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segunda-feira, 18 de junho de 2012
Marco do dia
18/06/1945: É expedida a Lei n° 2.160 criando o 2° Grupo Escolar com o
nome “Hermantina Beraldo”, e instalado no dia 28/05/1946.
sexta-feira, 15 de junho de 2012
Curiosidades
No passado, a denominação de ruas e praças, em uma municipalidade,
sempre tinha por homenagear figuras de relevo, datas ou fatos históricos,
porém, nem sempre era aceita pela população, a qual adotava, espontaneamente,
um nome mais popular, ligado a certas características, da rua, ou a algum
acontecimento.
Vejamos alguns nomes antigos de ruas e praças de Pouso Alegre, as quais
eram conhecidas popularmente por:
Rua do Imperador: Antigo nome da Avenida Doutor Lisboa no tempo do
Império, dado pelo Senador José Bento.
Rua da Outra Banda, Boa Vista ou
Cadeia Queimada: Atual
Rua Silvestre Ferraz. Situava-se do outro lado de um brejal. Aí uma antiga
cadeia incendiou-se. Foi a primeira rua que se formou na cidade.
Rua dos Coqueiros: Trecho inicial da Rua Comendador José Garcia, onde
havia alguns coqueiros em uma residência.
Rua das Taipas: Trecho da Rua Comendador José Garcia, a partir do
P.A.F.C até o final da rua. Referia-se ao muro de taipa da rua.
Rua da Palha: Atual Rua Cel. José Inácio. Havia um milharal ao lado
onde, após a colheita, os animais soltos procuravam restos de milho entre a
palha.
Rua das Pedras: Atual Rua Adolfo Olinto. Antiga Rua da Prata. Era
pavimentada com pedras no treco do morro, para evitar-se a erosão provocada
pela enxurrada.
Morro das Cruzes: Atual Avenida Getulio Vargas. Havia três cruzes no
alto do morro, erguidas por escravos, segundo a tradição.
Largo da Cadeia: Ocupava o quarteirão onde foi construído o antigo
Pouso Alegre Pouso alegre Hotel.
Rua da Ponte: Chamava-se Rua Senador Eduardo Amaral. Ia do Largo da
Cadeia, atravessava a linha férrea e terminava na ponte sobre o Rio Mandu.
Desapareceu com o prolongamento da Av. Dr. Lisboa até a estação.
Rua do Brejo: Atual Rua João Basílio- Havia em cada sarjeta uma
canaleta para drenar o terreno, que era muito úmido, e sobre a mesma havia
pinguelas que davam acessos às residências.
Rua das 7 Casas: Av. Abreu Lima- Havia na rua 7 casas geminadas e
iguais.
Largo do Rosário: Atual Praça João Pinheiro. Aí foi levantado o
pelourinho, em frente à primitiva igreja do Rosário.
Rua dos Tocos: Atual Rua Monsenhor Dutra. Havia na esquina com a
Comendador José Garcia vários tocos de madeira fincados no chão pelo proprietário
do terreno, que estava em demanda com a Prefeitura e impedia a passagem de veículos.
Beco do Crime: Travessa Vereador Joaquim Manoel dos Reis. Aí foi
assassinada uma jovem pelo seu namorado, na noite de Natal de 1951.
Rua do Arame: Atual Rua Samuel Libanio. Os terrenos dessa rua eram
divididos por cercas de arame farpado.
Rua do Biju: Atual rua Monsenhor José Paulino. Residia nesta rua
Marcelo Cáceres, conhecido popularmente por “Biju”. Figura pitoresca, dono de
um ferro-velho, que nas horas vagas fazia propaganda na rua, de comércio,
cinema, festas, etc. Vendia também casquinhas de biju.
Os Quatro Cantos: Área compreendida entre as ruas Bueno Brandão e
Coronel Pradel, no sentido da subida do morro, e a rua David Campista e Rua da
Tijuca, no sentido horizontal. Aí situava-se a zona boêmia (R. David Campista),
e no alto do morro, barracos de gente pobre. Era local de má fama.
Rua da Caixa d’água: Atual Bueno Brandão. Rua que dava acesso à antiga
caixa d’água, no bairro da Saúde.
Morro do Querosene: Rua da Tijuca e adjacências. As casas eram iluminadas
por lampiões e lamparinas.
Extraído do livro “A História de Pouso Alegre” de Octávio
Miranda Gouvêa, 2004.
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| Planta da cidade de Pouso Alegre- 1927 Acervo do MHMTT |
Imagens da cidade
quinta-feira, 14 de junho de 2012
Os Italianos em Pouso Alegre
É inegável o fator progressista que as correntes
imigratórias trouxeram ao nosso país.
