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terça-feira, 5 de junho de 2012

Imagens da cidade

Ponte de ferro da RMV- Enchente de 1932
Acervo do MHMTT
Estaçao- 1986
Acervo do MHMTT
Vista Parcial de Pouso Alegre- 1937
Acervo do MHMTT
Pouso Alegre- Década de 30
Acervo do MHMTT

Imagens da cidade

Avenida- 1937
Acervo do MHMTT
Hotel Ferreira- Década de 20
Acervo do MHMTT
Cidade de Pouso Alegre- 1863
Acervo do MHMTT
Estaçao da RMV- 1918
Acervo do MHMTT
Estaçao da RMV- 1986
Acervo do MHMTT

Imagens da cidade

Praça Senador José Bento- Década de 30
Acervo do MHMTT
Praça Senador José Bento- Década de 60
Acervo do MHMTT
Mercado Municipal- 1935
Acervo do MHMTT
Recepçao de Dom Nery- Praça Central- 1905
Acervo do MHMTT
Cascata- Década de 30, demolida em 1942
Acervo do MHMTT

O “Louco de Pala”


-Meu filho, se você fizer outra arte eu chamo o “louco de pala”. E, ante essa terrível ameaça de nossos pais, virávamos, pelo menos naquela hora, no  mais humilde cordeirinho.
O “Louco de Pala” aparecia de quando em vez, em Pouso Alegre. Vinha lá do lado da Estiva, com aquele enorme pala no ombro, fizesse frio ou calor. Era o terror da garotada. Chamava-se Domiciano, mas ninguém queria saber disso. Apesar de furioso, somente atacava quando insultado. Quem gritasse “Peixe Frito” podia passar cebo nas canelas por que ele vinha em cima e, se alcançasse o infeliz, o pau descia sem dó nem piedade. Mas... quem resistia a tentação de, ao vê-lo, não tomar uma regular distância e dizer: “Peixe Frito”!?
Um dia tivemos uma noticia alviçareira para todos: o Domiciano fora morto por uma assombração lá para as bandas do Mato Seco, na Fazenda Grande. Arre! Nunca u’a morte fora tão bem recebida e tão festejada. Cada garoto que se encontrava com outro perguntava logo: “Você já sabe? O Domiciano morreu no Mato Seco”! Agora sim estávamos livres de qualquer ameaça... dos nossos pais. Não tinha mais o “louco da pala”... mas... (em tudo na vida tem um “mas”) uma tarde, quando o sol rebentava mamonas, e nós disputávamos uma “pelada” entre Rua do Brejo e Rua dos Coqueiros, o nosso goleiro ficou verde... branco... furta-cor... deixou a pelota passar-lhe entre as pernas, o que seria hoje um “frango”. Ele nada dizia, mas poude apontar com o dedo lá para o lado da linha e, então, vimos, horrorizados, encostado na venda do Rezende, com o seu pala e seu porrete, nada mais, nada menos, que o Domiciano, “o louco de pala”, com quem nem o “corpo seco” do Mato Dentro havia podido. Um espírito de porco, usando e abusando de todas as forças dos seus pulmões, berrou: “Peeeeixe Friiiito”!... e, até hoje, ainda esta por decidir a superioridade do futebol entre as Ruas do Brejo e Coqueiros, porque o Domiciano invadiu o campo e distribuiu pauladas com gosto, nem se incomodando em ir ao encalço dos que fugiam, pois o que restara ali deu para ele se divertir bastante...
Em 1915 vi o Domiciano pela ultima vez. Estava velho e alquebrado. Chamei-lhe, na “lata”, de “Peixe-Frito” e ele nada poude fazer. Estava cançado demais para suspender o porrete... e o peso do seu pala já era muito para si... Para onde teria ido depois?

*Extraído do Jornal “A Cidade”, 30 de Janeiro de 1949, José Ribeiro da Costa.  

