Esteve como destaque no mês de junho a obra “O tesouro
do imortal desconhecido” de Mayke Riceli. Um romance de cunho histórico,
abordando o cotidiano do escritor Amadeu de Queiroz em sua trajetória de vida.
Mayke
Riceli nasceu em Pouso Alegre-MG, em 1985. Viveu em Ipuiuna-MG até os 10 anos,
quando voltou para sua terra natal. É licenciado em Letras pela Universidade do
Vale do Sapucaí. Desde 2005, trabalha no Museu Histórico Municipal Tuany
Toledo, em Pouso Alegre.
Acesse o link e faça o download da obra completa pelo:
http://www.4shared.com/office/UnldFGgX/O_TESOURO_DO_IMORTAL_DESCONHEC.html
Tradutor
sexta-feira, 22 de junho de 2012
Carmelo da Sagrada Família
O Carmelo da Sagrada Família foi fundado a 26 de
Outubro de 1943, pelo Bispo Diocesano Dom Otavio Chagas de Miranda.
Essa obra foi idealizada e tornou-se realidade pelo
piedoso zêlo de D. Delfim Ribeiro Guedes, então Reitor do Seminário N. S.
Auxiliadora.
Com a cooperação de generosas benfeitoras e o apoio
geral do bom povo de Pouso Alegre, conseguiu adquirir o antigo prédio, do Cel.
Joaquim Ribeiro de Abreu, onde se instalou e funcionou por 14 anos, o Carmelo
da Sagrada Família.
As Monjas Carmelitas que deram início a essa abençoada
fundação, vieram do Carmelo de S. Terezinha, da cidade de Campinas.
Fundado sem patrimônio, por especial concessão da S.
Sé, o Carmelo da S. Família tem se sustentado de esmolas liberais do bom e
caridoso povo desta diocese.
Em 1951 iniciou-se um movimento em beneficio da
construção do Mosteiro regular, para satisfazer as exigências da vida
monástica, professada pelas Carmelitas.
A Divina Providência abençoou milagrosamente a
silenciosa campanha das Filhas do Carmelo.
As esmolas chegaram de todos os recantos do Brasil e o
Carmelo, como um baluarte de fé e piedade, irmana as alunas na caridade de
Cristo.
A Benção da pedra fundamental realizou-se no dia 28 de
Março de 1953, pelo Cônego João Aristides de Oliveira.
Graças a cooperação de um grupo de amigos, de
incomparável dedicação, a obra prosseguiu rapidamente, podendo inaugurar-se o
novo Carmelo a 29 de Setembro do corrente ano.
Falta apenas a Capela. Mas entusiasmo dos generosos
amigos do Carmelo, promete tornar, muito em breve, em sublime realidade, o
majestoso Santuário do Deus Eucarístico.
Extraído da Revista “Informativo
Pousoalegrense” 1957, p. 29
*Escrito como no original
Imagens da cidade
![]() |
| Praça, Catedral- Década de 30 Acervo do MHMTT |
![]() |
| Gremio Literario, Cadeia ao lado- 1920 Acervo do MHMTT |
![]() |
| Grupo Escolar Monsenhor José Paulino- 1920 Acervo do MHMTT |
![]() |
| Praça Senador José Bento- 1928 Acervo do MHMTT |
![]() |
| Praça- Década de 30 Acervo do MHMTT |
![]() |
| Igreja de Santa Cruz, ao lado do Cemitério Velho- 1883 Acervo do MHMTT |
quinta-feira, 21 de junho de 2012
O Ensino em Pouso Alegre (Década de 50)
A cidade de Pouso Alegre é incontestavelmente um
grande centro educacional. Inúmeros estabelecimentos de ensino enriquecem o
patrimônio cultural de nossa cidade. Centro de irradiação de instrução, Pouso
Alegre, se inscreve no cenário cultural do Suld e Minas, como a expressão mais
forte e positiva do ensino quer primário como secundário. Comecemos com um
retrospecto dos nossos estabelecimentos de ensino.
Ginásio e Escola Normal “Santa
Dorotéia”
O Ginásio e Escola Normal “Santa Dorotéia”, foi
fundado em 11 de fevereiro de 1911.