Dentre elas, a italiana corresponde a uma excelente
parte.
Pouso Alegre, município não cafeeiro, não teve o
afluxo de outras cidades interioranas preferidas pelo intenso cultivo da
rubiácea. Os que aqui aportaram, desenvolviam mais atividades artezanais que
propriamente agrícolas.
Ainda assim, com a instalação da Colônia Francisco
Sales, na Faisqueira, ali localizaram-se inúmeros italianos, alguns dos quais
ainda residem naquele local, dedicados á agricultura. Ao que parece certo,
entre
1880 a 1890, data o aparecimento dos primeiros italianos em Pouso Alegre.
1880 a 1890, data o aparecimento dos primeiros italianos em Pouso Alegre.
João e Pedro Scapulatempo, foram os primeiros. O
primero, comerciante arrojado e o segundo caldeireiro.
De 1890 a 1900, o numero cresceu. Antonio Rigotti, com
fábrica de cerveja. Pedro Chiarinni e seus filhos Angelo, Francisco e Alexandre
(agricultores e comerciantes). Marieta Consoli e seus filhos João e Eugênio
Consoli, José Contrucci dos Santos (Zeca- Santo) comerciante no alto das
cruzes. José
Chiarinni e Carolina Renzeti Chiarinni, Pascoal e Antonio Bartolomei
(ambulantes). Francisco, Pedro,
Domingos e José Matei. Luis e André Gianini, Jacinto e Angelo Navri
(transportadores). Angelo Tadelli. Antonio Antonelli (barbeiro).
Girolamo Pagliarini (Hotel e Barbearia). Nicola Laraia (sapataria). Marcolino e Angelo Guersoni (olaria e cerâmica).
Na primeira década do século, aqui se instalaram
Francisco Campanella (relojoaria, posteriormente casa de bicicletas). Francisco
Matragrano (fábrica de calçados). Roque de Maio (confeitaria Progredior, famosa
até 1925). Rizzieri Butti (fábrica de bebidas e cerveja). Pascoal Ambrosio
(sapateiro). Cristoforo, Miguel e Braz Vita (comerciantes e sapateiro). Isidoro
Tiburcio (fábrica de móveis). Olinto Tiburcio (comerciante). Felicio e Vicente
Pascoal. Pedro, José e Artur Carleti, Antonio Ferrari (casa de móveis). Rergio
Arnaldo Carneveli (elemento dinâmico, introdutor do primeiro cinema no Sul de
Minas) fundador da cidade Italiana de Mutuo Socorro (1910). Angelo Marzulo (fabricante
de macarrão). Inocencio Fabbri (mamorista). Miguel e Olinto Bertoluci
(comerciantes). Braz Vitali (alfaiataria). Enrique Constanti (cortume). Vito
Laraia (cortume). Nicolau Barati. Demétrio e Domingos Casarini
(agricultores). José Boschi (olaria e cerâmica). Luis Saltini (alfaiate). Braz
Frusco, Maestro Sartori, José Canela, Miguel Malvacini, Isidoro Verdi, Adolfo
Binassi (açougue). Antonio Viali (Açougue). Pio Gissoni (construtor). Antonio e Maestro Antonio (frentistas). Joã
Bertolacini (casa de comércio no Largo do Mercado). Agnelo Bertolacini,
Salvador Ventre Natal (comerciante). José Inocente (Roma). Domingo Motnori
(agricultor). Cesar Ceconeli (sapateiro). Romulo de Marchi (pintor). João Pata,
Deodato Seda. Caetano Russo (confeitaria). Angelo Leone (sapataria). José
Gambi.
Na segunda década, Domingos e José Caudino
(construtores). Feliz Bove (organizador do primeiro jogo de polo). Miguel
Saponara (relojoaria). Cesar de Leteaux (relojoaria). Primo Volponi
(comerciante). Agostinho Odisio (escultor). Pompilho Ferrini (fábrica de macarrão).
Jeronimo
e Higino Puccini (fotógrafos). José del Pichia, Domingos Albanez (marmorista).
Vicente Charlante, Cirilo Spolsimo, Casalechi Sofonisbo.
Até 1920 era intensa a vida associativa da colônia
italiana.
Reunindo-se nas cervejarias, nas disputas das boccias
e na sede própria da Sociedade a discutir política e os problemas da terra
distante, tornavam divertidas e amenas suas vidas em nossa cidade. Quase todos
liberais, eram Mazzinianos, Garibaldinos e de Cavour, de tendências acentuadamente
socialistas. Muitos poucos eram monarquistas por convicção, embora os retratos
do rei e família figurassem em muitos lares.
