus de Pouso Alegre, creada em 1810.
Logo após foi nomeado vigário da vara, cargo que jamais abandonou.
A figura impressionante desse homem e a sua obra nos fazem acreditar nas modernas theorias da civilização em saltos.
Por que sob a sua protecção “o arraial foi de freguezia a villa, expontaneamente pela riqueza de suas terras, pela salubridade de seu clima, pelo encanto de sua topographia, pela sua excepcional posição geographica”.
Diz Amadeu de Queiroz, que, pelo estudo minucioso da vida do Padre José Bento tem-se a impressão de que a freguezia foi creada principalmente pelos seus esforços pessoaes perante o bispo D. Matheus, constituindo esse acontecimento o seu primeiro e grande serviço a terra que desinteressadamente adoptou.
Padre José Bento mereceu as honras honorárias de Cônego Honorário da Sé de São Paulo, foi nomeado Cavalleiro e Comendador da Ordem de Christo. Foi Deputado Geral pela província de Minas e em 1834, apresentando em uma lista em que figuravam, além do seu, os nomes de Vasconcellos e Manoel Ignacio de Mello e Souza, foi escolhido Senador pelo Regente.
O seu nome ligou-se para sempre a história liberal do paiz e só hoje, longe das paixões violentas de uma quadra de luctas sangrentas nós podemos apreciar a grandeza da fé patriótica que o animou.
Conta A. Valadão na “Campanha da Princeza”, em 1830, José Bento funda em Pouso Alegre o “Pregoeiro Constitucional” a primeira folha que apareceu no estado de Minas. Era um jornal vibrante- o ferro em brasa na chaga do absolutismo.
Na typographia do “Pregoeiro” foi impressa a chamada “Constituição de Pouso Alegre” que seria a Constituição do Brasil se não falhasse o golpe de Estado de 30 de julho. ;as a constituição ficou, ficou programma de partido, como expressão que foi do sentimento liberal do paiz.
“E perante a história é impossível separarem-se a figura política de José Bento e nome do Pregoeiro Constitucional.
Recordemos pois a figura varonil do Senador José Bento e saibamos aproveitar no centésimo quarto aniversario da fundação do “Pregoeiro Constitucional” as licções admiráveis de civismo e de interesse pela causa publica que nos deixou esse ardoroso paladino de sentimento liberal.
Gloria a memória excelsa do Senador José Bento Leite Ferreira de Mello.

Extraído do Jornal “A Cidade” 09/09/1934, capa
*Escrito como no original

terça-feira, 28 de agosto de 2012

O Parque Infantil

A repercussão do que dissemos em nosso ultimo número, sobre o Parque Infantil foi grande. Pessoalmente e por meio de cartas, diversas pessoas e das mais gradas, do nosso meio, tem vindo até nós a fim de nos manifestar a sua solidariedade a respeito do assunto e isso nos leva, para não mentirmos a missão de que se impôs a este jornal de sempre se bater pela verdade e pelo progresso e desenvolvimento de Pouso Alegre, a tratarmos novamente da matéria, chamando para ela a atenção de nossa administração publica, que hoje tem como a testa um honrado cidadão, digno chefe de família o qual não pode ficar  indiferente à sorte do nosso Parque Infantil hoje inteiramente abandonado e desmantelado, próprio, por conseguinte, para o recreio de nossa petizada e família que acompanha, com prazer, a esse ponto de reunião, de inegável utilidade e grande alcance social.

Para mais agravar essa situação, chega-nos ao conhecimento que, marginais, desocupados e elementos. Gente bem, quem sabe? Se postam a noite para o lado da Igreja de Nossa Senhora do Rosario, parte escura do Parque (o guarda séde ao lado aposto onde está a Prefeitura) e ai se dirigem as mocinhas e famílias, que por ali sem vêm obrigadas a transitar, gracejos pesados, ofencivos a sua dignidade...
Extraido do Jornal “O Linguarudo” 12/05/1963
Escrito como no original

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Eleições através dos tempos

Iremos aqui publicar algumas propagandas de candidatos políticos da cidade de Pouso

Alegre em diversas épocas. Acompanhe alguns da década de 60:
 
 
 
Adicionar legenda



O Relógio da Catedral

As obras da nova Catedral caminham a passos largos. E os olhos da nossa população se enchem de prazer ao contemplar a imponência da augusta massa arquitetônica que ali, no largo histórico de Pouso Alegre, se está erguendo como um atestado vibrante da generosidade e fé dos Católicos desta Diocese e a firme e inabalável vontade de um Bispo que dá a nós todos uma demonstração consoladora de operosidade e ação construtiva. Ora bem. Deante da imponência da construção, que está interessando bem de perto a população de nossa terra, não é possível deixar de formular uma pequena advertência sobre o futuro relógio que irá ornamentar uma de suas torres. Pensamos que os beneméritos mentores dos serviços que são orientados no sentido de brindar nossa Diocese com uma Catedral maravilhosa, não devem recuar deante do custo a que possa montar um relógio, que seja uma obra à altura dos fins que devem preencher.
Um relógio como o da Catedral de Pouso Alegre, além de ser um ornamento, necessário da torre em que será colocado, é um complemento, por isso mesmo, da magestade do empreendimento que o esforço da população católica está realisando sob a segura orientação do nosso Bispo, é também um regulador publico, passando a marcar e unificar toda a atividade social e econômica do nosso município, imprimindo-lhe ordem e eficiência.
Claro que neste caso não será um relógio só para os católicos, interessará população interia da cidade, na totalidade de suas classes, será um relógio dos ricos e dos pobres, mais destes que daqueles, um relógio que ofertará a todos os lares a hora certa.
Por isso, o concurso para que se coloque na Catedral um bom relógio, deve ser de todos, cabendo neste caso, igualmente, uma providência simpática dos poderes públicos, que como chefes do governo municipal devem colaborar como opinião geral no sentido de que a nossa Catedral e o nosso povo tenham o relógio que merecem e de que necessitam.

