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sexta-feira, 6 de julho de 2012

Club Literario e Recreativo

O Club Literario e Recreativo de Pouso Alegre, é, innegavelmente, uma das causas do legitimo orgulho dos pousoalegrenses.
Obra de esforço, de grandioso trabalho, tem sido o Club a sala a sala de visitas da cidade, que recebe nos seus salões as figuras illustres que nos visitam.
Nos salões do Club Literário e Recreativo reúne-se a sociedade pousoalegrense nos dias de festas, de sessões literos-musicaes. Naquelles amplos e luxuosos salões são homenageados muitas vezes os pousoalegrenses illustres.
Alli se fazem novos conhecimentos, alli se reúnem os velhos amigos depois do trabalho diurno, alli se estreitam laços de amisade.
O edifício do Club, enfeita a praça Senador José Bento. Collocado bem no centro da praça em frente a fonte luminosa, tendo ao fundo um magnífico terraço de onde se descortina uma vista mara
vilhosa, o prédio do nosso Club constitue, sem duvida, um dos motivos de belleza desta cidade.
A escadaria de mármore que da ingresso aos salões de cima impressiona muitíssimo bem. As salas de jogos são amplas, arejadas. Na primeira sala, a direita, fica a mesa de xadrez.
Às 13hs do dia há distribuição de café aos sócios. Mas é as 20 horas que o café da noite reúne nas salas um grande numero de sócios.
Propositadamente deixamos para o fim o que o Club Literario e Recreativo tem de extraordinário valor, de um valor inestimável: a sua bibliotheca, composta de obras admiráveis, de literatura, Sciencias, Direito, medicina, Engenharia, etc.
Não se pode calcular o quanto de esforço e de boa vontade custou a Bibliotheca. Custou muitos pedidos, muitos apellos, muito dinheiro, muito trabalho e sobretudo grande amor, o immenso carinho que o Cel. Joaquim Mariano Campos do Amaral tem pela sua obra.
Ainda este anno o Cel. Campos desejava para a Bibliotheca o total de 4000 volumes. Pois já se chegou aos 500 e já passou para frente.
A Bibliotheca está com 5000 volumes, 300 duplicatas, 5000 revistas, jornaes e mappas.
A actual Directoria pretende fazer uma reforma na bibliotheca vendendo as estantes antigas e mandando construir prateleiras novas, systema americano. Já foram fornecido os dados para a confecção de orçamentos. Só depois destes promptos, se resolverá se o serviço deve ser feito de aço, cimento armado ou simplesmente de madeira.
Esse trabalho em favor de nossa bibliotheca, tem a sua frente o venerando Cel. Campos do Amaral, presidente do Club, cujo esforço em prol dessa instituição  é proclamado por todos os amigos do Club.
Os pousoalegrenses devem pois se alegrar com o enriquecimento constante e progressivo do Club Literario e Recreativo.
Todos aquelles que puderem ajudar a Directoria devem fazel-o, pois contribuem para a grandeza de uma obra que só será devidamente apreciada pelos que, vendo a sua extensão expelendida não contemplaram o seu crescimento, dia-a-dia, impulsionado por mãos generosas, vigorosas e bemfasejas.
É a seguinte a actual diretoria do Club Literario e Recreativo de Pouso Alegre:
Presidente- Cel. Joaquim M. Campos do Amaral; Vice pres. : Antonio Carlos Garcia de Faria; Orador- Dr. José Garcia Coutinho; Thesoureiro- Jayme Gomes; 1° secretario: Castorino Silva;  2° secretario: Dionysio Machado; Bibliothecaria: Josephina Silva.  

Extraído do Jornal “A Cidade” 16/02/1936, capa
Escrito como no original

Imagens da cidade

Missa- Catedral em construçao, década de 50
Acervo do MHMTT
Desfile escolar na parada de 07/09/1948
Acervo do MHMTT
Faculdade de Direito em construçao- Década de 60
Acervo do MHMTT
Marco do Centenario da cidade- Década de 50
Acervo do MHMTT
Sociedade Italiana, Rua Afonso Pena
Acervo do MHMTT

Marco do dia

06/07/1917: É expedida a resolução n° 91 autorizando a aquisição de um terreno na Rua Comendador José Garcia no valor de 3.800$000 (Três contos e oitocentos mil reis) para a construção de um novo cemitério.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Imagens da cidade

