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segunda-feira, 7 de maio de 2012

Discursos impressos de um padre político: análise da breve trajetória d' O Pregoeiro Constitucional

Françoise Jean de Oliveira Souza

O presente texto realiza uma análise da trajetória do periódico O Pregoeiro Constitucional, publicado pelo deputado e padre José Bento Ferreira Leite de Mello, em Pouso Alegre, visando atingir dois objetivos bem claros. O primeiro deles é o de perceber como este padre político discutiu os importantes acontecimentos que precederam à abdicação de Dom Pedro I, tomando a imprensa como principal instrumento de vigilância das ações do poder executivo e como tribuna para defesa de projetos de caráter liberal moderado. O estudo das proposições federalistas e constitucionais apresentadas por José Bento, bem como da maneira como estas ganharam novos significados num curto período de tempo, leva-nos, por sua vez, ao nosso segundo e mais amplo objetivo que é o de compreender a presença e as implicações do fenômeno de reconfiguração e deslocamento semântico dos conceitos e vocabulários políticos ocorrido nas primeiras décadas do século XIX brasileiro.
Palavras-chave: Império do Brasil, imprensa, religião, vocabulário político, Estado / formas de governo


Pouso Alegre por Amadeu de Queiroz


“Vivíamos lá muito apartados, sozinhos olhando o mundo de longe, através de notícias atrasadas. Com a nossa crédula naturalidade, falávamos das setenta e duas léguas a que ficava Ouro Preto, distância que jamais se percorria naqueles tempos, mas se media de povoado em povoado, simples direção no rumo norte, por onde se poderia alcançar, ousando-o, a capital da Província. (...)

Viajava-se tradicionalmente a pé, a cavalo ou de liteira carregada por mulas, quando se tratava de conduzir velhos, crianças e doentes. Não possuíamos veículos de transporte a não ser o desconjuntado trole do negociante Batista; afora ele, o carro de bois, o carrinho de carneiros, a carroça do capitão Caetano Lopes, puxada por um cavalo, única e memorável carroça existente no vastíssimo município de Pouso Alegre! (...)

E a vila conservava imutável o seu ar de abandono e de solidão, apenas agitada aos domingos, quando os roceiros concorriam à missa e iam ao mercado, precisando vender os seus produtos para se abastecerem nas lojas e nas vendas. Aos domingos o burgo se ajuntava e se confundia, vivendo intensamente dentro do seu isolamento para, no dia seguinte, recair na monotonia da pacata existência sob um céu azul, e repousar confiante, debaixo das estrelas.

Fato nenhum da natureza perturbava a harmoniosa calma da paragem. Nenhuma agitação inquietava o sossego de Pouso Alegre, a não ser a contínua passagem das boiadas e porcadas, dos rebanhos de cabras e carneiros, das manadas de éguas e de mulas – a multidão pecuária que descia das ricas pastagens dos Campos de Caldas, de Alfenas, das serras do oeste, e transpondo a cidade, tomava o rumo para a Barreira do sul, no alto da Mantiqueira. (...)

Avenida do Imperador- Século XIX

domingo, 6 de maio de 2012

Marco do dia


07/05/1956: É fundado o Clube de Campo Pouso Alegre.
Avenida Doutor Lisboa- 1930

Marco do dia



















06/05/1811: Nesta memorável data o Padre José Bento Leite Ferreira de Melo toma posse da Matriz da nova Freguesia, começando a existência oficial de Pouso Alegre.





06/05/1948: É colocada a Pedra Fundamental da nova Catedral.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Pouso Alegre, por Amadeu de Queiroz



Assim o escritor pouso-alegrense Amadeu de Queiroz (1873-1955) descreve a terra onde nasceu no final do século XIX:


“Entendia-se Pouso Alegre espalhada no dorso das três colinas que descem longamente do norte e morrem nas ribas tortuosas do Mandú. No tope da colina central, dominando a paisagem , ficava o cemitério com suas taipas caídas em muitos lances, carcomidas noutros, onde os túmulos enegrecidos se escondiam, sem epitáfios, no matagal das ervas bravas. (...).

Logo abaixo do cemitério, em chão escavado, erguia-se a capelinha do morro, com o seu cruzeiro de pau fincado num monte de pedras. (...); terreiro de alegria das crianças que corriam, saltavam e rabiscavam nas paredes da capela, onde os grandes também deixavam lápis, nomes, versos, queixumes, uma ou outra palavra torpe.Morro abaixo, estendiam-se sucessivamente a extravagante e tortuosa Rua do Morro, o Largo do mercado e o da Matriz, deserto de gente, arborizado de cinamomos e casuarinas, formando uma aléia ramalhuda, fechada ao fundo pela velha igreja de taipas. Lá se levantava o cruzeiro sombrio, fincado na terra, onde os penitentes da roça depositavam as pedras votivas que conduziam na cabeça, acompanhando procissões. Depois a Rua do Imperador, o Largo da Cadeia, e daí por diante, até à margem do rio, desalinhada e agreste – a Rua da Ponte.