Extraído do Jornal O Linguarudo, 12/02/1949, capa
Escrito como no original

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Dr. José Antônio Garcia Coutinho


Nasceu em Pouso Alegre em 28 de Fevereiro de 1887 e faleceu em 17 de Setembro de 1946. Filho de Antônio Coutinho Pereira (falecido) e de D. Ana Augusta Garcia de Faria. Fez o curso primário em Silvianópolis na Escola do Prf. Francisco das Chagas Ladislau. Cursou o Ginásio Diocesano “São José) de Pouso Alegre, bacharelando em Ciências e Letras, a 9 de Maio de 1907. Cursou Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, tendo recebido o diploma de médico, depois de haver defendido a tese a 29 de Novembro de 1913. Casou-se com Dona Leonor de Carvalho Coutinho.
Foi médico em São José do Paraíso, onde iniciou sua carreira. Em seguida passou a residir em Pouso Alegre, onde exerceu a sua profissão. Foi professor do Ginásio Diocesano “São José” e Fiscal Federal junto ao Ginásio e Escola Normal “Santa Dorotéia”. Era Major Médico do Corpo de Saúde do Exército. Foi Prefeito de Mocóca, quando da Revolução Nacionalista de São Paulo. Médico da missão Rockfeller em Pouso Alegre, por dois anos, médico da R.M.V. da Santa Casa de Misericórdia e do Hospital Regional “Samuel Libanio”. Escreveu várias peças teatrais: “Pouso Alegre em traços”, “O Eden”, “Paraiso das Damas”, “Princezita”, “De como se faz um Prefeito” (levadas em teatros nacionais pelas Cias. Procópio Ferreira e Olavo de Barros).
Foi um dos primeiro Radioamadores de Pouso Alegre (PY4DX)- e quiçá um dos mais animados do Brasil, nesta qualidade, prestou relevantes serviços ao povo desta região, colocando sempre sua estação a serviço das causas úteis e indispensáveis.
Pouso Alegre, prestou ao Dr. Garcia Coutinho a sua homenagem póstuma dando o seu nome a uma das suas praças, onde também seus amigos ali construíram seu busto como exemplo de bondade e caridade, com as seguintes inscrições: “Amigo! Continuas vivendo e viveras eternamente no coração desta cidade”. “Médico dos pobres! Aceita dos pobres desta terra o tributo da mais profunda gratidão”.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Página da Tesoura (Xyko)

Muito se tem falado sobre o mictório no mercado municipal local. E a história continua e irá por muito tempo, ocupando grande parte do assunto na imprensa falada e escrita de Pouso Alegre.
Tivemos, ainda há pouco, através do rádio, uma novela bem parecida com a história do mictório desta cidade: “O direito de nascer”... Em contraste com tudo que diz respeito à higiene, lá está o exalador de mau cheiro, servindo dos mais tristes e injustificados comentários, porque servindo de instrumento prejudicial à coletividade, poderá, também servir de outras explorações secundarias, aproveitando-se daqueles que precisam de se agarrar com tudo, para tudo conseguirem!...

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Fato inédito na história acaba de acontecer em Pouso Alegre. (Sempre esta cidade serve de palco a histórias berrantes).
Em junho p. findo, o comboio da Rede Mineira de Viação, após apitar por duas vezes, às 3:30 horas (três e meia horas da madrugada), deu partida e rumou em direção a primeira estação: Porto do Sapucaí. Lá chegando, o maquinista constatou que os vagões  (de passageiro e de carga) tinham ficando na Estação de Pouso Alegre. Engatou marcha-ré e conseguiu, após quasi uma hora de atrazo, naquele vai-e-vem, levar afinal, os vagões para o destino desejado.
Não causou-nos surpresa esse fato, porque sempre obedeceu ao seu destino a famosa Rede Mineira de Viação: Ruim, Mais Vai...

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É de costume, desde que o mundo é mundo, conservar-se em quasi todos os quintais, um cão fiel, para dar alarme aos amigos do alheio.
Mas... em Pouso Alegre, além de ouvirmos a noite o ladrar de cães nos quintais, estamos assistindo o enfestamento desses animais pelas vias publicas, pondo em perigo a população, ora pela violência que eles se nos apresenta, ora pela possibilidade de serem atacados de hidrofobia e atacarem muita gente.
A hidra precisa ser atacada pelo poder publico (um Hercules qualquer) antes de consumar males maiores, que o ladrar aos ouvidos de quem não os tem, ou quem os deixam soltos nas ruas, sem rumo nem prumo...