Funciona em maravilhoso edifício próprio, montado com
todos requisitos modernos de educação, e conta este ano com 510 alunas
incluindo todas as séries desde o Jardim da Infância até o 3° ano do
Curso de
Formação.
Colégio São José
O Colégio São José, instalado em majestoso edifício
próprio , possuindo bela piscina, é um
ginásio moderno e de educação moderna. O colégio vai nestas férias
entrar em obras para maior comodidade dos alunos e magnificência das
instalações.
É seu atual diretor o Padre Carlos Colombo, emérito
educador e administrador. Conta atualmente com 430 alunos.
Escola Técnica de Comércio
A Escola Técnica de Comércio São José, dirigida pelos
professores Dr. Geraldo Clemente de Andrade e Alberto Péres, acha-se localizada
em magnífico prédio próprio, com todas as instalações modernas, tornando-se
incontestavelmente numa das maiores casas de ensino de Pouso Alegre. Nas suas
diversas séries frequentam 337 alunos de ambos os sexos; funcionam regularmente
com cursos de Admissão, Comercial Básico e Técnico de Contabilidade.
Escola Doméstica “Santa
Terezinha”
Sob a direção da madre Lydia Bueno de Oliveira,
funciona a Escola Doméstica “Santa Terezinha”, com a frequência de 60 alunas.
Está em acabamento as obras para um pensionato que vai
funcionar anexo à Escola.
As irmãs da Escola Doméstica “Santa Terezinha” exercem
na cidade, um trabalho muito interessante e elogiável de Assistência Social,
não só no perímetro urbano como suburbano.
Escola Profissional “Delfim
Moreira”
Esta Escola foi fundada pelo nosso querido Bispo D.
Otávio em 19 de março de 1917.
Atualmente é dirigida pela Congregação Religiosa dos
Filhos de Maria Imaculada e ministra educação e instrução literária
profissional a menores órfãos desvalidos.
Está com seu novo e imponente prédio prestes a ser
inaugurado.
Os alunos ai aprendem a arte tipográfica, alfaiataria,
horticultura,sapataria.
Orfanato Nossa Senhora de Lourdes
Esta casa que tem a direção das Irmãs da Caridade, é
sustentada pela Associação de Caridade de Pouso Alegre.
Destina-se ao amparo das crianças pobres e desvalidas,
tornando-se numa casa de verdadeira caridade, tantos benefícios congrega em seu
selo. É uma casa que realmente representa o espírito caridoso de nosso povo.
Seminário Diocesano
Funciona em prédio próprio e foi fundado em 8 de
setembro de 1899, sob a invocação de Nossa Senhora Auxiliadora. Tem como
diretor o Cônego Sebastião Vieira. Conta atualmente com 81 seminaristas.
Escola Prat
A escola de datilografia funciona sob a competente direção
da professora Euridice Carvalho Coutinho, e todo ano dá a nossa cidade grandes
turmas de alunos que ali buscam aperfeiçoamento tornando-se magníficos chefes e
funcionários.
Seminário “Santo Antonio Maria
Claret"
Fundado em 2 de junho de 1956, dirigido pelo Padre
Irineu Balestero C.M.F, reitor.
Conservatório Estadual de Música “Juscelino
Kubitschek”
Dirigido pelo Capitão João Soares de Sousa. Criado em
14 de dezembro de 1951, pela lei Estadual n° 825, instalado oficialmente em 30
de maio de 1954.
Grupo Escolar- Prof. Joaquim
Queirós-
O Grupo Escolar “Professor Joaquim Queirós” é dirigido
pela professora Cecila de Souza, tendo como auxiliar a Professora Evangelina
Meireles Miranda e 14 professoras, e foi intaldo em 1° de fevereiro de 1949.
Grupo Escolar- Monsenhor José
Paulino-
Este foi o primeiro Grupo instalado em nossa cidade,
no dia 6 de Agosto de 1912; é atualmente dirigido pela professora d. Cleonice
da Silva Caldas, auxiliada pela professora Josefina da Costa Ferreira e conta
com 15 professoras.
Grupo Escolar- Hermantina
Beraldo-
Instalado em 28 de Maio de 1946; é dirigido pela
Professora Maria das Dores Lamounier de Vilhena que é auxiliada pela Professora
Tarcila Paiva de Carvalho. Tem 20 professoras.
