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sexta-feira, 29 de junho de 2012

Fabrica de Colla Chimica

Quando se noticiou nesta cidade que para aqui viria uma fabrica de colla chimica, esta folha debateu largamente e assumpto mostrando as vantagens que dahi adviriam fatalmente para Pouso Alegre.
Há poucos dias noticiamos a definitiva installação dessa industria e hoje informamos aos nossos leitores, que a fabrica já está funcionando regularmente.
É o proprietário da fabrica que veio dar maior movimento e riqueza a Pouso Alegre, a firma Industrias Chimicas Renard Lmitda.
O Diretor da firma é o Sr. Otto Renard.
A matéria prima é a caseína producto que até a pouco, era entre nós relegado como inútil. Agora esse producto desta zona, será empregado todo pela firma Renard. Dentro de pouco tempo será produzido uma quantidade de caseína correspondente a 50.000 litros diários.
A colla das fabricas Renard tem sindo empregada em São Paulo com grande acceitação. Alliás isto é muito natural pois que a colla é considerada como um producto de qualidade superior egual a extrangeira. Para corroborar a nossa affirmativa transcrevemos o trecho de uma noticia a respeito das realizações do Club Paulista de Planadores, sociedade de amadores de aviação que usam aviões sem motor. Referindo-se a colla diz o “Diario de São Paulo”:
“Uma particularidade interessante dos planadores é que nos seu fabrico não se prega um único prego. Tudo é madeira collada. Pequenas taxas grantem, depois da aplicação da colla, a adherencia de umas as outras peças e são depois retiradas. Colla de tanta resistência é a da caseína que, no apparelho actualmente em exposição é originaria do estado de Santa Catharina do Laboratorio Renard, de Blumenau.
A caseína de Santa Catharina, é igual a allemã. O verniz para diversas applicações, o material do contraplacado, a colla, o material para enchimento, a tela-tudo isto nada fica a dever ao material importado.
Podemos esperar pois, muito em breve a noticia da construcçao de aviões nacionaes collados com a colla Renard de Pouso Alegre.
O Director Technico da fabrica de Pouso Alegre é o Dr. Gerhard Grunow.
Extraído do Jornal “A Cidade” 02/12/1934, p. 02
*Escrito como no original

Marco do dia

28/06/1905: Parte para Roma o Exmo. Revmo. Sr. Bispo Dom João Baptista Corrêa Nery, regressando dia 03 de novembro.
28/06/1916: Chega a Pouso Alegre Dom Octávio Chagas de Miranda nomeado Bispo em 14 de fevereiro e sagrado em Campinas no dia 04 de junho.
29/06/1919: O Bispo Dom Octávio Chagas de Miranda benze o novo edifício da Escola Normal Santa Dorothea, construído pelo Eng. Mário Gissoni.
29/06/1939: Um grupo de entusiastas pousoalegrenses, promovem a instalação da Rádio Clube de Pouso Alegre- PRJ7- Fundadores: José Nunes Rebelo, José Francisco de Brito, Mário Silveira, Pedro Rebelo, Orfeu Butti, Joaquim Silveira, Demerval Coutinho.

Imagens da cidade

Avenida Doutor Lisboa- 1948
Acervo do MHMTT
Praça Senador José Bento e Fonte Luminosa- 1940
Acervo do MHMTT
Colégio Sao José e Seminario- 1940
Acervo do MHMTT
Praça do Palacio Episcopal- 1930
Acervo do MHMTT
Colégio Sao José- 1910
Acervo do MHMTT

