Tradutor

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Imagens da cidade

Primeira para de 07/09- Avenida Dr. Lisboa 1918
Acervo do MHMTT
Cadeia Publica 1904
Acervo do MHMTT
Palacio Episcopal- 1930
Acervo do MHMTT
Projeto para nova Catedral- 1957
Acervo do MHMTT
Avenida Central- 1918
Acervo do MHMTT

Imagens da cidade

Hospital Sao Vicente de Paulo- 1918
Acervo do MHMTT
Praça Senador José Bento- Fonte Luminosa- 1950
Acervo do MHMTT
Praça Senador José Bento- Década de 50
Acervo do MHMTT
Santuario- Década de 40
Acervo do MHMTT
Vista do Alto das Cruzes- 1930
Acervo MHMTT

O Mineiro


Você conheceu o “Mineiro”? Era um pobre diabo que vivia pelas ruas da nossa Pouso Alegre. Quem, nascido nos primórdios deste século, não brincou com o “Mineiro”? Lembro-me ainda, e parece-me vê-lo agora, na hora do almoço e do jantar, com aquela barba ruiva e cerrada, com aqueles cabelos crespos, sentado na soleira da porta da minha casinha, lá na Rua do Brejo, muito gordo, coçando a cabeça ou tirando “bichos-do-pé” e, a toda hora, chamando o “estrepinho” para que fosse buscar a sua “boia”, pois tinha de ir comer em outros lugares. Um verdadeiro Pantagruel. E, assim, ele passava o dia, de porta em porta, sempre comendo. Depois ia procurar caixas de fósforos para a sua FABRICA de castiçais lá em baixo do coreto do Palácios do Bispo, onde tinha como única companhia uma arara muda e enfezada que nunca disse uma palavra siquer. Mas... quem era “Mineiro”? Pouca gente sabia que um dia ele deixou a boa terra, a Baía de São Salvador, do Senhor do Bonfim e apareceu neste recanto sagrado de Minas. Como, para nós, quasi todos nortistas são baianos, ele contrariou a regra. Era baiano e ficou “mineiro”. Seu nome? Ninguém soube. Para que? Chamavam-no “Mineiro” e ele atendia. Era o bastante. Uma das suas manias, além dos castiçais de caixas de fósforos, era lavar o nariz, para aspirar, tudo o que achava. Um pau de fósforo, um cavaco de pau ou de vidro, ia logo às narinas largas para cheirar. Todas as tardes, lá na vargem da Câmara estava ele revolvendo o lixo que o Arlindo deixava, cheirando tudo que pegava. Um dia ele achou um vidro fechado. Abriu-o e levou-o ao nariz, tombando desacordado, para recuperar os sentidos e... perder a razão daí há pouco. E o “Mineiro” inofensivo, o “Mineiro” que vivia rodeado de “estrepinhos”, passou a fazer medo. Levaram-no para Barbacena,e disseram, mais tarde, que ele havia tomado o famoso “chá da meia noite”.
Muita gente sentiu a morte do “Mineiro”... Mas, ele não morreu. Alguém, visitando aquele hospício, ao passar por um cubículo, ouviu uma voz conhecida chamando-o: “Estrepinho... oh! Estrepinho”,. Era o “Mineiro”. Perguntou de tudo e de todos... queria noticias de Pouso Alegre... da sua garotada. Eu sei que este alguém, ao se despedir de “Mineiro”, ao apertar as suas mãos, tinha os olhos marejados de lagrimas. O “Mineiro” não estava mais louco... mas estava abobalhado, sem, contudo, esquecer do seu Pouso Alegre e da sua gente... e ele nunca mais voltou. Teria morrido mesmo? Faz tantos anos... e é por isso que somente aqueles que nasceram nos primórdios deste século, sabem quem foi o “Mineiro”, e ainda sentem saudades dele, por que ele faz parte da nossa infância...
*Extraído do Jornal “A Cidade”, 16 de Janeiro de 1949, José Ribeiro da Costa.      

sábado, 2 de junho de 2012

Marco do dia

03/06/1920: É inaugurado o orfanato Nossa Senhora de Lourdes e nova capela anexa ao Hospital São Vicente de Paulo (Rua Adolfo Olinto)