Grupo Escolar –D. Otavio
Fundado em 27 de Fevereiro de 1954, tem como Diretora
a Professora Clarisse Toledo e como auxiliar Jandira Ribeiro Tosta. Tem 10 professoras.
Grupo Escolar- Presidente
Bernardes-
Fundado em 2 de fevereiro de 1956 é dirigido pela
Professora Clarisse Caldas, tendo como auxiliar Prof. Lourdes Andery e 11
professoras.
Pouso Alegre ainda contava com 35 escolas municipais
na década de 50.
Extraído da Revista “Informativo
Pousoalegrense” 1957, p. 17-20
*Escrito como no original
![]() |
| Colégio Sao José e Seminario- Década de 40 Acervo do MHMTT |
![]() |
| Grupo Escolar Monsenhor José Paulino- 1920 Acervo do MHMTT |
![]() |
| Colégio Santa Dorotéia- 1930 (Atual Conservatorio) Acervo do MHMTT |
![]() |
| Escola Profissional- 1930 Acervo do MHMTT |
Imagens da cidade
quarta-feira, 20 de junho de 2012
Capela do Rosário
No testamento que o Alfares Manoel de Castro fez e com o qual faleceu na
Vila da Campanha da Princeza em 20 de novembro de 1823 e cuja cópia se acha
transcrita no 1° livro de óbitos da Catedral de Pouso Alegre, consta entre as
suas disposições de ultima vontade para ser cumprida pelos seus testamenteiros:
José Francisco Pereira, José Pereira Ramos e João Ribeiro da Silva, todos
residentes no arraial do Mandu, a seguinte declaração- “manda conduzir toda madeira necessária para a Igreja do Rosário da
Freguezia de Pouso Alegre, onde residia”.
Pelo disposto desse legado, em falta de outros informes que prove a sua
construção anos anteriores, verifica-se que a primitiva Capela do Rosário
estava sendo construída naquele ano no então arraial de Pouso Alegre, e graças
a tão generosa dádiva poude dar andamento ao início de suas obras.
Além dessa dádiva outras mais se sucederam, e a sua construção foi muito
demorada, visto depender sempre de inúmeros auxílios. Ainda a esse respeito
declara a cópia do testamento de Ana Tereza de Carvalho, feita em 29 de maio de
1826 em Pouso Alegre e que se acha transcrita também no citado livro de óbitos
da Catedral, às páginas 152, verso, que diz: “deixo para as obras do Rosário 4$”. Dois valiosos documentos esses
afirmativos de que jamais haveriam de arrefecer aqueles tão vivos sentimentos
de fé que fizeram surgir em 1799 a Capela do Senhor Bom Jesus nesta localidade
e que mais tarde, em 1810, se transformaria em Matriz da Freguezia de Pouso
Alegre, vulgarmente denominada do Mandu onde se prosseguia no ano da graça de
1823 a construção da Capela da Senhora do Rosário que, mais tarde se
transformaria provisoriamente em Matriz da Freguezia para maior gloria de sua
existência e de sua historia.
Realisou-se destarte o inicio das obras da Capela, muito embora para ser
ultimada a sua construção, através de anos sucessivos, tivesse recebido
seguidamente dádivas do povo.
A sua edificação parecia a principio um exagero e uma espécie de luxo do
povo em querer possuir mais uma igreja no arraial. Entretanto, ao contrario,
não tendo sido esses os seus fundamentos de origem, a sua construção dependei
principalmente da devoção não só dos homens de cor como de toda a população da
Freguezia, muito embora nessa época dominasse o espírito de classe tal como
estava dividia a sociedade local, quiçá como em todo paiz, em senhores e
escravos, pois a verdade é que toda população concorreu para a sua edificação.
E foi por força da fé viva religiosa dominante e o espírito de
associação dos homens de cor de então que se conseguiu a construção dessa
igreja.
