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sexta-feira, 4 de maio de 2012

Pouso Alegre, por Amadeu de Queiroz



Assim o escritor pouso-alegrense Amadeu de Queiroz (1873-1955) descreve a terra onde nasceu no final do século XIX:


“Entendia-se Pouso Alegre espalhada no dorso das três colinas que descem longamente do norte e morrem nas ribas tortuosas do Mandú. No tope da colina central, dominando a paisagem , ficava o cemitério com suas taipas caídas em muitos lances, carcomidas noutros, onde os túmulos enegrecidos se escondiam, sem epitáfios, no matagal das ervas bravas. (...).

Logo abaixo do cemitério, em chão escavado, erguia-se a capelinha do morro, com o seu cruzeiro de pau fincado num monte de pedras. (...); terreiro de alegria das crianças que corriam, saltavam e rabiscavam nas paredes da capela, onde os grandes também deixavam lápis, nomes, versos, queixumes, uma ou outra palavra torpe.Morro abaixo, estendiam-se sucessivamente a extravagante e tortuosa Rua do Morro, o Largo do mercado e o da Matriz, deserto de gente, arborizado de cinamomos e casuarinas, formando uma aléia ramalhuda, fechada ao fundo pela velha igreja de taipas. Lá se levantava o cruzeiro sombrio, fincado na terra, onde os penitentes da roça depositavam as pedras votivas que conduziam na cabeça, acompanhando procissões. Depois a Rua do Imperador, o Largo da Cadeia, e daí por diante, até à margem do rio, desalinhada e agreste – a Rua da Ponte.

À esquerda e á direita, corriam paralelas, outras duas apertadas ruas, com casas de um só lado, casas antigas, de paredes lisas e caiadas, enfrentando os muros irregulares do fundo dos quintais do Largo, cada um com o seu desengonçado portão. Como estas, as outras ruas e travessas aparentavam abandono: cobertas de capim e de mato, sulcadas de trilhos por onde se transitava, ou cortadas pelo rastro areento das enxurradas. (...)

Na direção do sul, dilatava-se o vargedo do Mandu, geralmente chamada Vargem, logradouro municipal, pastagem pública onde se apascentavam confundidas as vacas da comunidade. (...)

Mais que gente, andavam os animais pelas ruas e praças de Pouso Alegre. Mulas e cavalos querenciados subiam da Vargem para o povoado, onde se espalhavam pastando o verde das ruas e becos desabitados; cabras domésticas se ajuntavam no adro da igreja, à sombra estendida das paredes; galinhas e, às vezes, porcos revolviam o lixo das casas despejados pelos portões dos fundos. (...)

A paisagem campestre dos arredores, as aves, frutas, flores, ervas e a criação, nos mantinham em contato íntimo e permanente com a natureza, enlevados na plantação; por isso não nos passava pela mente vender as frutas, nem as ervas, nem as flores: tínhamos por costume a espontânea cortesia de mandá-las de presente aos nossos vizinhos, aos amigos e aos parentes. (...)

Praça de Pouso Alegre- Final do século XIX 
Acervo do Museu Histórico Municipal Tuany Toledo








Conheça o MHMTT


Texto publicado na Revista Memórias de Pouso Alegre, Museu Histórico Municipal Tuany Toledo, Pouso Alegre, 2010

O Museu Histórico Municipal Tuany Toledo- MHMTT é um espaço dedicado à preservação e difusão de um acervo rico para a história de Pouso Alegre e do Sul de Minas. A formação do Acervo teve início em 1965, quando Alexandre de Araújo, preocupado com a conservação da memória da cidade, realizou uma exposição de objetos na Casa Vitale. Com a colaboração de vários membros dos diversos segmentos da sociedade local, foi organizada uma mostra para comemorar o aniversário de 117 anos de Pouso Alegre.

Casa Vitale- Acervo do Museu Hitórico Municipal Tuany Toledo

Em 1984, através da Resolução 219-21.05.84, foi criada a “Galeria para Exposição de Fotos, Documentos e Antiguidades de Pouso Alegre”. Em 1985, a Resolução 245- 12.08.85 criou a “Galeria Tuany Toledo”. Finalmente, a Resolução 368-02.04.90, denominando “Museu Histórico Municipal Tuany Toledo”. 

