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terça-feira, 19 de junho de 2012

Imagens da cidade

Desfile do 8 RAM- 1936
Acervo do MHMTT
Calçamento da Avenida- Década de 40
Acervo do MHMTT
Vista aerea da cidade- 1965
Acervo do MHMTT
Praça- Catedral, 1900
Acervo do MHMTT
Praça Senador José Bento- Década de 30
Acervo do MHMTT

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Hospital Regional “Samuel Libanio”


Si há realmente uma instituição de que Pouso Alegre possa e deva ufanar-se, essa é, por sem dúvida, o Hospital Regional “Samuel Libanio”.
Instituição de alta benemerência social e necessária assistência hospitalar destinada ao tratamento e amparo dos doentes pobres, remediados e ricos, o Hospital meréce de todos nós, e da nossa pobreza, em particular, a mais viva gratidão e os mais rasgados encômios, tais e tantos são os benefícios dele decorrentes.
Nada de esquecer também que os preciosos e inestimáveis recursos dispensados por esse manancial inesgotável de benefícios, não chegam somente até aonde o azul das nossas montanhas impõe fronteiras às cidades circumvizinhas. Mas, ao contrário, tem mais ampla projeção, vão muito além, estendendo-se a esta vasta e populosa região sul mineira, a qualquer parte onde um indigente deles necessite.
Nascido, há já quase dois decênios, sob a direção competente e honrada do dr. Custódio Ribeiro de Miranda, esse médico competente e bom, clínico abalisado, cirurgião hábil e seguro, profissional honesto, administrador ativo e enérgico, que tudo tem feito a bem do magnífico estabelecimento que tão acertadamente vem dirigindo, o Hospital tem crescido sempre, e, sem dúvida, continuará a crescer, para a felicidade nossa e dos que descambaram na penúria, sem se desviar nunca da rota traçada, mantendo-se sempre a altura das nobres e humanitárias finalidades a que se destinou. Pois, na verdade, só quem desconhecer no dr. Miranda as suas justas dimensões de espírito e a profundeza da sua cultura, poderá impor-lhe restrições ás qualidades brilhantes e negar justo louvor e admiração á casa que tão proficienmente dirige.
E foi, mercê da sua irradiante simpatia, trato amigo, afável e cavalheiresco, ilibada conduta moral, extrema bondade e inegável competência profissional, que o dr. Miranda logrou reunir em torno a si e chamar para o seio daquele notável estabelecimento hospitalar, um plêiade brilhante de médicos ilustres-, todos eles clínicos de conhecido e reconhecido valor, profissionais idôneos, que trabalham assídua e desinteressadamente com a melhor das dedicações, zelo e carinho, prestando uma grande parcelo de benéficos serviços aos numerosos doentes das enfermarias. Eles tem dado aos seus doentes o seu prestante e continuado labôr e concorrido grandemente para que o Hospital se mantivesse sempre á altura dos seus legítimos fins.
Também não haveria grave injustiça em lembrar, aqui, a não menos eficiente e valiosa contribuição das irmãs, farmacêuticos e dentistas, dos auxiliares, enfermeiros e serventes, que bem sabem que a utilidade nunca se esqueceu de nobilitar os que se servem.
Estes heróis obscuros e anônimos, nunca aparecem, nada pedem, nada impõem, não conhecem o louvor, e são como a pedra angular, que na profundidade ignorada, costuma sustentar a grandeza dos soberbos edifícios.
Já nãos mais constitue estranheza dizer que o Hospital Regional, que tanto beneficia a nossa cidade, é também um dos bem mais organizados do Estado. Ele é, presentemente, uma das maiores instituições que a cidade conta no seio, digna, porisso, do nosso melhor apreço e dos nossos mais entusiasmados louvores.
Ainda agora ele acaba de receber grande cópia de material- farmácia, laboratório e cirurgia, destinados aos serviços da casa, vendo-se, dest’arte, grandemente ampliado na sua capacidade podendo dispensar melhor e mais conveniente tratamento aos inúmeros doentes alli internados.
Para dar uma ligeira idéa dos enormes e reais benefícios que o Hospital tem dispensado á população, do profundo e continuado labôr dos que lá mourejam diariamente, alinharemos abaixo algumas cifras referentes a uma pequena parte dos trabalhos ali executados, durante o ano de 1937.
Ano de 1937
Doentes que compareceram ao ambulatório----------------------------------------------------28.555