Nada mais natural que os miseráveis e infelizes escravos
pousoalegrenses, tivessem a sua igreja a exemplo de toda Minas e, coligados,
para o mesmo fim, de migalha em migalha edificassem com o auxilio de seus
senhores no antigo largo da Alegria, praça deixada em aberto pelo Padre José
Bento, vigário de então, no lugar chamado Rancho, em Pouso Alegre, hoje Parque
Municipal, á Praça João Pinheiro, com a intenção de se construir ali a Capela
do Rosário com essa invocação, dedicada á Santa Tereza Protetora de sua classe.
Tal milagre e prodígio, fruto aliás cujo colaborou a fé de todos os pousoalegrenses
que, conjugados, escravos e senhores, conseguiram levantar ali esse templo que
é de grata memória para a historia de emancipação de seu solo, sobremodo porque
reconheciam todos iguais parente de Deus. Eis o móvel magnífico de seu triunfo
e o segredo primordial de sua construção.
Fora edificada de fato na esquina da rua que se chamou, por isso, do
Rosário, hoje D. Nery, com a atual Tiradentes, em conhecida vulgarmente hoje
por parque, na praça legalmente denominada João Pinheiro, um dos mais agraciados
pontos de recreio da cidade, o antigo largo da Alegria, hoje transformado num
ótimo Horto Florestal da cidade, cheio de arvores e pássaros, fazendo inveja a
muitas cidade.
De feitio simples, com frontespício de chalé, a Capela do Rosário, tinha
em frente, nesse largo denominado outrora da Alegria, um grande Cruzeiro de
madeira de lei, eregido onde está hoje precisamente a Padaria Alemã, tendo em
volta de seu pé um patamar de pedras toscas e soltas, cujo local ainda
alcançamos. Á sua historia esta ligado num fato relevante da historia da
cidade, pois, foi ali, que, em 6 de Maio de 1832, o Dr. Francisco de Paula
Cerqueira Leite por comissão do Ouvidor da Comarca do Rio verde da Vila de
Campanha da Princeza, de conformidade com as ordens expedidas pelo Exmo.
Presidente em Conselho da Província e da Resolução da Assembléa Geral
Legislativa de de 13 de outubro de 1931, levantou o pelourinho de sua
emancipação municipal.
Esse ato, celebrado naquele dia com todas as solenidades do estilo em
presença de grande numero de cidadãos, provocou demonstração de alegria e
contentamento em todos que repetiram vivas á religião Católica, a Assembléa
Legislativa, a sua Majestade o Imperador Pedro II e a Regência. O relato desses
acontecimentos, segundo o termo aberto á pag. 1, que descobrimos transcrito no
auto avulso referentes esses fatos e existentes no Arquivo Publico Mineiro,
consta do ato de levantamento do pelourinho
mais atos praticados nesse dia da instalação da Vila de Pouso Alegre.
Sobre o que se refere acima, o auto de ereção da Vila de Pouso Alegre
nada diz quanto a discrição do referido pelourinho.
Na mesma data em que publica o alvará, faz Cerqueira Leite erguer o
pelourinho no Largo do Rosário e, tal como foi lavrado na ocasião, reza o auto:
“com a solenidade do estilo no lugar onde
se considerou mais próprio e a como do, e justamente vem a ser no Largo da
Alegria da dita Vila, defronte a Igreja do Rosário”.
Assim o pelorinho da Vila foi erguido nesse largo por ser este um dos
logares mais públicos da povoação e por ter uma Igreja o que fizera preferido
aos outros, conforme determinava a lei antiga.
Ficando nesse local entre a Igreja e o Cruzeiro, ele devia ter
consistido apenas em um posto de madeira de lei, tal como geralmente eram todos
os pelourinhos em todas as vilas do Brasil naquela época, como muito bem
explica Salomão de Vasconcelos em seu trabalho: “O pelourinho de Mariana”, publicado em 05 de junho de 1939, em
Belo Horizonte.
Posto ali a principio como marco simbólico da jurisdição municipal,
servindo também, tempo depois, como instrumento de suplicio onde eram amarrados
e expostos para serem acoitados os negros cativos e criminosos sem nobreza,
servindo ele mais tarde como tribuna de onde se publicavam as sentenças a que
estavam condenados, os escravos, principalmente as condenações a pena de morte,
o qual desapareceu para sempre em 1850 quando esta pena foi extinta no Brasil.