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Todos sabem, ou todos devem saber, que quando se consegue uma linha de ônibus, entre diversas cidades, é obrigado o horário nas localidades por onde percorre.
Mas, o ônibus que faz linha entre Poços de Caldas e Belo Horizonte, passando por outras cidades, inclusive Pouso Alegre, não se dá ao luxo de obedecer os chamados horários.
Sabemos que é facultado, em casos imprevistos, o atraso de conduções. Mas, o que está ocorrendo com o ônibus referido, é que ele costuma chegar às vezes, até uma hora adiantado, em todas as localidades, não dando a menor satisfação aos passageiros que os esperam nas horas marcadas.
E o povo que vá tratando de ser mais mineiro: chegando bem cedo nos pontos de embarque (em Pouso Alegre na magnífica “estação rodoviária” desta cidade), porque o imprevisto do ônibus que faz linha de Poços de Caldas a Belo Horizonte, é chegar quasi sempre, muito, mas muito adiantado.
Contudo, para normatização do fato, pedimos e esperamos a ação das autoridades controladoras do Serviço de Transito.
Extraído do “Informativo Pousoalegrense”, Setembro de 1957, p. 26-27
Escrito como no original

quarta-feira, 15 de agosto de 2012


Página da tesoura (Kiko)

Pouso Alegre costuma ser palco de cenas engraçadas. Ainda recentemente, para completar uma das novelas que aqui se faz, resolveram soltar, à noite dentro do Mercado Municipal, um CÃO enorme, que, além de ficar misturando com os gêneros, verduras e legumes dos mercadores, serve para passar susto nos transeuntes que por ali transitam, após às dezoito horas.

Agora está fechada a roda: cães ladrando nos quintais, cães soltos pelas ruas e dentro do Mercado Municipal, numa doida justificativa de que lá no prédio a Av. Duque de Caxias o animal ser e dês-serve ao povo, e nos outros locais “os amigos n. 1 dos homens” servem para praticar cenas imorais e infestar a cidade com presenças sempre ameaçadoras...

Enfim, como já resolveram apelidar tudo neste mundo, inclusive as próprias palavras; assim como a planta parasita é amiga das árvores, o cão sempre serviu-se do homem, para sua própria proteção, passou a ser apelidado de amigo do homem.

Resta agora, somente, que os poderes públicos cogitem, o mais depressa possível, de votar uma lei dando, consequentemente, apelido ao cão de “amigo do homem e sentinela do próprio municipal”...

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Ainda recentemente esteve na cidade um dos maiorais da política e, como sempre, colocou esta terra em estado pavoroso... com mais uma dezena de promessas mirabolantes.

O elemento da grande profissão, rendosa, prometeu mundos e fundos: reformar a cadeia publica, reformar o Fórum, que está pondo em perigo o que ali desenvolvem atividades, construir a ponte do Rio Intaim, etc. e tal!!!

O mais interessante é que para sugestionar ainda mais o povo, trouxe o político suntuoso em sua companhia, um engenheiro, para provar que iria atacar de fato as obras. Tanto o político como o engenheiro, apresentaram-se como pessoas amáveis, polidas... (Também pudera, para se fazer carreira, a condição é aquela mesma: Finura e... NADA MAIS)...

 E o povo que está acostumado a esperar, num eterno “a ver navios”... que vá deixando em perigo as suas vidas, por um possível desabamento do prédio do Fórum, que vá se acostumando a ver os nossos infelizes presos numa cadeia semelhante a uma pocilga, e para completar a história, que os moradores do Bairro do Itaim e alguém que por lá passar, que vá atravessando o rio nas pinguelas...

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E agora uma história alegre, divertida, digna de elogios.

Vamos a ela. Por ser muito engraçada, convém o leitor colocar óculos para ouvi-la com maior clareza. Trata-se do seguinte: os nossos bares, estão assim constituídos: chicaras desbeiçadas, paredes imundas, embriagados dizendo a três por quatro, palavras de baixo calão, cães (sempre os cães) dormindo nos seus interiores...

Ah! Faltava o eterno complemento: as chamadas creaturas “serrotes” sempre “enchendo” aqueles que procuram isolar-se em torno de uma mesa, a fim de tomar um refrigerante acompanhado, e logo vem os “serradores” beliscarem (descaradamente) tudo que se achar exposto na mesa.

Alegres e sorridentes, após “encherem” aqueles que às vezes nem tiveram tempo de aprender a bebida ou o comestível, lá se vão eles, de fininho, à La francesa, como beija-flores de rabo branco, fazendo agoiro em todas as mesas...
Informativo Pousoalegrense 1957
Escrito como no original

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Amadeu de Queiroz


O “Informativo Pousoalegrense” abre suas colunas, neste número, para homenagear um dos mais luminosos espíritos que afloraram nestas plagas- o literato Amadeu de Queiroz.
Em sua longa e grandiosa peregrinação pela terra, Amadeu de Queiroz foi um devotado as letras, devotamento que lhe garantiu um lugar na galeria dos grandes brasileiros. Mercê de sua cultura, de sua dignidade no cultivo das belas letras e de seu grande caráter, galgou elevados degraus no concerto dos homens cultos. Foi membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e pertenceu à Academia Paulista de Letras. Em ambas as instituições pauliceias, o “pobre mineiro de Pouso Alegre” era acatado como um luminar.
Ligado à nossa terra pelo nascimento e pela estima, Amadeu de Queiroz circundou de gloria o nome de Pouso Alegre, que lhe rende, por nosso intermédio, um preito reconhecimento imorredouro.
Dos maravilhosos traços de sua personalidade, desejamos sobrelevar sua dedicação e amizade aos moços, aos quais compete retribuir-lhe, seguindo suas pegadas. A mocidade

pousoalegrense, estudiosa e cheia de generosidade deve prestar à memória do imortal conterrâneo a mais agradável homenagem – imitar sua vida. Para conhecer alguns dos princípios que nortearam a existência de Amadeu de Queiroz, citemos suas próprias palavras, verdadeiro auto-retrato do famoso escritor: 
"Eu trabalhei sempre, honestamente, simplesmente, necessariamente, como as águas correm, e como chove e amanhece e faz calor ou frio. De mim ficou uma lição de trabalho, e um modelo de perseverança. Vivo, fui modelo para os jovens, agora sou um mandamento. Nada mais obstará que minha voz continue como a voz dos ventos e dos mares. Sou livre como os elementos, como os elementos, infatigável. Como eles sou eterno”.

