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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Ao meu Brasil


Ao meu Brasil

Alma do coração- a sympathia,

E que o poeta adora e todo o humano,

Essa alma que a correr de anno em anno,

Bate às portas do heróe do novo dia.

É essa a estrella áurea que allumia,

O nobre coração de um soberano,

A quem o povo se ergue todo ufano,

Aclamando-o em delyrio todo dia.

Engrandecei na lucta, o heróe potente,

Que com sábia doutrina e eloquente,

Vos espalha pregando á humanidade.

E co’ esse peito amigo e poderoso,

Prégae ao meu Brasil tão magestoso,

Os sagrados princípios da verdade.

(João Beraldo, Fevereiro-1909)

*Extraído do jornal “A Cidade de Pouso alegre”, 07 de fevereiro de 1909.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Muitas Histórias


Parte Histórica- Pouso Alegre
Freguezia da Cidade (p. 105-108)

A tudo que dissemos em abono de Pouso Alegre, resta-nos acrescentar a excellencia do seu clima.
Baseando em dados officiaes, fornecidos pela Comissão Geographica de Limites, que aqui teve a sua sede perto de quatro annos, podemos asseverar que o clima de Pouso Alegre é um dos melhores do Sul de Minas.
Póde parecer á primeira vista, que durante a epocha das chuvas as enchentes dos rios a que acima nos referimos venham em desabono do clima da localidade; entretanto a observação tem mostrado que estas enchentes, que em outros logares sujeitos á mesma contingencia são causa de muitos males por occasião da vasante, aqui não tem produzido influencia sensível no estado sanitário.
As febres de mau caracter são aqui raríssimas.
Também não consta que a cidade em tempo algum fosse flagellada por qualquer epidemia.
A cidade, devido a sua topographia, é perfeitamente ventilada; nos dias de maior calor durante o verão há sempre uma viração agradável, renovando constantemente o ar.
Nessa epocha do anno, tanto as noites como as manhãs são muito frescas e agradáveis.
No inverno alguns defluxos e ligeiras bronchites vem perturbar o estado sanitário, atacando de preferência as crianças.
Segundo as observações da Comissão de Limites, o centro da cidade est
á a 825 metros acima do nível do mar, o ponto mais baixo a 310, e o mais alto a 887 metros.
As médias da temperatura durante os 12 mezes de 1896, com o thermometro á sombra, são as seguintes:
Janeiro: 23,5°; Fevereiro: 23,4°; Março: 22,9°; Abril: 20,4°; Maio: 16,3°; Junho: 16,3°; Julho: 14,1°; Agosto: 17,3°; Setembro: 20,0°; Outubro: 21,0°; Novembro: 22,0°; Dezembro: 25,0°.
A maxima temperatura observada foi de 28,5°, ás 3 horas e 10 minutos da tarde do dia 22 de Dezembro; e a minima de 8,5° ás 10 horas da manhã do dia 21 de Julho.
A média pressão barometra foi de 695m, 6m. 
Pouso Alegre- 1863 (Postal)
Acervo do MHMTT

-FIM-

Fonte: OLIVEIRA, A. M. Almanack do Município de Pouso Alegre. Rio de Janeiro: Casa Mont’Alverne, 1900.
*Escrito como no original.

Muitas Histórias


Parte Histórica- Pouso Alegre
Freguezia da Cidade (p. 104-105)

Não podemos calar os nomes de alguns cidadãos que, como José Bento, muito fizeram em pról da prosperidade de Pouso Alegre, são elles:
O cônego João Dias de Quadros Aranha, alma grande, caracter austero, coração magnânimo, onde só tinham guarida os sentimentos nobres e generosos.
Foram taes os actos de virtude e patriotismo que praticou durante a sua longa existência, que mereceu de seus concidadãos a mais elevada estima, as quaes viram no venerável sacerdote o typo sublimado do verdadeiro apostolo de Christo.
Desempenhou com intelligencia e critério diversos, inclusive o de deputado á assembléa geral.
O coronel Julião Florencio Meyer, honrado commerciante, muito bons serviços prestou á cidade e á causa publica no desempenho dos diversos cargos de que revestiu a confiança do governo e o voto popular. Sua pátria, a Bélgica, teve nelle um filho que soube honrar a terra que lhe foi berço, e que na pátria adoptiva, que amou com o fervor de um bom patriota, deixou um nome honrado ligado á importante família que aqui constituiu.
Dia a dia, Pouso Alegre conquistando mais um nome para os fastos de sua historia:- ainda ha bem pouco tempo daqui sahiu para occupar o fastígio do poder estadoal, o eminente mineiro e distincto clinico nesta cidade Dr. Francisco Silviano de Almeida Brandão, cujos serviços e influencia política são sobejamente conhecidos por todos.
Padre José Dias de Quadros Aranha
Acervo do MHMTT

Fonte: OLIVEIRA, A. M. Almanack do Município de Pouso Alegre. Rio de Janeiro: Casa Mont’Alverne, 1900.
*Escrito como no original.