 
Galeria Tuany Toledo, Década de 90 -  Acervo do
Museu Histórico Municipal Tuany Toledo 

Uma nova estrutura foi  cedida ao Museu no ano de 2000, na Rua Adalberto Ferraz, com um espaço amplo, podendo assim expor um número maior de objetos. Em 2007, foi incluído no Cadastro Nacional dos Museus, tendo seus dados disponíveis para consulta atravès do site www.museus.gov.br . Esse cadastramento no IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) visa a ampliar e fortalecer as ações direcionadas ao campo museológico brasileiro. Atualmente estácadastrado no IBRAN. 

 Museu Historico Municipal, 2000
Acervo do Museu Histórico Municipal Tuany Toledo

Em Janeiro de 2009, o Museu passa a ocupar um novo espaço anexo à Câmara Municipal, na Avenida São Francisco, 320, sendo aberto para visitas e pesquisadores de diversas áreas para a análise de problemáticas pertinentes a várias linhas de pesquisa a que o Museu se dedica: Cotidiano e Sociedade, Universo do Trabalho, História Política e outros. Conta ainda com um acervo de mais de 4 mil unidades, entre objetos, iconografia e documentação arquivística, dos séculos XIX e XX, eixo para a compreensão da sociedade do Sul de Minas, a partir do estudo dos aspectos materiais da cultura, com especial concentração na história de Pouso Alegre. 

Museu Historico Municipal, 2010
Acervo do Museu Histórico Municipal Tuany Toledo

quarta-feira, 2 de maio de 2012

10ª Semana dos Museus


O Museu Histórico Municipal Tuany Toledo estará oferecendo atividades na Semana dos Museus, como exposição de fotografias em seu hall e no salão principal. Haverá também palestra com professor mestre e doutor da USP e UNICAMP.

As escolas interessadas podem agendar visitas monitoradas pelo telefone: (35) 3429-65-11.
Contamos com a presença de todos!
De Segunda à Quinta Feira, das 12h às 18h
Sexta Feira, das 8h às 14h
  

terça-feira, 1 de maio de 2012

Jovens Urbanos- Novembro 2011



Jovens que participam do Programa Jovens Urbanos de Pouso Alegre fazendo atividades de exploração no Museu de Pouso Alegre, numa visita guiada com apresentação de vídeo e explicação sobre os objetos e fotos do museu, Projeto Passeio pela História, acompanhados por Mayke Ricelli, agente cultural do museu.

O GUARDIÃO DA HISTÓRIA POUSOALEGRENSE


A Câmara Municipal de Pouso Alegre prestou na última segunda-feira, dia 16 de abril de 2012, uma homenagem ao funcionário mais antigo da Casa, Alexandre de Araújo, que comemorou nesta terça-feira, dia 17 de abril de 2012 noventa anos de idade.

Além de mais antigo servidor da Câmara, Sr. Alexandre como é conhecido, é um dos mais respeitados e queridos cidadãos pousoalegrenses, por dedicar mais de 50 anos de sua vida a preservação da história de Pouso Alegre.

Sr Alexandre Araújo é um dos maiores historiadores do município e guardião da memória do seu povo.


A SUA HISTÓRIA

Tanto na vida profissional como na vida particular, Sr. Alexandre é um exemplo de homem e cidadão e tem em sua memória fatos que marcaram a história do Brasil e do Mundo.

Alexandre de Araújo é casado há 66 anos com Leonor, com a qual teve três filhos que geraram vários netos. Ele nasceu em Pouso Alegre, numa quinta-feira, no dia 17 de abril de 1922.

Quando tinha seus 8 ou 10 anos, Alexandre conta que tinha um carrinho, desses de duas rodas, de fazer compras, de sociedade como um amigo (Augusto Ribeiro), que tinha a mesma idade também. Chegava ao Mercado pela manhãs e oferecia as senhoras para carregar as compras até as residências. Em troca recebia de 500 réis, 600 réis.

Na década de 50, Alexandre começou a trabalhar no escritório do DNER, extinto orgão do governo federal, o escritório local do Departamento Nacional de Estradas e Rodagem foi criado para admnistrar as obras da Fernão Dias. Foi nesta mesma década que Alexandre acompanhou a instalação da estátua do Bandeirante Fernão Dias às margens da BR 381. Ela foi erguida em 1962 e foi apelidada de “bonecão” pelos operários, engenheiros e chefes do DNER. Em 1964, foi convidado por Argentino de Paula para trabalhar como secretário da Câmara. Enquanto exercia suas atividades como secretário, Araújo começou a sonhar com uma forma de preservar a história de Pouso Alegre.