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Imagens da cidade

Primeira para de 07/09- Avenida Dr. Lisboa 1918
Acervo do MHMTT
Cadeia Publica 1904
Acervo do MHMTT
Palacio Episcopal- 1930
Acervo do MHMTT
Projeto para nova Catedral- 1957
Acervo do MHMTT
Avenida Central- 1918
Acervo do MHMTT

Imagens da cidade

Hospital Sao Vicente de Paulo- 1918
Acervo do MHMTT
Praça Senador José Bento- Fonte Luminosa- 1950
Acervo do MHMTT
Praça Senador José Bento- Década de 50
Acervo do MHMTT
Santuario- Década de 40
Acervo do MHMTT
Vista do Alto das Cruzes- 1930
Acervo MHMTT

O Mineiro


Você conheceu o “Mineiro”? Era um pobre diabo que vivia pelas ruas da nossa Pouso Alegre. Quem, nascido nos primórdios deste século, não brincou com o “Mineiro”? Lembro-me ainda, e parece-me vê-lo agora, na hora do almoço e do jantar, com aquela barba ruiva e cerrada, com aqueles cabelos crespos, sentado na soleira da porta da minha casinha, lá na Rua do Brejo, muito gordo, coçando a cabeça ou tirando “bichos-do-pé” e, a toda hora, chamando o “estrepinho” para que fosse buscar a sua “boia”, pois tinha de ir comer em outros lugares. Um verdadeiro Pantagruel. E, assim, ele passava o dia, de porta em porta, sempre comendo. Depois ia procurar caixas de fósforos para a sua FABRICA de castiçais lá em baixo do coreto do Palácios do Bispo, onde tinha como única companhia uma arara muda e enfezada que nunca disse uma palavra siquer. Mas... quem era “Mineiro”? Pouca gente sabia que um dia ele deixou a boa terra, a Baía de São Salvador, do Senhor do Bonfim e apareceu neste recanto sagrado de Minas. Como, para nós, quasi todos nortistas são baianos, ele contrariou a regra. Era baiano e ficou “mineiro”. Seu nome? Ninguém soube. Para que? Chamavam-no “Mineiro” e ele atendia. Era o bastante. Uma das suas manias, além dos castiçais de caixas de fósforos, era lavar o nariz, para aspirar, tudo o que achava. Um pau de fósforo, um cavaco de pau ou de vidro, ia logo às narinas largas para cheirar. Todas as tardes, lá na vargem da Câmara estava ele revolvendo o lixo que o Arlindo deixava, cheirando tudo que pegava. Um dia ele achou um vidro fechado. Abriu-o e levou-o ao nariz, tombando desacordado, para recuperar os sentidos e... perder a razão daí há pouco. E o “Mineiro” inofensivo, o “Mineiro” que vivia rodeado de “estrepinhos”, passou a fazer medo. Levaram-no para Barbacena,e disseram, mais tarde, que ele havia tomado o famoso “chá da meia noite”.
Muita gente sentiu a morte do “Mineiro”... Mas, ele não morreu. Alguém, visitando aquele hospício, ao passar por um cubículo, ouviu uma voz conhecida chamando-o: “Estrepinho... oh! Estrepinho”,. Era o “Mineiro”. Perguntou de tudo e de todos... queria noticias de Pouso Alegre... da sua garotada. Eu sei que este alguém, ao se despedir de “Mineiro”, ao apertar as suas mãos, tinha os olhos marejados de lagrimas. O “Mineiro” não estava mais louco... mas estava abobalhado, sem, contudo, esquecer do seu Pouso Alegre e da sua gente... e ele nunca mais voltou. Teria morrido mesmo? Faz tantos anos... e é por isso que somente aqueles que nasceram nos primórdios deste século, sabem quem foi o “Mineiro”, e ainda sentem saudades dele, por que ele faz parte da nossa infância...
*Extraído do Jornal “A Cidade”, 16 de Janeiro de 1949, José Ribeiro da Costa.