Rua Adolfo Olinto, Orfanato, Capela- Década de 30
Acervo do MHMTT

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Imagens da cidade

Estaçao da RMV, 1930
Acervo do MHMTT
Clube, 1918
Acervo do MHMTT
Santuario, década de 40
Acervo do MHMTT
Cemitério velho- década de 10
Acervo do MHMTT
Teatro Municipal, 1918
Acervo do MHMTT

Imagens da cidade

Praça/Catedral, 1930
Acervo do MHMTT
Escola Normal, 1930
Acervo do MHMTT
Praça Senador José Bento, 1930
Acervo do MHMTT
Praça Dr. José Garcia Coutinho, 1940
Acervo do MHMTT
Hospital Regional Samuel Libanio, 1930
Acervo do MHMTT

O Batuira

Há muitos anos, desde que Pouso Alegre começou a ser gente, já na época em que os primeiros fiosinhos de barba lhe apontavam ao rosto, o primeiro salão de barbeiro que existia por estas paragens era o do Benedito, a quem, não sei por que cargas d’água, chamavam de Batuira.
Nunca hei de me esquecer dos cortes de cabelo que ele me fazia, quando ainda creança. O Batuira, com toda certeza, fez parte de alguma dessas intemeratas “bandeiras” que abriram caminho para a civilização, por que tinha a mania da fazer numerosos “caminhos” na cabeça de seus freguezes. Não me lembro se aquele sistema de corte era moda naqueles tempos ou se me ficava bem. Posso afirmar, somente, que o Batuira era o barbeiro de minha predileção.
Como todo Fígaro que se preza, o Benedito era de uma loquacidade de espantar. Conhecia os fatos mais recentes. Discutia tudo. Política, religião, bebidas e comidas. Sabia de tudo.
O seu salãosinho de 4ª classe, defronte á Estação, era o ponto de palestra (se a brigas, discussões, palavrórios desses que põem carmim na face das estatuas, se pode chamar “palestra”) de todos os desocupados da cidade. Não havia distinção de cor, nem de nacionalidade, nem de caráter, entre os frequentadores do Salão do Batuira. Reuniam-se, ali, as mais disparatadas individualidades. Desde o carroceiro boçal, até o bêbado brigão, acavalados nos bancos de madeira.
O Batuira, alem de exímio cortador de cabelos e dono de vários outros pergaminhos, era tido como maior conhecedor do bom famo e da boa “caninha”.
Quantas vezes, aparando-me os meus cabelos, empunhando sua navalha “banguela” (a única do salão), discutindo sobre as qualidades daquelas especialidades nacionais, não me fez suar frio de medo.
Certa vez, como me lembro!, um vendedor de fumo, acompanhado do pretendente á sua aquisição, procurou o Batuira para que opinasse sobre as boas qualidades daquele legitimo “Poço Fundo”.
O Batuira, como um perfeito técnico no assunto, cheirou o fumo diversas vezes, olhou para cima, alisou a palha, passou-a nos lábios, cuspio de lado, picou regular quantidade e fez o cigarro. Acendeu-o e pôs-se a fuma-lo. O vendedor alegrou-se pensando haver descoberto o motivo daquele sorriso.
-Por enquanto, o fuminho não deu gasto. Vou fumar mais um bocado, até a metade, por que o fuminho bom só se revela na metade do cigarro.
O salão, nesse dia, domingo, estava com excesso de lotação. Todos concentravam sua atenção no barbeiro, que continuava a fumar, enquanto o paciente freguês, sentado, rosto lambusado de sabão, espereva, resignadamente, o fim da experiência.
Chegado á metade do cigarro, o Batuira tirou-o da boca, pigarreou, e emitio sua abalisada opinião.
-É.... É... O fuminho não é ruim. Até que não. Só tem “um defeitinho”:- é fraco, catinguento e ruim de gosto...
Não é preciso acrescentar que o negocio morreu na metade do cigarro do Batuira...

----------------------------
Hoje, o meu barbeiro predileto, vive por aí, com toda a curva dos anos no corpo, tremulo, implorando nos negócios a esmola de um pedacinho de fumo, não se incomodando com a qualidade.
Pobre, doente, está atacado de “delirium tremens”.

----------------------------
Eu tenho para mim, que o bom Batuira, com suas mãos excessivamente tremulas, parece querer cortar os cabelos ao vento, recordando-se daquele passado tão bom do seu salãosinho de 4ª, que o tempo lh’o tirou e não quer devolver mais.

*Extraído do Jornal “O Pouso Alegre”, 12 de Fevereiro de 1934, J. Fernandes Filho.