As reuniões nos campos de boccias, tornam-se
divertidas. As disputas de ter-sete, patrone e soto bocias, davam margem á aproximação
e alegria. As canções da terra eram entoadas.
Santa
Lúcia, Torna a Surrento, Il Ino dei Lavoratore (Bandeira rossa), il 24 de Maggio, La Canzone del Piave, cantadas ora por uns, ora
por outros, uniam ainda mais os italianos.
Raras foram as desinteligências entre os membros que
sempre conservaram amizade e dedicação á nossa terra.
Parece não constar mesmo qualquer deslise policial na
vida de toda colônia italiana em Pouso Alegre.
Hoje, o numero de italianos é bem menor. Desaparecidos
inúmeros que figuram na lista presente, ainda assim, os que restam, alguns quasi
nonagenários, prestam seu concurso e seu trabalho a nossa terra, dignificando a
terra de Mazzini, Cavour, Antonio Gramsci, Garibaldi e Dante. Ao focalizar no centenário
de nossa cidade as atividades e a cooperação dos italianos em prol de Pouso
Alegre, o fazemos certos de interpretar os sentimentos dos pousoalegrenses por
uma aglomeração honesta, produtiva, democrata e progressista.
Extraído do Jornal “A Cidade” 19/10/1948, p. 5
*Escrito como no original
Imagens da cidade
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Beijou a mão do Padre-Senador: Quatro anos mais velho que a cidade. – Conheceu os assassinos do Padre José Bento.- Monsenhor José Paulino foi pro Ceará. (Reportagem de Fernandes Filho)
Quando me disseram que existia na cidade um homem de 104 anos, lúcido e
firme, cheguei a duvidar. Acostumado com o espetáculo diuturno da queda da
arvore humana antes de ter ultrapassado meio século de existência, era de ficar
espantando com a sobrevivência de uma criatura que já havia dobrado uma centena
de anos e que se mantinha de pé, afrontando a lei sancionada pelos trópicos.
O São Tomé que vive dentro de nós todos impeliu-me á procura do
Matusalém. E o vi e o toquei com estes olhos que a terra um dia hão de comer.
Camilo Antonio Felizardo
Preto. Nascido em Santa Rita do Sapucaí. Filho de africanos, da costa da
África, vieram seus pais num daqueles
cargueiros humanos que enchiam as noites
de gemidos e angustias, cujos ecos existem vivos e terríveis nas estrofes
imortais do vate baiano.
cargueiros humanos que enchiam as noites
de gemidos e angustias, cujos ecos existem vivos e terríveis nas estrofes
imortais do vate baiano.
Carapinha branquinha como algodão. Olhos com a bruma seca do tempo,
gastos de tanto uso. Rosto liso, sem uma ruga, como se estivesse vivendo uma
outra infância. O cinema retrospectivo da memória funcionando perfeitamente,
numa projeção clara, andamento regulado, sem um tropeço ou falha
As palavras lhe saem da boca centenária com a mesma facilidade com que
brotam os sons de cordas vocais tangidas pelo vigor da idade.
Camilo Antonio Felizardo tem 104 anos no duro. No confronto das datas e
dos fatos nós nos convencemos da sua longevidade.
Padre Zé Bento
O Padre José Bento era um rapagão bonito e desempenado, amigo de toda
gente, trabalhador e piedoso. Gostava de tratar a terra, interessando-se sempre
pelas plantações. Possuía um sitio perto da cidade e sempre ia vê-lo, montado
no seu cavalo fogoso.
-Me lembro do Padre Zé Bento, montado no seu alazão, chamando a atenção
de todo mundo. O Padre era muito importante.
Mas, o senador José Bento era um temperamento nervoso e vibrátil,
causador da sua brilhante atuação na vida política de nossa terra e do país, como
de sua morte em situação tão trágica.
O Assassinato do Padre José Bento
Uma questão de divisas de terras e de roças de milho entre o Padre José
Bento e seus confrontantes, os irmãos Baltazar, Jacinto e Dionisio, estabeleceu
uma surda mal-querença entre eles.
-Os três irmãos eram gente rústica, abrutalhada, pouco amiga da paz.
Tramaram a morte do padre e numa tarde, quando o padre ia pro sítio, atiraram
nele de tocaia. Deixaram o corpo estendido na estrada e desapareceram.