quinta-feira, 28 de junho de 2012

O Instituto Santa Dorotéia

Foi sem duvida em uma hora feliz para Pouso Alegre, aquela em que lhe passaram o solo as Irmãs Dorotéias. Já se escoaram desde então, 46 anos. Todos eles tem sido marcados por um labor contínuo, profundamente Cristão e humano , em favor da formação, não só da mocidade feminina de Pouso Alegre, mas, das cidades circunvizinhas.
O Instituto Santa Dorotéia possui como finalidade apostólica precípua a educação. Para este mister ele foi fundado pela MADRE PAULA FRASSINETTI. É, a educação, o seu campo de batalha na Igreja de Deus.
Em nossa terra tem sido, as Dorotéias, fiéis e exímias no desempenho de sua sublime missão. Quando as igrejas se enchem de povo em busca de vida divina. Quando no lar, a família vive a sua missão. Quando, nos hospitais, se encontram abnegadas Irmãs que suavisam as dores alheias. Quando, nos mosteiros, centenas de almas vivem o mistério da prece e da imolação. Quando, em meio ao mundo conturbado, se encontram almas de valor. Quando os seminários e comunidades religiosas se enchem de novos obreiros para a messe do Senhor, procuramos saber qual a seiva que fez frutificar tão fecunda sementeira, a resposta encontramos na educação cristã que foi ministrada. A resposta encontramos na abnegação integral da vida das educado
ras que souberam prepara para Deus, o seu povo; para o lar a esposa; para os hospitais, as enfermeiras; para os mosteiros, as monjas; para o mundo, os heróis; para o altar, os Sacerdotes; para a vinha do Senhor, novos religiosos.
Em nossa cidade é o que vem fazendo com a sua obra educativa as Irmãs Dorotéias. Há 46 anos a nossa juventude feminina, o que equivale dizer, nossas avós e nossas mães, nossas irmãs e nossas noivas vem passando por esta casa de educação, onde garantem os fundamentos de uma formação sadia para a família e a sociedade pousoalegrense.
No corrente ano, manteve o Instituto Santa Dorotéia os Cursos de Jardim da Infância, Primário e Admissão ao Ginásio, Ginasial e de Formação de Professoras, com a matricula de 500 e poucas alunas.
Há, aí, motivo de sobejo para que nosso “informativo” renda a esta entidade educacional o tributo de homenagem e incentivo a que prossiga na sua missão de semear o bem para a gloria de Deus e felicidade do mundo.  



Extraído da Revista “Informativo Pousoalegrense” 1957, p. 61
*Escrito como no original

Imagens da cidade

Rua Afonso Pena- 1940
Acervo do MHMTT
Pouso Alegre Hotel- 1938
Acervo do MHMTT
Avenida Doutor Lisboa- 1935
Acervo do MHMTT
Uma parte da Avenida Doutor Lisboa- 1935
Acervo do MHMTT
Praça- Catedral, 1940
Acervo do MHMTT