Muitas Histórias


Parte Histórica- Pouso Alegre

Freguezia da Cidade (p. 101-104)

Quer na imprensa, quer na tribuna, o padre José Bento tornou-se celebre; todas as vezes que se fazia ouvir da tribuna parlamentar, o auditório, suggestionado, applaudia o com enthusiasmo.
A este benemérito da pátria, a este brazileiro distincto, teve Pouso Alegre grande parte de sua prosperidade.
Mas a sorte avara quis afinal que este grande homem, viesse a ter um trágico fim, que cobriu de luto Pouso Alegre, e encheu de consternação a sua população!
Das Ephemerides mineiras, na data de 8 de Fevereiro de 1844, extrahimos o seguinte:
“Na tarde deste dia, e quando regressava á sua fazenda- cerca de dois kilometros da cidade, então Villa de Pouso Alegre- morre assassinado o senador Padre José Bento Leite Ferreira de Mello, nascido a 6 de janeiro de 1785 na villa que é hoje a cidade da Campanha.
O bárbaro attentado, a principio attribuido a inimigos políticos, foi na verdade determinado por questões suscitadas sobre propriedades de terras entre o senador José Bento e antigos protegidos seus, auctores do crime, um dos quaes era afilhado da victima.
Ferreira de Mello era filho do sargento-mór José Joaquim Leite Ferreira do Mello e de D. Escholastica Bernardina de Mello. Fez seus estudos em S. Paulo, residindo com o bispo Dom Matheus, e alli recebendo ordens sacras.
Creada a Freguezia de Pouso Alegre (1810), a cuja sede fez consideráveis serviços uteis ao embellezamento da povoação, tirou em concurso a respectiva vigararia collada, recebendo pouco depois também a nomeação de vigário da vara da comarca e mais tarde de cônego honorário da Sé de São Paulo, e o habito e commenda da Ordem de Christo.
Desde os prodromos do movimento nacional para a Independência, revelou suas idéas liberaes adiantadas,   trabalhando activamente para seu triumpho, o que lhe foi abrindo as portas das posições políticas. Foi eleito a 21 de Setembro de 1821 membro da primeira Junta do governo provisório em Minas e depois deputado á Assembléa Geral  nas três primeiras legislaturas e senador do Império, escolhido a 8 de Agosto de 1834 e tomando assento a 13 do mesmo mês na camara vitalícia. No anno precedente, e pela manhã de 23 de Março, tendo sido na véspera á noite deposto em Ouro Preto o governo legal por uma sedição militar, o vice-presidente da província e o padre José Bento, membro do Conselho do Governo, foram presos e levados para fóra da cidade por uma escolta de revoltosos, sendo soltos em Queluz pelo povo da localidade, onde aquella sedição não tivera echo.
Anteriormente (7 de Setembro de 1830), fundara o senador José Bento uma typographia em Pouso Alegre, então simples arraial, ahi publicando o Pregoeiro Constitucional, primeiro periódico que appareceu no Sul de Minas, e depois o Recompilador Mineiro, em ambos defendendo com energia e dedicação os princípios liberaes.
Sua attitude na revolução parlamentar da maioridade foi de mais salientes. Sendo um dos seis signatários do projecto para aquelle fim apresentado a 13 de Maio de 1840, foi elle quem, a 22 de Julho do mesmo anno, com vehemencia de suas enérgicas convicções, fallou ao povo de uma das janellas do senado, concitando-o para a victoria da medida anti- constitucional que seu patriotismo considerava no entanto salvadora da nação.
No movimento revolucionário de 1842, em Minas, sua co- participação foi menos efficaz e ostensiva. Não obstante, em nada diminuía a grande influencia que exercia no grêmio de seu partido e o prestigio que o cercava como chefe liberal dos mais considerados e influentes.
Homem de vontade forte, intelligente, activismo, partidista extremado, não fugiu á responsabilidade de sua posição, leal e franca em quaesquer circumstancias. Si possuisse instrucçao menos limitada, desenvolvendo proporcionalmente suas incontestáveis aptidões administrativas e parlamentares, ter-se hia engrandecido muito no sacrário político do seu tempo. Ainda assim, o nome senador José Bento Leite Ferreira de Mello figura de modo notavel nos anaes brazileiros, especialmente no decado que se conta de 1834 até o dia do seu trágico passamento.

Senador José Bento
Acervo do MHMTT


Fonte: OLIVEIRA, A. M. Almanack do Município de Pouso Alegre. Rio de Janeiro: Casa Mont’Alverne, 1900.
*Escrito como no original.

Imagens da cidade

Encerramento das obras de pavimentaçao da Praça Senador José Bento- 1938
Acervo do MHMTT
Inicio do calçamento da Praça Senador José Bento- 1938
Acervo do MHMTT
Avenida do Imperador- Inicio do século
Acervo do MHMTT
Praça Senador José Bento- 1938
Acervo do MHMTT
Escola Profissional- 1930
Acervo do MHMTT

Marco do dia

30/05/1901: Aquisição de um estandarte da Câmara Municipal de Pouso Alegre (Brasão) em firma especializada do Rio de Janeiro, pelo valor de Rs 900$000 (novescentos mil réis).