Receitas aviadas na farmácia------------------------------------------------------------------------7.884

Doentes Hospitalizados-------------------------------------------------------------------------------1.426

Compareceram a secção dentaria-----------------------------------------------------------------2.358

Exames de laboratório--------------------------------------------------------------------------------1.542

Operações-----------------------------------------------------------------------------------------------375

Radiografias--------------------------------------------------------------------------------------------370
Verifica-se pelo exposto, que o Hospital presta realmente a população enorme soma de reais benefícios.
Contudo, é preciso que se diga, que o Hospital se ressente enormemente da falta de um pavilhão de isolamento e dum pavilhão para tuberculosos, destinados a isolar os doentes que, vitimas por moléstias contagiosas, não possam ser tratados convenientemente nas enfermarias. Nem se pode conceber mesmo, que um hospital de tamanha capacidade e não menor eficiência, não possua o seu imprescindível pavilhão de isolamento, pelo menos. A construção de tal pavilhão para o Hospital, constitue hoje uma necessidade inadiável.
Verdade seja também que a estreiteza da verba a que o Hospital tem de se amoldar e o pouco pessoal que dispõe, no momento, constituem, sem duvida, sério entrave ás suas funções. Afastados os ôbices, que acabamos de apontar, o Hospital estaria em ótimas condições de dispensar melhor tratamento a seus doentes e proporcionar à coletividade maior soma de benefícios.
Errados andaríamos si, ao finalizar estas linhas, dexassemos de dirigir um apelo ao Dr. Benedito Ribeiro Valadares, em favor da nossa melhor instituição hospitalar.
Estamos certos de que o governador Valadares, esse grande estadista que se impôs á admiração a nossa gente, como uma das colunas mestras na reconstrução do Estado Novo, e a cuja larga e clara visão jamais escapou qualquer problema que dissesse respeito ao bem estar coletivo, não nos faltará com o seu sopro vivificante, voltando as suas vistas para a nossa mais notável e útil instituição, pois, o desenvolvimento e melhoria dela, depende direta e exclusivamente, de quem tão bem soube conquistar a simpatia e a consciência do povo mineiro.   
Extraído do jornal “O Município” 01/09/1938, p. 04
*Escrito como no original
Hospital Regional Samuel Libanio- 1930
Acervo do MHMTT
Ambulatorio do Hospital Regional- Década de 30

Imagens da cidade

Catedral- 1894
Acervo do MHMTT
Praça Senador José Bento- 1894
Acervo do MHMTT
Avenida Dr. lisboa- Desfile do dia 07/09/1918
Acervo do MHMTT
Chegada de Dom Nery- 1901
Acervo do MHMTT

Marco do dia

18/06/1945: É expedida a Lei n° 2.160 criando o 2° Grupo Escolar com o nome “Hermantina Beraldo”, e instalado no dia 28/05/1946.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Curiosidades