Extraído do Informativo Pousoalegrense, Maio de 1957, p. 4-5
Escrito como no original

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Dados Estatísticos de Pouso Alegre

Gentilmente fornecidos pelo Snr. José Chagas Ladislau, competente chefe da agência de estatística desta cidade.
Situação Física- Demográfica

Superfície: 538 km²; Altitude: 817m; Latitude: 22.° 14’ 47; Longitude: WGr 45.° 56’ 15; Número do distrito: 1 (sede).
Distância: Dos municípios lemítrofes- De Congonhal 18km; de Borda da Mata 30; de Cachoeiras de Minas 30; de Estiva 36; de Silvianópolis 36; de Santa Rita do Sapucaí 29km. Distância em linha reta á Capital do Estado: 328 km.
População: Cidade- 15.000; Zona Rural- 9.000; Total: 24.000 habitantes.

Ferrovia: R.M.V ligação com Belo Horizonte- Rio de Janeiro- S. Paulo
Rodovias: “Fernão Dias” (federal), ligação São Paulo- Belo Horizonte; Rodovia “Juscelino Kubitschek”, ligação Itajubá a Poços de Caldas (estadual); Rodovia Pouso Alegre- Monte Sião (estadual) e rodovias municipais para os municípios visinhos e localidade deste municipio.
Telefones: Interurbano e Urbano, com 420 aparelhos.
Agência Postal: Subordinada a Diretoria Regional de Campanha.
Aeroporto: Campo de Aviação Militar “Cel. Horta Barbosa”- Propriedade da Diretoria da Aeronáutica Civil (DAC). Possue ligação aérea com B Horisonte- Caxambú- São Paulo, pela REAL-AEROVIAS NACIONAL.
Aero Clube de Pouso Alegre: com escola de pilotagem e 5 aviões de treinamento.
Radio Amadores: 4 estações- já tendo existido em Pouso Alegre 14 estações.

Extraído do Informativo Pousoalegrense, Fevereiro de 1957, p. 19
Escrito como no original

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Dados Estatísticos de Pouso Alegre

Gentilmente fornecidos pelo Snr. José Chagas Ladislau, competente chefe da agência de estatística desta cidade.

Situação Física- Demográfica
Superfície: 538 km²; Altitude: 817m; Latitude: 22.° 14’ 47; Longitude: WGr 45.° 56’ 15; Número do distrito: 1 (sede).
Distância: Dos municípios lemítrofes- De Congonhal 18km; de Borda da Mata 30; de Cachoeiras de Minas 30; de Estiva 36; de Silvianópolis 36; de Santa Rita do Sapucaí 29km. Distância em linha reta á Capital do Estado: 328 km.
População: Cidade- 15.000; Zona Rural- 9.000; Total: 24.000 habitantes.

Meios de Comunicação
Ferrovia: R.M.V ligação com Belo Horizonte- Rio de Janeiro- S. Paulo
Rodovias: “Fernão Dias” (federal), ligação São Paulo- Belo Horizonte; Rodovia “Juscelino Kubitschek”, ligação Itajubá a Poços de Caldas (estadual); Rodovia Pouso Alegre- Monte Sião (estadual) e rodovias municipais para os municípios visinhos e localidade deste municipio.
Telefones: Interurbano e Urbano, com 420 aparelhos.
Agência Postal: Subordinada a Diretoria Regional de Campanha.
Aeroporto: Campo de Aviação Militar “Cel. Horta Barbosa”- Propriedade da Diretoria da Aeronáutica Civil (DAC). Possue ligação aérea com B Horisonte- Caxambú- São Paulo, pela REAL-AEROVIAS NACIONAL.
Aero Clube de Pouso Alegre: com escola de pilotagem e 5 aviões de treinamento.
Radio Amadores: 4 estações- já tendo existido em Pouso Alegre 14 estações.

Extraído do Informativo Pousoalegrense, Fevereiro de 1957, p. 19
Escrito como no original