Baltazar foi morto pela policia, em Santa Rita do Sapucaí, quando
atravessava a ponte. Dionisio fugiu para a província de São Paulo. Mas a
justiça divina não falha, o Dionisio ficou morando naquela província e lá não
arranjou família.
Um dia o homem brigou com a mulher e disse que ia fazer com ela o que
tinha feito com o padre em Minas. A polícia, instigada pela mulher, descobre a
coisa e recambia o Dionisio para a nossa cidade. O dia da chegada do
prisioneiro foi tal qual um dia de festa. Toda gente queria ver o homem que tinha
matado o padre-senador. E o homem que havia assassinado a figura mais
importante da cidade voltava velhinho, doente, que dava pena. Dionisio morreu
poucos meses depois de ter voltado para Pouso Alegre.
Dr. Lisboa- “Arma Santa...”
Dos médicos que clinicavam em Pouso Alegre, Camilo lembra de dois: Dr.
José Antonio Freitas Lisboa e Dr. Francisco Silviano de Almeida Brandão.
-Doutô Lisboa era uma arma santa, meu filho. Eu passava quasi que o dia
inteirinho na casa dêle, brincando com seu filho Lulú (Luiz Lisboa, mais tarde
senador estadual, pai do Dr. Antonio de B. Lisboa ainda é vivo e reside em Ouro
Fino).
E o preto Camilo fala demoradamente sobre a bondade do Dr. Lisboa, alma
aberta á caridade, sempre pronto a levar o refrigério da sua ciência e da sua
bondade aos doentes e aos sofredores.
-Me dissero que arrancaram o nome do doutô Lisboa cá da praça e puzero o
nome de outro. Isso é uma ingratidão!
A voz do preto velho tem um tom de protesto. É que o Camilo não consente
que se desrespeite a memória do seu amigo. Volta-lhe a calma quando lhe digo
que a Câmara colocou de novo o nome do Dr. Lisboa na Avenida.
-Bem feito...
O Dr. Silviano Brandão era também um bom moço, caridoso, prestativo. Mas
a política absorveu todas as atividades e o enleiou no seu rodamoinho.
-Dotô Sirviano viro senado, iguar Padre Zé Bento. Dr. Sirviano fez roça
pros negro sê arforriado. A negrada achou bão, mas nêgo veio num fico munto
satisfeito, não...
Um sorriso velhaco enrugou a pele esticada do preto centenário.
Mons. José Paulino
Camilo Felizardo tem palavras de saudade para a memória do Mons. José
Paulino. Tanta bondade existia naquela alma que todos o tinham como santo.
-Padre Zé Paulino era tão santo que D. Néri mando ele pro Ceará, para
indireitá aquele povo que era muito heréje e que tava morrendo de fome. E o
padre custô mas botô as coisas de lá no eixo...
Tempos depois, o Mons. José Paulino voltou do Ceará, acabado pela
moléstia que não demorou muito a levá-lo dentre os vivos.
____________________
Continua a correr o celulóide gravado na memória do
preto-velho Camilo.
Recorda-se da chegada festiva do Sr. Gabriel Osorio de
Almeida, recém-formado pela Escola Politécnica “da Côrte”....
Mudou muito a fisionomia da cidade. Não é a mesma dos
tempos da mocidade do Camilo Felizardo.
-A cidade de hoje pode tá mais importante, mas nunca
que é mais bonita que a outra. Tá carçada de pedra, cheia de barúio de
cmainhão, otomóve e charrete, mas os home são doferente pra piór...
Naquele tempo, as portas das casa tava sempre
escancarada, nêgo veio ia até a cosinha, tomava seu cafesinho, picava uma
lenha, dava um dedo de prosa e saia pelo mesmo lugá que entro. Os home oiava a
gente cum amizade. Hoje, cruz credo, a gente vê a ambição e a mardade nos óio
deles!
Onde é que a gente encontra hoje uma bondade como a do
Dotô Lisboa, do D. Néri, do Padre Zé Paulino?
E, meneando a cabeça.
-A cidade tá importante e mais barulhenta, num hái
dúvida, mas nunca que é mais bonita.
Lá se foi o Camilo Felizardo, arrastando o fardo de
seus 104 anos de existência. Ele conservou sua paixão pela cidade simples, sem
artifícios, só com os enfeites da própria natureza. Os homens do seu tempo
traziam as casas e os corações abertos. Os de hoje trazem a maldade e a ambição
impressas nos olhos duros.
Que Felizardo é esse preto velho que chegou a alcançar
os distantes tempos em que os homens eram bons!
Extraído do Jornal “A Cidade” 19/10/1948, p. 2 e 4
*Escrito como no original
Imagens da cidade
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