No passado, a denominação de ruas e praças, em uma municipalidade, sempre tinha por homenagear figuras de relevo, datas ou fatos históricos, porém, nem sempre era aceita pela população, a qual adotava, espontaneamente, um nome mais popular, ligado a certas características, da rua, ou a algum acontecimento.
Vejamos alguns nomes antigos de ruas e praças de Pouso Alegre, as quais eram conhecidas popularmente por:
Rua do Imperador: Antigo nome da Avenida Doutor Lisboa no tempo do Império, dado pelo Senador José Bento.
Rua da Outra Banda, Boa Vista ou Cadeia Queimada: Atual Rua Silvestre Ferraz. Situava-se do outro lado de um brejal. Aí uma antiga cadeia incendiou-se. Foi a primeira rua que se formou na cidade.
Rua dos Coqueiros: Trecho inicial da Rua Comendador José Garcia, onde havia alguns coqueiros em uma residência.
Rua das Taipas: Trecho da Rua Comendador José Garcia, a partir do P.A.F.C até o final da rua. Referia-se ao muro de taipa da rua.
Rua da Palha: Atual Rua Cel. José Inácio. Havia um milharal ao lado onde, após a colheita, os animais soltos procuravam restos de milho entre a palha.
Rua das Pedras: Atual Rua Adolfo Olinto. Antiga Rua da Prata. Era pavimentada com pedras no treco do morro, para evitar-se a erosão provocada pela enxurrada.
Morro das Cruzes: Atual Avenida Getulio Vargas. Havia três cruzes no alto do morro, erguidas por escravos, segundo a tradição.
Largo da Cadeia: Ocupava o quarteirão onde foi construído o antigo Pouso Alegre Pouso alegre Hotel.  
Rua da Ponte: Chamava-se Rua Senador Eduardo Amaral. Ia do Largo da Cadeia, atravessava a linha férrea e terminava na ponte sobre o Rio Mandu. Desapareceu com o prolongamento da Av. Dr. Lisboa até a estação.
Rua do Brejo: Atual Rua João Basílio- Havia em cada sarjeta uma canaleta para drenar o terreno, que era muito úmido, e sobre a mesma havia pinguelas que davam acessos às residências.
Rua das 7 Casas: Av. Abreu Lima- Havia na rua 7 casas geminadas e iguais.
Largo do Rosário: Atual Praça João Pinheiro. Aí foi levantado o pelourinho, em frente à primitiva igreja do Rosário.
Rua dos Tocos: Atual Rua Monsenhor Dutra. Havia na esquina com a Comendador José Garcia vários tocos de madeira fincados no chão pelo proprietário do terreno, que estava em demanda com a Prefeitura e impedia a passagem de veículos.
Beco do Crime: Travessa Vereador Joaquim Manoel dos Reis. Aí foi assassinada uma jovem pelo seu namorado, na noite de Natal de 1951.
Rua do Arame: Atual Rua Samuel Libanio. Os terrenos dessa rua eram divididos por cercas de arame farpado.
Rua do Biju: Atual rua Monsenhor José Paulino. Residia nesta rua Marcelo Cáceres, conhecido popularmente por “Biju”. Figura pitoresca, dono de um ferro-velho, que nas horas vagas fazia propaganda na rua, de comércio, cinema, festas, etc. Vendia também casquinhas de biju.
Os Quatro Cantos: Área compreendida entre as ruas Bueno Brandão e Coronel Pradel, no sentido da subida do morro, e a rua David Campista e Rua da Tijuca, no sentido horizontal. Aí situava-se a zona boêmia (R. David Campista), e no alto do morro, barracos de gente pobre. Era local de má fama.
Rua da Caixa d’água: Atual Bueno Brandão. Rua que dava acesso à antiga caixa d’água, no bairro da Saúde.
Morro do Querosene: Rua da Tijuca e adjacências. As casas eram iluminadas por lampiões e lamparinas.

Extraído do livro “A História de Pouso Alegre” de Octávio Miranda Gouvêa, 2004.
Planta da cidade de Pouso Alegre- 1927
Acervo do MHMTT

Imagens da cidade

Praça Senador José Bento- Década de 40
Acervo do MHMTT
Bar Recreio- 1980
Acervo do MHMTT
Colégio Sao José e Seminario Diocesano- Década de 40
Acervo do MHMTT
Cadeia Publica- Década de 20
Acervo do MHMTT
Palacio Episcopal- Década de 30
Acervo do MHMTT

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Os Italianos em Pouso Alegre