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Pouso Alegre

Comunicações: O transporte pelas ferrovias, rodovias, e aerovias, representa fator preponderante no desenvolvimento econômico do município de Pouso Alegre.
Ferrovia: A estrada de ferro Rede Mineira de Viação percorre o município, tendo três trens diários, um pela manhã, com destino ao Rio de Janeiro, um a tarde com destino a Itajubá e outro pela manhã com destino a São Paulo.  
Rodovias: A cidade é servida por 52 linhas de ônibus que servem diariamente as seguintes cidades: Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Paulo, Machado, Silvianópolis, Itajubá, Santa Rita do Sapucaí, Borda da Mata, Ouro Fino, Poços de Caldas, Congonhal, Estiva, Cambuí, Bragança Paulista, Atibaia em São Paulo, Caldas, Ipuiuna de Caldas, Bela Vista, Careaçú, São Gonçalo do Sapucaí, Varginha, Lavras, Oliveira, Camanducaia, Extrema, Renot, Olegário Maciel, Paraisópolis, Brasópolis, Cachoeira de Minas, Conceição dos Ouros, Poço Fundo, Heliodora, Natércia, Senador José Bento, etc. Vê-se quão importante são as comunicações através das rodovias, cuja atuação é importantíssima na grandeza econômica da terra pousoalegrense.
As rodovias estaduais e municipais, tem ampla penetração, percorrendo o município em todas as direções fazendo sua ligação rápida com as cidades circunvizinhas e os grandes centros do país, tais como Rio de Janeiro, Belo Horizonte e São Paulo.
São comunicações ligando as fazendas e situações, as rodovias ás estações ferroviária e aeroviárias, encurtando as distâncias entre os centros produtores e os mercados consumidores; aumentando ainda o trânsito com os automóveis particulares, ônibus, caminhões e jeeps, com acésso fácil a todas as zonas.
É portanto, uma extraordinária força de progresso a vasta rede rodoviária que se estende pelo município.
Aerovia: A Cia. De aviação Consórcio Real Aerovias mantém linhas em dias intercalados para Belo Horizonte e São Paulo, cooperando para a facilidade e rapidez das nossas comunicações com esses centros comerciais do país.
A NAB, mantém igualmente uma linha também em dias alternados para o Rio de Janeiro. Constitui evidentemente forte fator de progresso a imensa rede de comunicações que possui o município de Pouso Alegre, tornando-o de fácil acesso a todas as cidades circunvizinhas e aos grandes centros do país, com facilidade de escoamento de sua produção.
Agricultura: Pouso Alegre é essencialmente um município agrícola onde a exploração da terra é a maior riqueza. Vem desde as eras priscas o labor agrícola de nosso município.
Fruticultura- Encontramos em nossas produções o seguinte: bananas, jaboticaba, mamão, limão, abacate, laranja, lima, tangerina, caqui, manga, melancia, melão, maracujá, pêssego, etc. 
Horticultura- Esta é a principal fonte de riqueza, pois são inúmeras plantações de verduras, cujas hortas encantam pelo colorido de suas cores, embelezando os terrenos e quintais, numa verdadeira festa da natureza. As couves, nabos, nabiças, pimentas, xuxus, repolhos, alfaces, pimentões, pepinos, aipim, batata-doce, abóboras, gilós, cenouras, quiabos, couve-flor, brócolis, vagens, tomates, sendo grande a exportação de verduras, e o Mercado Municipal é a fonte de abastecimento do povo.
Floricultura: O clima do município é o ideal para as flores, onde vicejam em colorido e beleza. As rosas, dálias, palmas de Santa Rita, amor-perfeito, crisântemos, cravos, copo de leite, lírios, margaridas, goivos, boca de leão, etc. Não se pode desprezar o valor das plantas de ornamentação, tais como as begônias, avencas, samambaias, antúrios, imbés, etc.
Avicultura: São inúmeras as granjas com excelentes produção de ovos, galinhas e frangos, não só abastecendo o mercado municipal como servindo para exportação.
Pecuária: É igualmente fonte de riquesa a pecuária, sendo que a Cia. Vigor, mantém nesta cidade, magníficas instalações, preparando os produtos para remetê-los para São Paulo e Rio de Janeiro.
Iluminação Elétrica: A cidade de Pouso Alegre era servida por péssima iluminação elétrica e que piorava dia para dia, chegando ás vezes, a ficar completamente sem luz a cidade. Agora com a iluminação elétrica fornecida pela Cia. Sul Mineira de Eletricidade, a cidade pode a noite fiar mais tranquila porque sua luz é boa e a energia melhor. As ruas são magnificamente iluminadas, destacando-se a sóbria e bela iluminação da Avenida Doutor Lisboa, uma das avenidas de melhor iluminação do Sul de Minas.
O Mercado: As exigências do aumento quotidiano da população e do comércio, impunham a construção do mercado, o que efetivamente foi feito na administração do Prefeito Cel. Vieira de Carvalho, e desde a sua inauguração, é forçoso que se reconheça, vem prestando inestimáveis serviços a população. Nota-se nele intenso movimento da venda de peixe, pois Pouso Alegre, é uma cidade por excelência piscosa, tantos são os rios que cortam o município. O Mercado foi reformado e aumentado pelo prefeito Dr. Vasconcelos Costa.
Cinemas: A cidade possui apenas duas casas apropriadas para cinema, funcionando numa delas o Cine Eldorado, da Cia. Vale do Paraíba, que apresenta magníficos programas e possui tela panorâmica.
Matadouro Municipal: Tem o matadouro municipal todos os requisitos modernos, prestando reais serviços a população, com fiscalização regular e metódica, sendo todos os açougues, instalados com os rigores e exigências da saúde pública.
O Hospital: O Hospital regional “Samuel Libanio” é uma das casas de assistência social melhor montada em nossa cidade. Amplos pavilhões, bela e moderna sala de operações, tendo ainda um corpo clínico de justa nomeada no Sul de Minas. É dirigido pelo médico ex-prefeito Dr. Custódio Ribeiro de Miranda. 
O Comércio: O comércio é o ponto alto da cidade, já que possui a melhor rede comercial do Sul de Minas. Casas comerciais bem sortidas, com amplas vitrines, cômodos grandes e arejados, de todos os gêneros, desde o atacadista até o especializado. O aumento sensível da população vem encorajando cada vez mais o comércio que se coloca a altura do povo. São centenas de casas comerciais de todos os gêneros: restaurantes, hotéis, barbearias, relojoarias, bares, livrarias, quitandas, cafés, sapatarias, açougues, bazares, lojas de ferragens, de fazendas, confeitarias, armarinhos, mobiliárias, padarias, drogarias e farmácias, casas de eletricidade, frigoríficos, depósitos de madeiras, maquinas de beneficiar arroz, serrarias, carpintarias, marcenarias e muitas outras.
Serviços Públicos:
Correios e Telégrafos: A repartição dos correios e telégrafos acha-se instalada em belo prédio próprio com as instalações modernas, com uma plêiade de funcionários cumpridores de seus deveres, dirigidos pela habilidade administrativa do chefe Ademar Ribeiro Campos.
Delegacia: A cidade é sede da 59ª circunscrição policial, chefiada pelo Delegado Regional de Carreira Dr. Décio Guerzoni, tendo como auxiliar o Delegado Municipal Sr. Fernando de Oliveira Cortes e escrivão o Sr. Zulmário Silva.
Biblioteca Publica: Funciona anexa ao Clube Literário e Recreativo a biblioteca pública Cel. Campos do Amaral, com aproximadamente 8000 volumes, todos devidamente catalogados. Existindo ainda as bibliotecas particulares do Colégio São José, Escola Técnica de Comércio São José, Escola Normal e Instituto Santa Dorotéia e Arcádia de Pouso Alegre; existindo ainda cinco bibliotecas infantis nos cincos Grupos Escolares.

