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sexta-feira, 15 de junho de 2012

Imagens da cidade

Praça Senador José Bento- Década de 40
Acervo do MHMTT
Bar Recreio- 1980
Acervo do MHMTT
Colégio Sao José e Seminario Diocesano- Década de 40
Acervo do MHMTT
Cadeia Publica- Década de 20
Acervo do MHMTT
Palacio Episcopal- Década de 30
Acervo do MHMTT

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Os Italianos em Pouso Alegre


É inegável o fator progressista que as correntes imigratórias trouxeram ao nosso país.
Dentre elas, a italiana corresponde a uma excelente parte.
Pouso Alegre, município não cafeeiro, não teve o afluxo de outras cidades interioranas preferidas pelo intenso cultivo da rubiácea. Os que aqui aportaram, desenvolviam mais atividades artezanais que propriamente agrícolas.
Ainda assim, com a instalação da Colônia Francisco Sales, na Faisqueira, ali localizaram-se inúmeros italianos, alguns dos quais ainda residem naquele local, dedicados á agricultura. Ao que parece certo, entre 1880 a 1890, data o aparecimento dos primeiros italianos em Pouso Alegre.
João e Pedro Scapulatempo, foram os primeiros. O primero, comerciante arrojado e o segundo caldeireiro.
De 1890 a 1900, o numero cresceu. Antonio Rigotti, com fábrica de cerveja. Pedro Chiarinni e seus filhos Angelo, Francisco e Alexandre (agricultores e comerciantes). Marieta Consoli e seus filhos João e Eugênio Consoli, José Contrucci dos Santos (Zeca- Santo) comerciante no alto das cruzes. José Chiarinni e Carolina Renzeti Chiarinni, Pascoal e Antonio Bartolomei (ambulantes). Francisco, Pedro, Domingos e José Matei. Luis e André Gianini, Jacinto e Angelo Navri (transportadores). Angelo Tadelli. Antonio Antonelli (barbeiro). Girolamo Pagliarini (Hotel e Barbearia). Nicola Laraia (sapataria). Marcolino e Angelo Guersoni (olaria e cerâmica).
Na primeira década do século, aqui se instalaram Francisco Campanella (relojoaria, posteriormente casa de bicicletas). Francisco Matragrano (fábrica de calçados). Roque de Maio (confeitaria Progredior, famosa até 1925). Rizzieri Butti (fábrica de bebidas e cerveja). Pascoal Ambrosio (sapateiro). Cristoforo, Miguel e Braz Vita (comerciantes e sapateiro). Isidoro Tiburcio (fábrica de móveis). Olinto Tiburcio (comerciante). Felicio e Vicente Pascoal. Pedro, José e Artur Carleti, Antonio Ferrari (casa de móveis). Rergio Arnaldo Carneveli (elemento dinâmico, introdutor do primeiro cinema no Sul de Minas) fundador da cidade Italiana de Mutuo Socorro (1910). Angelo Marzulo (fabricante de macarrão). Inocencio Fabbri (mamorista). Miguel e Olinto Bertoluci (comerciantes). Braz Vitali (alfaiataria). Enrique Constanti (cortume). Vito Laraia (cortume). Nicolau Barati. Demétrio e Domingos Casarini (agricultores). José Boschi (olaria e cerâmica). Luis Saltini (alfaiate). Braz Frusco, Maestro Sartori, José Canela, Miguel Malvacini, Isidoro Verdi, Adolfo Binassi (açougue). Antonio Viali (Açougue). Pio Gissoni (construtor). Antonio e Maestro Antonio (frentistas). Joã Bertolacini (casa de comércio no Largo do Mercado). Agnelo Bertolacini, Salvador Ventre Natal (comerciante). José Inocente (Roma). Domingo Motnori (agricultor). Cesar Ceconeli (sapateiro). Romulo de Marchi (pintor). João Pata, Deodato Seda. Caetano Russo (confeitaria). Angelo Leone (sapataria). José Gambi.
Na segunda década, Domingos e José Caudino (construtores). Feliz Bove (organizador do primeiro jogo de polo). Miguel Saponara (relojoaria). Cesar de Leteaux (relojoaria). Primo Volponi (comerciante). Agostinho Odisio (escultor). Pompilho Ferrini (fábrica de macarrão). Jeronimo e Higino Puccini (fotógrafos). José del Pichia, Domingos Albanez (marmorista). Vicente Charlante, Cirilo Spolsimo, Casalechi Sofonisbo.
Até 1920 era intensa a vida associativa da colônia italiana.
Reunindo-se nas cervejarias, nas disputas das boccias e na sede própria da Sociedade a discutir política e os problemas da terra distante, tornavam divertidas e amenas suas vidas em nossa cidade. Quase todos liberais, eram Mazzinianos, Garibaldinos e de Cavour, de tendências acentuadamente socialistas. Muitos poucos eram monarquistas por convicção, embora os retratos do rei e família figurassem em muitos lares.
As reuniões nos campos de boccias, tornam-se divertidas. As disputas de ter-sete, patrone e soto bocias, davam margem á aproximação e alegria. As canções da terra eram entoadas.
Santa Lúcia, Torna a Surrento, Il Ino dei Lavoratore (Bandeira rossa), il 24 de Maggio, La Canzone del Piave, cantadas ora por uns, ora por outros, uniam ainda mais os italianos.
Raras foram as desinteligências entre os membros que sempre conservaram amizade e dedicação á nossa terra.
Parece não constar mesmo qualquer deslise policial na vida de toda colônia italiana em Pouso Alegre.
Hoje, o numero de italianos é bem menor. Desaparecidos inúmeros que figuram na lista presente, ainda assim, os que restam, alguns quasi nonagenários, prestam seu concurso e seu trabalho a nossa terra, dignificando a terra de Mazzini, Cavour, Antonio Gramsci, Garibaldi e Dante. Ao focalizar no centenário de nossa cidade as atividades e a cooperação dos italianos em prol de Pouso Alegre, o fazemos certos de interpretar os sentimentos dos pousoalegrenses por uma aglomeração honesta, produtiva, democrata e progressista.     
Extraído do Jornal “A Cidade”  19/10/1948, p. 5
*Escrito como no original