À esquerda e á direita, corriam paralelas, outras duas apertadas ruas, com casas de um só lado, casas antigas, de paredes lisas e caiadas, enfrentando os muros irregulares do fundo dos quintais do Largo, cada um com o seu desengonçado portão. Como estas, as outras ruas e travessas aparentavam abandono: cobertas de capim e de mato, sulcadas de trilhos por onde se transitava, ou cortadas pelo rastro areento das enxurradas. (...)

Na direção do sul, dilatava-se o vargedo do Mandu, geralmente chamada Vargem, logradouro municipal, pastagem pública onde se apascentavam confundidas as vacas da comunidade. (...)

Mais que gente, andavam os animais pelas ruas e praças de Pouso Alegre. Mulas e cavalos querenciados subiam da Vargem para o povoado, onde se espalhavam pastando o verde das ruas e becos desabitados; cabras domésticas se ajuntavam no adro da igreja, à sombra estendida das paredes; galinhas e, às vezes, porcos revolviam o lixo das casas despejados pelos portões dos fundos. (...)

A paisagem campestre dos arredores, as aves, frutas, flores, ervas e a criação, nos mantinham em contato íntimo e permanente com a natureza, enlevados na plantação; por isso não nos passava pela mente vender as frutas, nem as ervas, nem as flores: tínhamos por costume a espontânea cortesia de mandá-las de presente aos nossos vizinhos, aos amigos e aos parentes. (...)

Praça de Pouso Alegre- Final do século XIX 
Acervo do Museu Histórico Municipal Tuany Toledo








Conheça o MHMTT


Texto publicado na Revista Memórias de Pouso Alegre, Museu Histórico Municipal Tuany Toledo, Pouso Alegre, 2010

O Museu Histórico Municipal Tuany Toledo- MHMTT é um espaço dedicado à preservação e difusão de um acervo rico para a história de Pouso Alegre e do Sul de Minas. A formação do Acervo teve início em 1965, quando Alexandre de Araújo, preocupado com a conservação da memória da cidade, realizou uma exposição de objetos na Casa Vitale. Com a colaboração de vários membros dos diversos segmentos da sociedade local, foi organizada uma mostra para comemorar o aniversário de 117 anos de Pouso Alegre.

Casa Vitale- Acervo do Museu Hitórico Municipal Tuany Toledo

Em 1984, através da Resolução 219-21.05.84, foi criada a “Galeria para Exposição de Fotos, Documentos e Antiguidades de Pouso Alegre”. Em 1985, a Resolução 245- 12.08.85 criou a “Galeria Tuany Toledo”. Finalmente, a Resolução 368-02.04.90, denominando “Museu Histórico Municipal Tuany Toledo”. 

 
Galeria Tuany Toledo, Década de 90 -  Acervo do
Museu Histórico Municipal Tuany Toledo 

Uma nova estrutura foi  cedida ao Museu no ano de 2000, na Rua Adalberto Ferraz, com um espaço amplo, podendo assim expor um número maior de objetos. Em 2007, foi incluído no Cadastro Nacional dos Museus, tendo seus dados disponíveis para consulta atravès do site www.museus.gov.br . Esse cadastramento no IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) visa a ampliar e fortalecer as ações direcionadas ao campo museológico brasileiro. Atualmente estácadastrado no IBRAN. 

 Museu Historico Municipal, 2000
Acervo do Museu Histórico Municipal Tuany Toledo

Em Janeiro de 2009, o Museu passa a ocupar um novo espaço anexo à Câmara Municipal, na Avenida São Francisco, 320, sendo aberto para visitas e pesquisadores de diversas áreas para a análise de problemáticas pertinentes a várias linhas de pesquisa a que o Museu se dedica: Cotidiano e Sociedade, Universo do Trabalho, História Política e outros. Conta ainda com um acervo de mais de 4 mil unidades, entre objetos, iconografia e documentação arquivística, dos séculos XIX e XX, eixo para a compreensão da sociedade do Sul de Minas, a partir do estudo dos aspectos materiais da cultura, com especial concentração na história de Pouso Alegre. 

Museu Historico Municipal, 2010
Acervo do Museu Histórico Municipal Tuany Toledo