Cemitério: A cidade possue um único cemitério, em magnífica situação topográfica, amplo, arborizado e bem cuidado.

Fonte: Informativo Pousoalegrense (numero especial) Dezembro de 1957, p. 35-37
Escrito como no original

terça-feira, 31 de julho de 2012

Escola doméstica Santa Terezinha (Tuany Toledo)


É do nosso programa divulgar as boas obras e principalmente aquelas que direta ou indiretamente  concorrem para o progresso da cidade. Não temos negado apoio nem regatearemos aplausos a toda e qualquer instituição que vise a interesses superiores, notadamente no que diz respeito ao problema educacional.

Para os nosso comentários de hoje, escolhemos de preferência a Escola Doméstica santa Terezinha, porque, como se sabe, naquele educandário se pratica um apostolado de suma importância para os destinos do homem: a educação doméstica, no seu mais elevado sentido.

Não é preciso grande discernimento para se compreender que o progresso da ciência não nos deu até o presente a paz social que esperávamos. Quanto mais progridem as cidades, tanto mais se preocupam seus habitantes com os problemas que os afligem, na vida doméstica. As incertezas e as mais sérias preocupações dominam os homens, não só os de governo, mas, principalmente os que tem sobre si o espinhoso encargo de zelar pela família e pelo sitio onde o nosso pensamento se dirige frequentemente: o nosso lar, que é o lugar onde passamos a melhor parte de nossa vida. Os governos não resolvem os problemas sociais, financeiros e econômicos e a crise continua na sua marcha desoladora, produzindo maior intranquilidade no espírito e no coração daqueles que tem sobre si os encargos da família.

Diante do quadro que se nos apresenta, hoje, mais do que nunca, se faz mister a conjugação de esforços no sentido de preservar os postulados morais que plasmaram a nossa civilização, a fim de que seja mantido o prestigio da família, na comunidade brasileira.

A educação doméstica é fator preponderante nessa luta sem tréguas, que se inicia no lar. É no lar que surgem os primeiros ensinamentos, cuja influencia se manifesta durante toda a vida. É no lar que a mulher representa papel relevantíssimo, que como mãe, quer como esposa, quer como educadora social. É no lar que ela percorre a estrada gloriosa de sua alta missão como principal elemento da sociedade. É no lar que ela desempenha os seus mais altos, nobres e sagrados ideais humanos, preparando os filhos para as lutas e para os acometimentos e lances adversos da fortuna. É no lar que ela põe a prova a sua habilidade e a grandeza do seu coração materno, fazendo de sua casa, mesmo pobre, o lugar mais aprazível e mais encantador da terra, para si e para os seus. É no lar que a mulher exerce o apostolado eminentemente cristão, proporcionando com a bondade, com o trabalho e com o amor, a felicidade de uma família.

A magnimidade e a vastidão de um coração feminino bem formado pode proporcionar ao homem mais conforto e mais alegria do que todas as riquezas materiais da terra.

Quanto mais instruída e educada a mulher, tanto maior serão as possibilidades de seu êxito no governo da própria casa.

Estas considerações me vieram à mente para ressaltar o valor das obras realizadas pela Escola Doméstica Santa Terezinha, onde inúmeras jovens receberam e continuam a receber lições proveitosas e necessárias para que conheçam os labores de um lar bem organizado, a fim de que adquiram os predicados requeridos para uma boa dona de casa, não só habilitada para instruir, senão mais habilitada ainda para educar.

Fundado em 1929 pelo Exmo. Sr. Bispo Diocesano, Dom Octávio Chagas de Miranda, a Escola Doméstica Santa Terezinha atingiu a finalidade desejada. Grande são as suas obras e maiores ainda os frutos produzidos em beneficio das famílias. E não podia ser de outra forma, porque as lições ministradas pelas irmãs de Jesus tem raízes profundas: são inspiradas na bondade de Santa Terezinha, que é uma bondade feminina, feita de lírios e de rosas, uma bondade passiva e sentimental, iluminada pelas virtudes cristãs.