Imagens da cidade

Rua Sao Pedro (atual Monsenhor Dutra)- entroncamento com a Com. José Garcia
Década de 40
Acervo do MHMTT
Enchente- Varzea
Acervo do MHMTT
Desfile de 07 de setembro- 1960- Av. Dr. Lisboa
Acervo do MHMTT
Antigo Colegio Diocesano- 1940
Acervo do MHMTT
Avenida Doutor Lisboa- 1940
Acervo do MHMTT

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Beijou a mão do Padre-Senador: Quatro anos mais velho que a cidade. – Conheceu os assassinos do Padre José Bento.- Monsenhor José Paulino foi pro Ceará. (Reportagem de Fernandes Filho)

Quando me disseram que existia na cidade um homem de 104 anos, lúcido e firme, cheguei a duvidar. Acostumado com o espetáculo diuturno da queda da arvore humana antes de ter ultrapassado meio século de existência, era de ficar espantando com a sobrevivência de uma criatura que já havia dobrado uma centena de anos e que se mantinha de pé, afrontando a lei sancionada pelos trópicos.
O São Tomé que vive dentro de nós todos impeliu-me á procura do Matusalém. E o vi e o toquei com estes olhos que a terra um dia hão de comer.
Camilo Antonio Felizardo
Preto. Nascido em Santa Rita do Sapucaí. Filho de africanos, da costa da África, vieram seus pais num daqueles cargueiros humanos que enchiam as noites de gemidos e angustias, cujos ecos existem vivos e terríveis nas estrofes imortais do vate baiano.
Carapinha branquinha como algodão. Olhos com a bruma seca do tempo, gastos de tanto uso. Rosto liso, sem uma ruga, como se estivesse vivendo uma outra infância. O cinema retrospectivo da memória funcionando perfeitamente, numa projeção clara, andamento regulado, sem um tropeço ou falha
As palavras lhe saem da boca centenária com a mesma facilidade com que brotam os sons de cordas vocais tangidas pelo vigor da idade.
Camilo Antonio Felizardo tem 104 anos no duro. No confronto das datas e dos fatos nós nos convencemos da sua longevidade.
Padre Zé Bento
O Padre José Bento era um rapagão bonito e desempenado, amigo de toda gente, trabalhador e piedoso. Gostava de tratar a terra, interessando-se sempre pelas plantações. Possuía um sitio perto da cidade e sempre ia vê-lo, montado no seu cavalo fogoso.
-Me lembro do Padre Zé Bento, montado no seu alazão, chamando a atenção de todo mundo. O Padre era muito importante.
Mas, o senador José Bento era um temperamento nervoso e vibrátil, causador da sua brilhante atuação na vida política de nossa terra e do país, como de sua morte em situação tão trágica.
O Assassinato do Padre José Bento
Uma questão de divisas de terras e de roças de milho entre o Padre José Bento e seus confrontantes, os irmãos Baltazar, Jacinto e Dionisio, estabeleceu uma surda mal-querença entre eles.
-Os três irmãos eram gente rústica, abrutalhada, pouco amiga da paz. Tramaram a morte do padre e numa tarde, quando o padre ia pro sítio, atiraram nele de tocaia. Deixaram o corpo estendido na estrada e desapareceram.
Baltazar foi morto pela policia, em Santa Rita do Sapucaí, quando atravessava a ponte. Dionisio fugiu para a província de São Paulo. Mas a justiça divina não falha, o Dionisio ficou morando naquela província e lá não arranjou família.
Um dia o homem brigou com a mulher e disse que ia fazer com ela o que tinha feito com o padre em Minas. A polícia, instigada pela mulher, descobre a coisa e recambia o Dionisio para a nossa cidade. O dia da chegada do prisioneiro foi tal qual um dia de festa. Toda gente queria ver o homem que tinha matado o padre-senador. E o homem que havia assassinado a figura mais importante da cidade voltava velhinho, doente, que dava pena. Dionisio morreu poucos meses depois de ter voltado para Pouso Alegre.
Dr. Lisboa- “Arma Santa...”
Dos médicos que clinicavam em Pouso Alegre, Camilo lembra de dois: Dr. José Antonio Freitas Lisboa e Dr. Francisco Silviano de Almeida Brandão.
-Doutô Lisboa era uma arma santa, meu filho. Eu passava quasi que o dia inteirinho na casa dêle, brincando com seu filho Lulú (Luiz Lisboa, mais tarde senador estadual, pai do Dr. Antonio de B. Lisboa ainda é vivo e reside em Ouro Fino).
E o preto Camilo fala demoradamente sobre a bondade do Dr. Lisboa, alma aberta á caridade, sempre pronto a levar o refrigério da sua ciência e da sua bondade aos doentes e aos sofredores.
-Me dissero que arrancaram o nome do doutô Lisboa cá da praça e puzero o nome de outro. Isso é uma ingratidão!
A voz do preto velho tem um tom de protesto. É que o Camilo não consente que se desrespeite a memória do seu amigo. Volta-lhe a calma quando lhe digo que a Câmara colocou de novo o nome do Dr. Lisboa na Avenida.
-Bem feito...
O Dr. Silviano Brandão era também um bom moço, caridoso, prestativo. Mas a política absorveu todas as atividades e o enleiou no seu rodamoinho.
-Dotô Sirviano viro senado, iguar Padre Zé Bento. Dr. Sirviano fez roça pros negro sê arforriado. A negrada achou bão, mas nêgo veio num fico munto satisfeito, não...
Um sorriso velhaco enrugou a pele esticada do preto centenário.
Mons. José Paulino
Camilo Felizardo tem palavras de saudade para a memória do Mons. José Paulino. Tanta bondade existia naquela alma que todos o tinham como santo.
-Padre Zé Paulino era tão santo que D. Néri mando ele pro Ceará, para indireitá aquele povo que era muito heréje e que tava morrendo de fome. E o padre custô mas botô as coisas de lá no eixo...
Tempos depois, o Mons. José Paulino voltou do Ceará, acabado pela moléstia que não demorou muito a levá-lo dentre os vivos.