Dele partiam os condenados levados pela justiça e carasco, para que
serem executados na Forca existente no alto do Cemitério Velho da cidade, onde
está hoje a Cruz de Ferro, a vista curiosa do povileo.
Foi certamente nesta coluna que esteve amarrado, algemado, Antonio
Conego, em 1° de Julho de1846, para ouvir sua sentença de morte, lavrada e
executada por Julião Florencio Meyer, juiz municipal de outrora, e foi
finalmente na Capela do Rosário que ele recebeu os últimos sacramentos da
Igreja onde confessou e orou pela ultima vez em sua vida, para em seguida ser
levado pela justiça de Pouso Alegre até o morro das Cruzes, próximo do
Cemitério, onde foi entregue ao Carrasco Fortunato por quem foi executado
naquele largo a vista estupefato do povo que atônito assistira aquele ato de
justiça humana.
Da há muito desaparecido daquele local, esse pelourinho deixará apenas o
Cruzeiro colocado a sua frente que até há bem poucos anos ali existiu, vindo a
desaparecer também para sempre por volta de 1908, quando da feitura do atual
Parque Municipal, tempo em que não mais existia igualmente a Capela. Tal como
aconteceu com o pelourinho, antes de 1889, por ameaçar ruínas, visto ser um
prédio de paus a pique, foi demolida a antiga Capela do Rosário de que por
muitos anos existiu naquela praça, conforme atesta o termo de visita diocesana,
lavrado nesta cidade por D. Lino, em 23 de setembro de 1889, e que se acha
registrado no livro de tombo existente no arquivo Diocesano deste Bispado e
aberto naquela ocasião pelo Revmo. Vigário encomendado da Freguezia Conego
Vicente de Melo Cézar, dizendo apenas existir ali os alicerces para uma nova
igreja nessa praça.
A demolição da Igreja do Rosário foi resolvida de fato em 28 e 29 de
abril de 1878, em reuniões da irmandade, realisadas na Igreja as 4 horas da
tarde daquelas datas e presididas pelo Ver. Con. Barnabé José Teixeira, estando
presentes a ela os Drs. Eduardo Antonio de Barros, Paulino Cirilo Leão da Silva
e os irmãos: Antonio e Joaquim Gomes Teixeira, o Capitão Candido Antonio de
Barros e Francisco Machado de Andréa. Reunidos estes se constituíram em
comissão deliberadora e realizadora da obra da então e futura “nova Capela que
seria edificada no centro do terreno em aberto que se acha em frente a casa da
Sra. D. Honoria Ferreira e Silva e no alinhamento de sua casa na Rua Tiradentes
com frente para o Largo do Rosário e bem assim que esta seja feita de adobes,
travamento de madeira e sobre alicerces de pedras.
É o que consta no I livro do inventario Geral da dita Igreja pertencente
ao Arquivo Paroquial da Catedral, as págs.15, tal como quiz a citada comissão
justamente no cento do terreno onde se acha a atual Igreja do Rosário,
assentaram-se alicerces de pedra dos quais em 1889 dera noticia D. Lino e sobre
os quais se construira, mais ou menos, por volta de 1906, outra igreja que veio
a cair.
A antiga Igreja dedicada a N. Sra. Do Rosário pertencia aos homens de
cor, mas a sua administração estava afeta ao vigário de Pouso Alegre e as
pessoas gradas do lugar. Era um edifício modestíssimo e sem outro valor que o
de atestar os sentimentos religiosos e a boa vontade de seus edificadores, como
faz certo Bernardo Saturnino da Veiga, em seu magnífico Almanaque Sul Mineiro,
as pag. 223, o primeiro e verídico historiador da cidade.
Era um edifício de paus a pique, baixo, em forma de um chalé, em cuja
ponta de seu ângulo havia uma cruz singela, com duas varandas laterais em meia
água, presas quasi ao seu telhado, tendo três portas, uma de cada varanda,
todas elas dando ingresso para o corpo da igreja. Do lado esquerdo, na varanda
e pelo lado de fora, havia tosco e simples, um senheiro pregado da madeira em
mão francesa. Dentro da nave nenhuma obra de arte havia de apreço e notável
relevo arquitetônico, senão muito singelicamente adornado o trono da Senhora do
Rosário, altar-mór de algum lavor em ouro.