Extraído do “Informativo Pousoalegrense”, Julho de 1957, p. 3-4
Escrito como no original 

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Estação Rodoviária

A estação rodoviária è de fato uma necessidade para Pouso Alegre, mas, é preciso que a mesma seja localisada em local de livre acesso aos veículos e nunca no local programado que é a Praça Dr. Garcia Coutinho.
Este local, em hipótese alguma serve, principalmente por ser um plano inclinado de difícil construção e ainda existir a garganta do Hotel Cometa e a Catedral.
A construção neste local da estação rodoviária será um atentado à estética da cidade e ao conforto público.        
Em melhoramentos tais há que procurar-se local, por urbanista consagrado, e, na falta deste, o bom senso será ainda o melhor arquiteto.
Passemos uma vista de olhos pelos locais mais indicados e vamos encontrar como melhor a parte do Parque João da Silva (em completo abandono pelas autoridades municipais), servindo de local para atos atentatórios à moral e valhacouto de vagabundos; aí na parte fronteiriça do Carmelo, daria uma magnífica estação rodoviária e de fácil construção e de pequeno dispêndio, por se tratar de próprio municipal, apenas uma nesga de sete metros e ergue-se-ia maravilhosa estação rodoviária, com escoadouro natural para ônibus, através das ruas Tiradentes e Afonso Pena, e ainda com a grande vantagem  de não atravancar a cidade, como forçosamente acontecerá com a construção na Praça Projetada Dr. Coutinho.
Ainda poderia admitir-se a sua construção na Avenida Independência, na parte fronteiriça à Farmácia ali existente, desde que desapropriada a área necessária dos terrenos vagos ali existentes, e mudando-se a iluminação pública para os cabos aéreos a exemplo da Avenida Doutor Lisboa.
O que se fizer fora desses locais será um atentado ao conforto do povo e aos planos urbanísticos da cidade.

Extraído do “Informativo Pousoalegrense”, Outubro de 1957, p. 32-33
Escrito como no original

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Museu Municipal


Temos o prazer e conhecemos uma satisfação incomum quando nossas ideias são acolhidas, consideradas e executadas pelos que dirigem os destinos de Pouso alegre. Algumas das sugestões que já apresentamos nestas páginas, já tomaram corpo e consistência, fora, já das coisas sonhadas.
Aventuramos, hoje, a ideia que sendo uma real homenagem ao nome culto de que desfruta nossa cidade, é, também, algo de muito útil e instrutivo: A CRIAÇÃO DO MUSEU MUNICIPAL.
Perscrutamos a opinião de vários pousoalegrenses, e sempre nossa sugestão, quando exposta, recebeu a melhor das acolhidas. Temos certeza de que muitas doações, mais do que um otimista possa calcular, serão feitas. Coligir o material para o Museu não será tarefa difícil, como também sua instalação será um ponto morto a ser solucionado, isto porque o Parque infantil João da Silva tem salas completamente desocupadas, que poderão servir ao menos em caráter temporário, para a guarda e mostra de tudo aquilo que de interessante, raro, artístico e valioso, produziu o gênero e o trabalho dos vultos ilustres que nos precederam neste rincão de belezas, que é Pouso Alegre.
Elementos não faltarão para a criação do Museu que propomos. Prova viva do quanto é capaz o povo desta cidade, tivemos com a Semana de Cultura e Arte há pouco entre nós realizada, que alcançou um sucesso inesperado, contudo com o apoio exclusivo de pousoalegrenses.
A questão financeira não existe, para estorvar a criação do Museu: local excelente, o Parque Infantil João da Silva, praticamente em desuso; um funcionário, sem nenhum prejuízo poderá ser deslocado dos seus outros afazeres... Tudo somente espera a realização e o trabalho daqueles que tem sobre os ombros o ingente propósito de administrar a cidade de Pouso Alegre.

Extraido do “Informativo Pousoalegrense”, Outubro de 1957, p. 15

Escrito como no original

terça-feira, 24 de julho de 2012

Pouso Alegre

Área do município, 1354 K2- População total: 70.000 habitantes- Orçamento actual:  450:000$000- Disctrictos: Congonhal e Estiva- Produção agrícola: café, canna de assucar, arroz, milho, feijão, batata, mandioca e criação em grande escala de bovinos e suínos.
-Dita industrial: ladrilhos, calçados, arreios, cerâmica, beneficiamento de café e arroz, de vehiculos, de moveis, de colla chímica, de laticionios, de banha, de derivados da mandioca- 1 Grupo Escolar, funccionando em dois turnos, com cerca de mil (1000) alumnos- 16 escolas municipaes- Escola de Veterinária- Gymnasio São José, offcializado- Seminário Episcopal- Escola Profissional- Escola Normal Santa Dorothéa- Escola Doméstica Santa Therezinha- Hospital Regional Samuel Libanio- Santa Casa, annexa ao hospital- Orphanato Nossa Senhora de Lourdes- Obras Pias: Asylo São Bom Jesus e Conferência de São Vicente de Paulo- 2 Cine-theatros- 5 jornaes- Séde do Bispado e do 8° Regimento de Artilharia Montada- Bancos: Matriz do Bando de Pouso Alegre, filiaes dos bancos Santaritense e Banco Hypothecario e Agricola do Estado de Minas Geraes- Possue a cidade cerca de 2.000 prédios na sua maioria modernos e elegantes, destacando-se o Club Literário e Recreativo, o Pouso Alegre Hotel, Collegio das Dorothéas, Palacio do Bispo, Gymnasio, Seminario e Forum.
Pouso
Alegre é uma cidade de vida intensa e productiva. Influencia, talvez, da sua physionomia topographica, é realmente uma cidade álacre e feliz, onde tudo se nos apresenta promettedor desde a sua diligente e ordeira população aos negócios multiformes e vultuosos que nella se realizam.
Logo ao desembarque da velha estação da “Sul” por cuja reconstrucçao se empenha a actual Directoria tem o forasteiro uma impressão agradavelmente forte, que começa na soberba Dr. Lisboa, já ladeada de optimas edificações e vae terminar no hospitaleiro coração, não menos amplo, dos ditosos filhos de Pouso Alegre.
Encontra-se à frente da Municipalidade o distincto mineiro Antonio Corrêa Beraldo, primo do Deputado João Beraldo.
Homem de acção, o Prefeito divide equitativamente a funcção publica e a azáfama absorvente do dos seus innúmeros negócios.
Deve-lhe Pouso Alegre inestimáveis serviços, entre outros, o de ter recebido delle, custeada por sua algibeira particular, para gáudio de seu povo, a maravilha de arte- a única do interior do paíz- que é sem duvida a polychrômica fonte luminosa, deleitadora de quantos têm a felicidade de contemplal-a nas noite movimentadas e ruidosas dos domingos.
Dentro duma numerosa variante de jactos multicores, toma os mais curiosos aspectos, expoentes da mechanica e da eletricidade, divertindo, extasiando o órgão visual e compensando as forças physicas e Moraes dos que se entregam á “strugle for life” quotidiana.
A rumorosa cidade sul-mineira de terra prodigas e bem aproveitadas, dá-nos a impressão duma colmeia humana onde os indivíduos se confraternizam produzindo patrioticamente.
Além de grande produção agrícola e não menor producção que particulariza á pecuniária, avança notoriamente na jornada das industrias, como é fácil verificar dos dados acima.  

