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| Rua Adolfo Olinto, Orfanato, Capela- Década de 30 Acervo do MHMTT |
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sábado, 2 de junho de 2012
Marco do dia
03/06/1920: É inaugurado o orfanato Nossa Senhora de Lourdes e nova
capela anexa ao Hospital São Vicente de Paulo (Rua Adolfo Olinto)
quinta-feira, 31 de maio de 2012
Imagens da cidade
Imagens da cidade
O Batuira
Há muitos anos, desde que Pouso Alegre começou a ser gente, já na época
em que os primeiros fiosinhos de barba lhe apontavam ao rosto, o primeiro salão
de barbeiro que existia por estas paragens era o do Benedito, a quem, não sei por
que cargas d’água, chamavam de Batuira.
Nunca hei de me esquecer dos cortes de cabelo que ele me fazia, quando
ainda creança. O Batuira, com toda certeza, fez parte de alguma dessas
intemeratas “bandeiras” que abriram caminho para a civilização, por que tinha a
mania da fazer numerosos “caminhos” na cabeça de seus freguezes. Não me lembro
se aquele sistema de corte era moda naqueles tempos ou se me ficava bem. Posso
afirmar, somente, que o Batuira era o barbeiro de minha predileção.
Como todo Fígaro que se preza, o Benedito era de uma loquacidade de
espantar. Conhecia os fatos mais recentes. Discutia tudo. Política, religião,
bebidas e comidas. Sabia de tudo.
O seu salãosinho de 4ª classe, defronte á Estação, era o ponto de
palestra (se a brigas, discussões, palavrórios desses que põem carmim na face
das estatuas, se pode chamar “palestra”) de todos os desocupados da cidade. Não
havia distinção de cor, nem de nacionalidade, nem de caráter, entre os
frequentadores do Salão do Batuira. Reuniam-se, ali, as mais disparatadas
individualidades. Desde o carroceiro boçal, até o bêbado brigão, acavalados nos
bancos de madeira.
O Batuira, alem de exímio cortador de cabelos e dono de vários outros
pergaminhos, era tido como maior conhecedor do bom famo e da boa “caninha”.
Quantas vezes, aparando-me os meus cabelos, empunhando sua navalha “banguela”
(a única do salão), discutindo sobre as qualidades daquelas especialidades nacionais,
não me fez suar frio de medo.
Certa vez, como me lembro!, um vendedor de fumo, acompanhado do
pretendente á sua aquisição, procurou o Batuira para que opinasse sobre as boas
qualidades daquele legitimo “Poço Fundo”.
O Batuira, como um perfeito técnico no assunto, cheirou o fumo diversas
vezes, olhou para cima, alisou a palha, passou-a nos lábios, cuspio de lado,
picou regular quantidade e fez o cigarro. Acendeu-o e pôs-se a fuma-lo. O
vendedor alegrou-se pensando haver descoberto o motivo daquele sorriso.
-Por enquanto, o fuminho não deu gasto. Vou fumar mais um bocado, até a
metade, por que o fuminho bom só se revela na metade do cigarro.
O salão, nesse dia, domingo, estava com excesso de lotação. Todos
concentravam sua atenção no barbeiro, que continuava a fumar, enquanto o
paciente freguês, sentado, rosto lambusado de sabão, espereva, resignadamente,
o fim da experiência.
Chegado á metade do cigarro, o Batuira tirou-o da boca, pigarreou, e
emitio sua abalisada opinião.
-É.... É... O fuminho não é ruim. Até que não. Só tem “um defeitinho”:-
é fraco, catinguento e ruim de gosto...
Não é preciso acrescentar que o negocio morreu na metade do cigarro do
Batuira...
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Hoje, o meu barbeiro predileto, vive por aí, com toda a curva dos anos
no corpo, tremulo, implorando nos negócios a esmola de um pedacinho de fumo, não
se incomodando com a qualidade.
Pobre, doente, está atacado de “delirium tremens”.
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Eu tenho para mim, que o bom Batuira, com suas mãos excessivamente
tremulas, parece querer cortar os cabelos ao vento, recordando-se daquele
passado tão bom do seu salãosinho de 4ª, que o tempo lh’o tirou e não quer
devolver mais.
*Extraído
do Jornal “O Pouso Alegre”, 12 de Fevereiro de 1934, J. Fernandes Filho.