A partir de 1849, mais ou menos, essa igreja, não obstante ser um templo
pequeno, modestíssimo e simples, serviu de Matriz da Freguesia em virtude da
construção na nova matriz que se “principiava a construir atraz da Matriz
existente”, como relata as atas das sessões extraordinárias da Câmara Municipal
de 11 e 26 de Setembro de 1849. Esta igreja que se principiava a construir e de
que falam as atas supras era a atual Catedral edificada atraz da velha Matriz
da Freguezia, a antiga e primitiva Capela do Mandu, que foi ereta em 1799,
servindo desde o inicio do Arraial como igreja mãe, e foi demolida somente
depois de iniciada a construção da nova igreja- a atual Catedral de Pouso
Alegre. E foi por isso que a igreja do Rosário funcionou por muitos anos como
matriz da Freguezia de Pouso Alegre.
Prova-se esse fato pela ata da 6ª Sessão Ordinária realisada em 16 de
outubro de 1856, pela Câmara Municipal, em que “manda o fiscal concertar as
ruas de Santa Rita (hoje Afonso Pena), e Rosário (hoje Dom Nery), antes das
chuvas, mormente onde se acha a Igreja do Rosário servindo de matriz”. Esteve
essa igreja funcionando como Matriz da Freguezia até 24 de Dezembro de 1857,
data em que se deu a inauguração da nova Igreja Matriz, a Catedral de hoje, que
foi benta naquela data pelo vigário Cônego Barnabé José Teixeira.
Assim, a respeito da Igreja do Rosário, insistimos em que ela tenha
representado um fato de alta significação para a historia administrativa e
religiosa da cidade porque perante ela se celebrou o ato oficial da elevação de
Pouso Alegre a Vila e ali que se erigiu o pelourinho- marco oficial de nossa
existência municipal, tendo servido como Matriz da Freguezia.
Recordar a sua existência é recordar as congadas, organisadas pelos
escravos da cidade, relembrando também as cavalhadas que se faziam anolucente
ali e onde tomava parte toda a população de Pouso Alegre de antanho, nos dias
festivos consagrados a Nossa Senhora do Rosário, reviver, pois, a historia
dessa igreja é relembrar enfim que ela deu nome a uma grande área urbana da
cidade.
Extraído
do Jornal “Gazeta de Pouso Alegre” 26/11/1916
*Escrito
como no original
![]() |
| Paque Municipal e Largo do Rosario- 1918 Acervo do MHMTT |
Organizada a Radio Club de Pouso Alegre, S.A.
O órgão oficial do Estado publicou já a ata da organização da sociedade
anônima aqui fundada, com o fim de crear em Pouso Alegre uma estação radio
Difusora.
Os primeiros passos concretos foram depois coroados de êxito e todos os
habitantes desta cidade devem se alegrar com a noticia auspiciosa e
sensacional.
Graças a um pugilo de homens arrojados e valorosos teremos, muito em
breve a Radio Club de P. Alegre a encher os ares do Sul de Minas com seus
ruídos sonoros atestando o nosso progresso e as iniciativas de lutadores
enérgicos e corajosos.
Não precisamos encarecer nestas linhas o valor imenso dessa estação de
Radio que será plantada nesta terra encantadora e radiosa, pois todos conhecem
de sobejo impulso que a mesma virá trazer á marcha progressista de Pouso
Alegre.
José Nunes Rebello, José Francisco de Brito, Orfeu Butti, Joaquim
Silveira, Dermeval Coutinho, Pedro Rebello e outros puzeram se a frente desse
emprendimento grandioso cujos resultados serão coroados de êxito, porque assim
o que querem seus fundadores e assim o querem nos bons filhos deste município,
que com o seu apoio e entusiasmo concorrerão para a grandesa sempre crescente
da Radio Club de Pouso Alegre, concorrendo assim para o crescimento ascencional
de Pouso Alegre, como um dos centros mais cultos e empreendedores de Minas e do
Brasil.
Extraído
do jornal “O Município” de 28/09/1939, capa
*Escrito
como no original
![]() |
| Inauguraçao da Radio Club |
Assinar:
Postagens (Atom)
