quarta-feira, 27 de junho de 2012

O algoz da execução à forca de Antonio Congo em 1846


Há tempos relatamos nesta folha a existência da forca e a execução de Antonio Congo em nossa terra no ano de 1846. Completando hoje o nosso estudo, damos a seguir a descoberta que fizemos, pela leitura das “Ephemerides Mineiras”, de José Xavier da Veiga, vol. III, pagina 114, edição de 1897, que foi o carrasco Fortunato o algoz dessa execução, cujo traço biográfico é o seguinte:
“Fortunato José era natural da freguezia de Lavras, escravo de João de Paiva, cuja viúva- d. Custodia- criou-o com bondade e carinho. Esse tratamento, generoso, quasi maternal, não impediu que se tornasse de mãos instintos, ingratos, entregando-se cedo ao jogo, a embriaguez e a outros vícios. Admoestado frequentemente, mas com brandura, por sua Senhora, criou-lhe ódio, e um dia enfurecido, prostou-a morta com bordoadas. Foi isso em 1833, tinha então 25 annos o miserável, predestinado a vida medonha e abominável”. Assim, “Preso, julgado e condenado a morte, recolhido a cadeia de Ouro Preto, foi a pena comutada na prisão perpetua de acordo com ele com a obrigação de servir de algoz em Minas a outros miseráveis condenados a forca”.
Fortunato dizia-se “empregado publico” no seu oficio de executor da justiça. Falava que as primeira execuções lhe repugnaram, principalmente se eram mulheres que ia enforcar. Quanto aos homens ficou habituado logo e cumpria essa obrigação insencivelmente.   
“Contava sempre que, de ordinário, os sentenciados revoltavam-se contra os sacerdotes que buscavam suavisar-lhes os tristes e últimos momentos”.
Dizia mais “que, nos oficio dormia em comum com os demais presos, inclusive aquele que tinha de enforcar. Mas, certa vez, estando na cadeia de Pitanguy, um desses sentenciados a morte deu-lhe, durante o sono profundo das navalhadas, desde então ficou sempre separado dos presos condenados a morte”.
Tudo isso contava esse negro boçal, como diz Xavier da Veiga, no seu cinismo inconciente, afecto ao mais repugnante e hediondo viver, falando indiferentemente dos próprios atos, com jatancia mas sem vexame.
Notava que devendo o “emprego” ser-lhe rendoso pagavam-lhe mal.
“Fortunato era alto, musculoso, ainda forte em 1877 quando morreu, apezar dos seus 69 anos, dos quaes 44 de prisão, passou na cadeia de Ouro Preto grande parte, onde faleceu, após ter realisado 87 execuções judiciária” durante sua própria vida, até 1874, época em que foi abolida a pena de morte no Brasil, conforme relação que fornecera ele próprio.
Queixava-se no fim da vida, de reumatismo.
Dizia que “se obtivesse a liberdade iria viver socegado em algum canto”.
Segundo o seu relato exerceu seu horroroso oficio em 29 localidades de Minas e duas na Província do Rio de Janeiro, em cuja sombria resenha de suas execuções está uma única em Pouso Alegre.
Basta considerar que a pena de morte foi extinta em 1874, sendo que durante todo seu vigor Fortunato foi o único algoz oficial de Minas. Morrendo nesse posto em 1877, antes ele relata as 87 execuções feitas em diversas localidades mineiras, onde conta uma em Pouso Alegre.
Diz Xavier da Veiga: “Fortunato era acusado de ter enforcado seus pais em S. João del-Rei, ele protestava dizendo que taes execuções foram feitas por seu antecessor Antonio Rezende e todas demais execuções desde 1833 em Minas foram feitas por ele”.
Essa declaração por si só, nos convence de ter sido a execução de Antonio Congo a única feita em nossa terra, sobretudo quando sabemos que só as vilas podiam ter forca, e esta só apareceu aqui (depois da criação da Vila em 13 de outubro de 1831) em 4 de janeiro de 1835 quando se instalou pela primeira vez o júri de sentença, de acordo com a lei que o criava nos municípios.
Estas são finalmente as noticias sobre a lúgubre existência aqui vindo em 1874, a requisição do Juiz Municipal Julião Florencio Meyer, por intermédio da Câmara, para esse triste mister, ganhando apenas 1$021 reis por essa execução, conforme autos findos existentes no cartório crime desta cidade.
Assim, unicamente devido a abominável lei da pena de morte de tão triste lembrança, como bem disse Xavier da Veiga: “esse miserável, esse desgraçado, esse prescrito anônimo das alegrias e da luz!... tinha também uma alma obscurecida pela ignorância, pela fatalidade de um instinto irreprimível, foi se enegrecendo progressivamente cada dia internando-se mais e mais na zona tenebrosa, supremamente infeliz no seu irremediável destino”.
De quase meio século de cárcere e de objeção incomparável um oficio sinistro! Que ainda se fala em restaurar no Brasil.

Extraído do Jornal “A Cidade” 05/05/1936, p. 2, por Eduardo Amaral de Oliveira
*Escrito como no original

Imagens da cidade

Avenida Doutor Lisboa- Grupo Escolar Monsenhor José Paulino, 1930
Acervo do MHMTT
Banco Itajuba (atual Caixa Economica) 1934
Acervo do MHMTT
Trecho da Avenida Governador Valadares (Dr. Lisboa)- Década de 40
Acervo do MHMTT
Casa Minchetti- 1919
Acervo do MHMTT
Avenida Doutor Lisboa- Década de 60
Acervo do MHMTT