Extraido do Jornal “A Cidade” 18/08/1935, Capa
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segunda-feira, 23 de julho de 2012

Euterpe São Benedito


Dentre as tradições de uma cidade conta-se inevitavelmente com uma BANDA DE MUSICA, ainda que ela seja uma charanga. Esse barulho de latas velhas, por excelência, por vezes de alta significação, nunca faltou no patrimônio memorável das crônicas cidadinas. Salienta-se em cada história de uma cidade, quase sempre de mistura com os fatos mais notáveis dos acontecimentos políticos, a história de uma BANDA DE MUSICA, ligada a lembrança de um homem de ação, como e que se bate pelo reerguimento moral de uma causa combalida, no coração de sua terra querida, no seio da sociedade em que viva. Filantropicamente, nada mais complazivel do que a instituição de uma obra edificante.
Depois de um eclipse ligeiro, em matéria de BANDA DE MUSICA, surgiu em Pouso Alegre a “EUTERPE SÃO BENEDITO” pela energia construtora, e a liberdade filantrópica do Exmo. e Revmo. Vigário Geral Monsenhor Dr. Antonio Furtado de Mendonça, nos fins da Grande Guerra. Foi este preclaro concidadão, homem das letras, Poeta, Filosofo, mestre de muitos Doutores de hoje, que, nos deu, a nós Pousoalegrenses, a Banda de Musica “Euterpe de São Benedito”, sob a direção o saudoso maestro Paulo Patrício.
No transcorrer do tempo, outras organisações musicais apareceram medrosas, por aí, e desapareceram sem deixar o clarão extraordinário que a “Euterpe São Benedito” mantém em suas tradições.
Merece especial consideração o fato de nos diversos governos municipais balancear a receita desta organisação, musical sem que o fiel registrasse uma parada animadora. As subvenções anuais nas administrações passadas oscilaram de dois a um conto de reis. Mas essas reduções da subvenção municipal a “Euterpe São Benedito”, passaram como os ventos tempestuosos, e sucedeu-lhes a administração fecunda do Exmo. Sr. Tuani Toledo.
Este concidadão, já consagrado pelo mérito de tantas empreitadas felizes pelo seu devotado patriotismo a terra que o viu crescer, elevou a quota subvencional de um conto de réis em que estava para a de um conto e quinhentos mil reis, e cedendo a um pedido do atual Diretor da Banda Musical  “Euterpe São Benedito”, deu as chaves da casa da antiga Distribuidora de Força e Luz, onde se passaram a realisar os ensaios daquela Banda Musical, gratuitamente.
Por este feito digno de todos os aplausos, por que melhorou uma situação que vinha piorando de governo em governo, por que teve S. S. uma visão justa da utilidade que presta aquela organisaçao musical, por que obrou com desprendimento de espírito protegendo a quem merecia, não podemos deixar passar desapercebida esta digníssima pratica de virtude de um Chefe que sabe ver as conveniências em que há mancheias de razão. Louvemos-lhe a vitoria da consciência coordenada com as ordens do coração.
Fazem-se festas, soltam-se fogos, ouve-se musica. Gastos e gastos em beneficio de alguma coisa. Mas, chegada a hora de ajustar contas com a banda, essa coitada, é sacrificada. Regateiam-se-lhe por todas as formas os seus vencimentos.
Mas, tudo isso equivale a dizer que a “Euterpe São Benedito” se acha necessitada de uma reforma geral nos seus instrumentos. Nota-se se esta banda de musica ainda existe em Pouso Alegre, deve, em verdade, ao devotamente dos seus musicistas, que, na sua totalidade são operários laboriosos, e da musica não fazem profissão.
Devemos voltar as nossas vistas para a organisação musical “Euterpe São Benedito”, antes que balda de recursos, ela venha a desaparecer!   
Extraído do Jornal “A Cidade” 18/07/1937, p. 2
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