Estandarte da Camara Municipal
Original- Acervo do MHMTT


30/05/1970: Inauguração das casas do BNH no bairro da Santa Dorotéia, com 50 unidades.

Muitas Histórias


Parte Histórica- Pouso Alegre

Freguezia da Cidade (p. 98-101)

Na imprensa, Pouso Alegre tem se salientado sempre, e cabe lhe a gloria de ter sido no sul de Minas o primeiro logar que teve imprensa.
Os periódicos de Pouso Alegre, na ordem chronologica da sua publicação, são os seguintes:
Pregoeiro Constitucional: fundado pelo padre José Bento Leite Ferreira de Mello, que publicou seu primeiro número em 19 de junho de 1830, vinte annos depois da creação da freguezia de Pouso Alegre, na capella do Senhor Bom Jesus de Mandú.
Este jornal existiu, pouco mais ou menos, até fim de 1831, epocha em que o mesmo Padre José Bento fundou a sociedade- Defensora da liberdade e independência nacional.
O Pregoeiro Constitucional
Original: Acervo do MHMTT
Recompilador Mineiro: impresso na mesma typographia, e fundado também pelo Padre José Bento.
Seu primeiro numero appareceu no dia 2 de fevereiro de 1833. Publicava-se duas vezes por semana, sob a direcção de Modesto Antonio Mayer. Não sabemos qual tenha sido sua direcção; um dos números mais recentes, diz um historiador, traz a data de 19 de Agosto de 1837.
Foi nessa typographia, a primeira estabelecida no sul de Minas, quê se fez a primeira impressão da Constituição do Império, ainda hoje conhecida por Constituição de Pouso Alegre.
O desapparecimento do Recompilador Mineiro assignalou a primeira phase do jornalismo local; só 36 annos depois apareceu o Mineiro.
O Recompilador Mineiro
Original: Acervo do MHMTT

A 9 de Novembro de 1833, appareceu o primeiro numero do Mineiro, que se publicou até 1879, ficando a typographia em abandono até 1877.
Esta typographia foi passando de proprietário, e publicou sucessivamente até 1866, os seguintes jornaes:
Progresso Mineiro, sahiu á publicidade no dia 28 de Outubro de 1877.
Echo Juvenil, folha quinzenal, seu primeiro numero publicou-se em princípios de Maio de 1878.
Dez de Dezembro, semanário, foi publicado a 2 de Dezembro de 1879, e suspendeu a sua publicação a 4 de Julho de 1880, depois de 8 mezes de existência.
Pouso Alegrense, com um anno de existência a contar do dia 24 de setembro de 1871.
Livro do Povo, publicado durante 2 annos.
Valle Sapuchay, que appareceu em 11 de outubro de 1885, e 5 mezes depois a sua typographia foi violentamente destruída na noite de 1 para 2 de Março de 1886, vindo a ter um trágico fim a velha, a histórica typographia do Mineiro!
Jornal de Pouso Alegre, começou a sua publicação a 16 de fevereiro de 1885, na typographia que para aqui trouxe o Dr. Francisco Manoel R. de Almeida, que após o desapparecimento do Livro do Povo transferiu a sua residência de S. José do Paraiso para esta cidade.
Corisco, que surgiu dos destroços da typographia do Mineiro, appareceu a 18 de Abril de 1886; não sabemos sua duração.
Phenis, que teve a mesma origem que o corisco, appareceu a 11 de Novembro de 1887; infelizmente só publicou o seu primeiro e ultimo numero.
Pyrilampo, de 1 de Novembro de 1880 a 28 de Fevereiro de 1890.
Noticiador, de 1 de Janeiro a 30 de Julho de 1892.
Patria, seu primeiro número traz a data de 10 de Janeiro de 1897; é o jornal que actualmente se mantem.
Foi fundado pelo vigário José Paulino de Andrada, que advogando a causa da religião, fez por meio deste órgão a propaganda da creação do Bispado Sul-Mineiro.
Falta-nos o tempo para fazermos uma apreciação do programma de cada um destes jornaes; sabemos que alguns tiveram grandes aspirações e vastos programmas, mas que pouco realisaram em face de sua ephemera existência.
O penúltimo dos jornaes, o Noticiador, fundado por Zoroastro Ferraz da Luz, e redigido pelo, então, acadêmico Antão Marques de Oliveira, foi um valente campeão em pról da unidade de Minas, combatendo a idéa separatista por occasião da revolução da Campanha.
Mas entre todos estes jornaes, salientam-se o Pregoeiro Constitucional e o Recompilador Mineiro, sendo o primeiro o mais importante de todos, não só porque com elle se iniciou a imprensa local, como ainda por ter apparecido em uma epocha de agitação de luta, nesse anno em que se fundava o Imperio.

Nesse jornal o Padre José Bento (mais tarde eleito senador) mostrou-se sempre acérrimo defensor dos principios liberaes. Cada artigo que redigia ia ferir o alvo.

Fonte: OLIVEIRA, A. M. Almanack do Município de Pouso Alegre. Rio de Janeiro: Casa Mont’Alverne, 1900.
*Escrito como no original.