É inegável o fator progressista que as correntes imigratórias trouxeram ao nosso país.
Dentre elas, a italiana corresponde a uma excelente parte.
Pouso Alegre, município não cafeeiro, não teve o afluxo de outras cidades interioranas preferidas pelo intenso cultivo da rubiácea. Os que aqui aportaram, desenvolviam mais atividades artezanais que propriamente agrícolas.
Ainda assim, com a instalação da Colônia Francisco Sales, na Faisqueira, ali localizaram-se inúmeros italianos, alguns dos quais ainda residem naquele local, dedicados á agricultura. Ao que parece certo, entre 1880 a 1890, data o aparecimento dos primeiros italianos em Pouso Alegre.
João e Pedro Scapulatempo, foram os primeiros. O primero, comerciante arrojado e o segundo caldeireiro.
De 1890 a 1900, o numero cresceu. Antonio Rigotti, com fábrica de cerveja. Pedro Chiarinni e seus filhos Angelo, Francisco e Alexandre (agricultores e comerciantes). Marieta Consoli e seus filhos João e Eugênio Consoli, José Contrucci dos Santos (Zeca- Santo) comerciante no alto das cruzes. José Chiarinni e Carolina Renzeti Chiarinni, Pascoal e Antonio Bartolomei (ambulantes). Francisco, Pedro, Domingos e José Matei. Luis e André Gianini, Jacinto e Angelo Navri (transportadores). Angelo Tadelli. Antonio Antonelli (barbeiro). Girolamo Pagliarini (Hotel e Barbearia). Nicola Laraia (sapataria). Marcolino e Angelo Guersoni (olaria e cerâmica).
Na primeira década do século, aqui se instalaram Francisco Campanella (relojoaria, posteriormente casa de bicicletas). Francisco Matragrano (fábrica de calçados). Roque de Maio (confeitaria Progredior, famosa até 1925). Rizzieri Butti (fábrica de bebidas e cerveja). Pascoal Ambrosio (sapateiro). Cristoforo, Miguel e Braz Vita (comerciantes e sapateiro). Isidoro Tiburcio (fábrica de móveis). Olinto Tiburcio (comerciante). Felicio e Vicente Pascoal. Pedro, José e Artur Carleti, Antonio Ferrari (casa de móveis). Rergio Arnaldo Carneveli (elemento dinâmico, introdutor do primeiro cinema no Sul de Minas) fundador da cidade Italiana de Mutuo Socorro (1910). Angelo Marzulo (fabricante de macarrão). Inocencio Fabbri (mamorista). Miguel e Olinto Bertoluci (comerciantes). Braz Vitali (alfaiataria). Enrique Constanti (cortume). Vito Laraia (cortume). Nicolau Barati. Demétrio e Domingos Casarini (agricultores). José Boschi (olaria e cerâmica). Luis Saltini (alfaiate). Braz Frusco, Maestro Sartori, José Canela, Miguel Malvacini, Isidoro Verdi, Adolfo Binassi (açougue). Antonio Viali (Açougue). Pio Gissoni (construtor). Antonio e Maestro Antonio (frentistas). Joã Bertolacini (casa de comércio no Largo do Mercado). Agnelo Bertolacini, Salvador Ventre Natal (comerciante). José Inocente (Roma). Domingo Motnori (agricultor). Cesar Ceconeli (sapateiro). Romulo de Marchi (pintor). João Pata, Deodato Seda. Caetano Russo (confeitaria). Angelo Leone (sapataria). José Gambi.
Na segunda década, Domingos e José Caudino (construtores). Feliz Bove (organizador do primeiro jogo de polo). Miguel Saponara (relojoaria). Cesar de Leteaux (relojoaria). Primo Volponi (comerciante). Agostinho Odisio (escultor). Pompilho Ferrini (fábrica de macarrão). Jeronimo e Higino Puccini (fotógrafos). José del Pichia, Domingos Albanez (marmorista). Vicente Charlante, Cirilo Spolsimo, Casalechi Sofonisbo.
Até 1920 era intensa a vida associativa da colônia italiana.
Reunindo-se nas cervejarias, nas disputas das boccias e na sede própria da Sociedade a discutir política e os problemas da terra distante, tornavam divertidas e amenas suas vidas em nossa cidade. Quase todos liberais, eram Mazzinianos, Garibaldinos e de Cavour, de tendências acentuadamente socialistas. Muitos poucos eram monarquistas por convicção, embora os retratos do rei e família figurassem em muitos lares.
As reuniões nos campos de boccias, tornam-se divertidas. As disputas de ter-sete, patrone e soto bocias, davam margem á aproximação e alegria. As canções da terra eram entoadas.
Santa Lúcia, Torna a Surrento, Il Ino dei Lavoratore (Bandeira rossa), il 24 de Maggio, La Canzone del Piave, cantadas ora por uns, ora por outros, uniam ainda mais os italianos.
Raras foram as desinteligências entre os membros que sempre conservaram amizade e dedicação á nossa terra.
Parece não constar mesmo qualquer deslise policial na vida de toda colônia italiana em Pouso Alegre.
Hoje, o numero de italianos é bem menor. Desaparecidos inúmeros que figuram na lista presente, ainda assim, os que restam, alguns quasi nonagenários, prestam seu concurso e seu trabalho a nossa terra, dignificando a terra de Mazzini, Cavour, Antonio Gramsci, Garibaldi e Dante. Ao focalizar no centenário de nossa cidade as atividades e a cooperação dos italianos em prol de Pouso Alegre, o fazemos certos de interpretar os sentimentos dos pousoalegrenses por uma aglomeração honesta, produtiva, democrata e progressista.     
Extraído do Jornal “A Cidade”  19/10/1948, p. 5
*Escrito como no original