Em 1965 realizou uma exposição na casa Vitale. Alguns amigos e conhecidos gostaram da ideia e emprestaram objetos para esse evento. Profeticamente Sr. Alexandre afirmou que esse seria o primeiro passo para a criação de um Museu. Em 1984 foi criada na Câmara Municipal a Galeria para Exposição de Documentos, fotos e Antiguidades de Pouso Alegre. Um ano depois o espaço passou a se chamar Galeria Tuany Toledo, uma homenagem ao político e ex-prefeito de Pouso Alegre. Em 1989 através da resolução 322 foi criado o cargo de Supervisor da Galeria e um ano depois, Sr. Alexandre, o criador da galeria, assume este cargo. No mesmo ano a Galeria, que antes funcionava no piso superior da antiga Câmara, passa para o andar térreo propiciando um melhor acesso para seus visitantes. No ano de 1990, o então presidente da Câmara Firmo da Motta Paes, assinou uma resolução elevando a Gelaria ao status de “Museu Histórico Municipal Tuany Toledo”. Graças ao esforço de Alexandre de Araújo a cidade ganhou uma instituição permanente, aberta ao público, sem fins lucrativos, voltada para abrigar a história da sociedade e seu desenvolvimento. O Museu recebe, conserva, disponibiliza para pesquisa, comunica e exibe o patrimônio gerado pela comunidade para fins de educação, estudo e diversão.

Alexandre de Araújo lançou dois livros, Homenagem aos Ex-Chefes do Executivo e Pouso Alegre através dos Tempos, ambos se tornaram referência de dados fundamentais para a compreensão da história da cidade. O espaço na antiga Câmara ficou pequeno para tantos objetos e documentos, por isso, em junho de 2000 acontece a inauguração das novas dependências do Museu no prédio Vitor Mariosa, na rua Adalberto Ferraz.

Em 2007 o Museu foi incluído no Cadastro Nacional dos Museus, tendo seus dados disponíveis para consulta através do site www.museus.gov.br. O cadastramento no IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) possiblitou ampliar e fortalecer as ações direcionadas ao campo museológico brasileiro.

Em 2009 o Museu foi transferido para o atual endereço, anexo ao prédio da Câmara, no bairro Primavera. Contando com 900m2 de área e novas salas o Museu passou a disponibilizar seus arquivos de documentos para pesquisadores. Alunos não só dos cursos de história, mas também de outras áreas de estudo passaram a ter acesso ao material cuidadosamente recolhido e arquivado pelo seu supervisor. Através do projeto “passeio pela história” aproximadamente 5000 alunos de escolas públicas e privadas e grupos de visitantes de outras instituições estiveram visitando o Museu para conhecer a história de Pouso Alegre. O Museu tem características singulares que fazem a diferença se comparados aos outros do país. Em primeiro lugar este é o único Museu de Minas, ou até mesmo do Brasil, gerado e mantido por uma Câmara de Vereadores. Segundo, pela quantidade de objetos, fotos e documentos que ele reúne, conseguidos através de doação e de coleta espontânea feitas pelo supervisor em arquivos abandonados, espólio familiar e até mesmo em lixos. O Museu conta atualmente com um acervo de mais de 4 mil unidades, entre objetos, iconografia e documentação arquivística, dos séculos XIX e XX, eixo para a compreensão da sociedade do sul de Minas, a partir do estudo de aspectos materiais da cultura, com especial concentração na História de Pouso Alegre. A peça mais antiga é um exemplar do jornal "O Pregoeiro Constitucional" do ano de 1830, jornal fundado pelo padre Senador José Bento. Os acervos têm sido disponibilizados para a análise de problemáticas pertinentes a várias linhas de pesquisa a que o Museu se dedica: Cotidiano e Sociedade; Universo do Trabalho; História Política e outros.

O Museu atual mostra que sonhos podem se tornar realidade, basta ter vontade, persistência e muita coragem como tem feito Alexandre de Araújo ao longo de sua vida.
*Agradecimentos a Suely Ferrer, assessora do Museu, por diponibilizar fotos e informações do Sr. Alexandre

Fonte: Jornal Diário    
Pouso Alegre, 17/04/2012