____________________
Continua a correr o celulóide gravado na memória do preto-velho Camilo.
Recorda-se da chegada festiva do Sr. Gabriel Osorio de Almeida, recém-formado pela Escola Politécnica “da Côrte”....
Mudou muito a fisionomia da cidade. Não é a mesma dos tempos da mocidade do Camilo Felizardo.
-A cidade de hoje pode tá mais importante, mas nunca que é mais bonita que a outra. Tá carçada de pedra, cheia de barúio de cmainhão, otomóve e charrete, mas os home são doferente pra piór...
Naquele tempo, as portas das casa tava sempre escancarada, nêgo veio ia até a cosinha, tomava seu cafesinho, picava uma lenha, dava um dedo de prosa e saia pelo mesmo lugá que entro. Os home oiava a gente cum amizade. Hoje, cruz credo, a gente vê a ambição e a mardade nos óio deles!
Onde é que a gente encontra hoje uma bondade como a do Dotô Lisboa, do D. Néri, do Padre Zé Paulino?
E, meneando a cabeça. 
-A cidade tá importante e mais barulhenta, num hái dúvida, mas nunca que é mais bonita.
Lá se foi o Camilo Felizardo, arrastando o fardo de seus 104 anos de existência. Ele conservou sua paixão pela cidade simples, sem artifícios, só com os enfeites da própria natureza. Os homens do seu tempo traziam as casas e os corações abertos. Os de hoje trazem a maldade e a ambição impressas nos olhos duros.
Que Felizardo é esse preto velho que chegou a alcançar os distantes tempos em que os homens eram bons!

Extraído do Jornal “A Cidade” 19/10/1948, p. 2 e 4
*Escrito como no original

Imagens da cidade

Avenida Doutor Lisboa- 1948
acervo do MHMTT
Avenida Doutor Lisboa
Acervo do MHMTT
Avenida Doutor Lisboa- Desfile do 8 RAM- 1935
Acervo do MHMTT
Pouso Alegre- Praça- Catedral 1970
Acervo do MHMTT
Avenida Doutor Lisboa- 1918
Acervo do MHMTT

Imagens da cidade

Pouso Alegre- Década de 30
Acervo do MHMTT
Avenida Doutor Lisboa- 1948
Acervo do MHMTT
Rua Comendador José Garcia- 1970
Acervo do MHMTT
Rua Coronel José Inacio- 1940
Acervo do MHMTT
Acenida Doutor Lisboa- 1940
Acervo do MHMTT

Marco do dia

13/06/1937: É lançada a 1ª pedra fundamental do Asilo São Vicente de Paulo na Rua Com. José Garcia, ao lado do Hospital Regional Samuel Libânio