“Histórias que não veem na história…”
Ligeiras crônicas, sobre alguns dos nossos mais interessantes tipos
populares, que a história olvidou, mas que vivem, personagens e fatos, na memória
e nos lábios daqueles que os conheceram.
As histórias heroicas, escritas a sangue, perduram enquanto a tinta
estiver fresca... Têm a duração dos fogos de artifício.
As pequenas histórias que se seguem não tem o cenário lúgubre dos campos
de batalha, nem a magnificência dos gabinetes. Processam-se no cenário humilde
da vida, na realidade crua das ruas.
Nunca foram pintadas a óleo. Mas, estão impressas na rotina dos que
olham a vida em todos os seus prismas.
Não fazem chorar, nem meditar. Fazem sorrir, somente. O sorriso está
mais perto dos lábios, que a lagrima dos olhos.
Leva menos tempo para o sorriso aflorar aos lábios, que a lágrima aos
olhos.
*Extraído
do Jornal “O Pouso Alegre”, 12 de Fevereiro de 1934.
Ao meu Brasil
Ao
meu Brasil
Alma do coração- a sympathia,
E que o poeta adora e todo o humano,
Essa alma que a correr de anno em anno,
Bate às portas do heróe do novo dia.
É essa a estrella áurea que allumia,
O nobre coração de um soberano,
A quem o povo se ergue todo ufano,
Aclamando-o em delyrio todo dia.
Engrandecei na lucta, o heróe potente,
Que com sábia doutrina e eloquente,
Vos espalha pregando á humanidade.
E co’ esse peito amigo e poderoso,
Prégae ao meu Brasil tão magestoso,
Os sagrados princípios da verdade.
(João Beraldo, Fevereiro-1909)
*Extraído do jornal “A Cidade de Pouso alegre”, 07 de
fevereiro de 1909.
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Muitas Histórias
Parte Histórica- Pouso Alegre
Freguezia da Cidade (p. 105-108)
A tudo que dissemos em abono de Pouso Alegre,
resta-nos acrescentar a excellencia do seu clima.
Baseando em dados officiaes, fornecidos pela
Comissão Geographica de Limites, que aqui teve a sua sede perto de quatro
annos, podemos asseverar que o clima de Pouso Alegre é um dos melhores do Sul
de Minas.
Póde parecer á primeira vista, que durante a
epocha das chuvas as enchentes dos rios a que acima nos referimos venham em
desabono do clima da localidade; entretanto a observação tem mostrado que estas
enchentes, que em outros logares sujeitos á mesma contingencia são causa de
muitos males por occasião da vasante, aqui não tem produzido influencia
sensível no estado sanitário.
As febres de mau caracter são aqui
raríssimas.
Também não consta que a cidade em tempo algum
fosse flagellada por qualquer epidemia.
A cidade, devido a sua topographia, é
perfeitamente ventilada; nos dias de maior calor durante o verão há sempre uma
viração agradável, renovando constantemente o ar.
Nessa epocha do anno, tanto as noites como as
manhãs são muito frescas e agradáveis.
No inverno alguns defluxos e ligeiras bronchites
vem perturbar o estado sanitário, atacando de preferência as crianças.
Segundo as observações da Comissão de
Limites, o centro da cidade est
á a 825 metros acima do nível do mar, o ponto mais baixo a 310, e o mais alto a 887 metros.
á a 825 metros acima do nível do mar, o ponto mais baixo a 310, e o mais alto a 887 metros.
As médias da temperatura durante os 12 mezes
de 1896, com o thermometro á sombra, são as seguintes:
Janeiro: 23,5°; Fevereiro: 23,4°; Março:
22,9°; Abril: 20,4°; Maio: 16,3°; Junho: 16,3°; Julho: 14,1°; Agosto: 17,3°;
Setembro: 20,0°; Outubro: 21,0°; Novembro: 22,0°; Dezembro: 25,0°.
A maxima temperatura observada foi de 28,5°,
ás 3 horas e 10 minutos da tarde do dia 22 de Dezembro; e a minima de 8,5° ás
10 horas da manhã do dia 21 de Julho.
A média pressão barometra foi de 695m,
6m.
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| Pouso Alegre- 1863 (Postal) Acervo do MHMTT -FIM- |
Fonte: OLIVEIRA,
A. M. Almanack do Município de Pouso Alegre. Rio de Janeiro: Casa
Mont’Alverne, 1900.
*Escrito como no original.
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