Missa atras da Catedral- Década de 50
Acervo do MHMTT
Centenario da Cidade- 1948
Acervo do MHMTT
Inauguraçao de auto-irrigador
Acervo do MHMTT
Inauguraçao do auto-irrigador
Acervo do MHMTT
Catedral- 1959
Acervo do MHMTT

Museu encerra atividades do 1º semestre com 2.461 visitantes

O Museu Histórico Municipal Tuany Toledo (MHMTT) recebeu um total de 2.461 visitantes durante o primeiro semestre de 2012. Dentre eles, 1.132 correspondem aos estudantes das redes pública e particular de ensino de Pouso Alegre, atendidos pelo Projeto Passeio pela História, uma parceria entre o Museu, a Câmara e a Viação Princesa do Sul e 1.329 correspondendo a pesquisadores e visitantes da cidade de Pouso Alegre e região em 121 dias de funcionamento.
Entre as pesquisas abordadas neste semestre, destacamos: “Enchente no bairro São Geraldo”, o percurso da Odontologia em Pouso Alegre, Carros-de-bois, Mercado Municipal, Biblioteca Municipal, Teatro, Catedral, bairros e ruas. Percebemos assim através da procura o interesse das pessoas pela memória da cidade.
O MHMTT é um espaço de visitas e pesquisas, aberto de segunda a quinta das 12h às 18h e sexta-feira das 8h às 14h.    

terça-feira, 3 de julho de 2012

Hospital Regional “Samuel Libanio”- Novo aparelho de Raios X


Nunca é demais insistir sobre esta instituição admirável que é o Hospital Regional “Samuel Libanio” e escrevendo e falando muito a seu respeito, nunca se falará e se escreverá tudo.
Já dissemos aqui dos benefícios dessa organização hospitalar, verdadeira organização no que tem essa palavra de mais significativo.
Já falamos da ordem, do asseio, da disciplina impeccavel do Hospital, tudo resultado da sua insuperável direcção, que luctando com uma verba por demais pequena consegue fazer o máximo, transformando aquella casa em colmeia magnífica, onde, obreiras do bem, as abelhas que alli mourejam, fabricam o mel dulcíssimo da saudade.
Confessamos aqui, que, casas dessa ordem jamais nos dão impressão que temos ao penetrarmos o Hospital Regional desta cidade. Na outras o soffrimento apparece logo, berrante, transtornando a phisionomia dos visitantes com a commoção natural experimentada diante das imensas dores dos doentes. No nosso hospital a limpesa das salas e das enfermarias, o bom humor, a solicitude do pessoal, transformam de tal maneira o ambiente, que é com verdadeiro espanto, que o forasteiro, esperando encontrar espectaculos tristes, sae dalli maravilhado, porque aos seus olhos apresentou se uma dor discreta dissimulada pela naturalidade profissional dos médicos e dos enfermeiros possuidores da perfeita noção de seus encargos.
Era essa a impressão pessoal e muito sincera que temos do Hospital Regional “Samuel Libanio” que não tínhamos trazido para estas columnas.
Há dias falamos das melhorias por que vae passando o hospital. Na nossa ultima visita notamos a excelência das novas enfermarias, amplas, arejadas, modernas, com janellas em todos os lados, as partes em reforma, renovadas, o muro em frente, em construcção, tudo mostrando a actividade que se vae desenvolvendo alli em construcções, depois das felizes demarches do Sr. Bispo Diocesano e do Dr. Custodio Ribeiro de Miranda com o Governo Estadual.
O Dr. Candido Lamy Filho, chefe da Secção de Radiologia do Hospital, tendo feito em Bello Horizonte a sua especialização, trouxe nos a noticia da promessa a elle feita pelo governo da doação, ao nosso Hospital, de um apparelho de Rais X, novo, que viria prestar inestimáveis serviços, substituindo o antigo apparelho.
O novo apparelho acaba de ser installado. É grande porém simples. Entretanto desenvolve movimentos que permittem ao médico tirar radioscopias e radiographias em diversas posições. Veio directamente da Alemanha, por intermédio da Casa Oswaldo Cruz de Bello Horizonte, da firma Alfredo Santos e & Cia. É de marca Volls Chutz Gross Diax Coch e Sterzel. Possue uma voltagem de 130 kilowatts e a sua amperagem chega a 170 mil sendo a ampola de 10 kv, quando as mais communs são de 6 e 7. Foi montado pelo competente technico Manoel Pena que veio especialmente de São Paulo. Com a collocação de um transformador novo em frente ao Hospital, como prometteu o Sr. Prefeito, poderá ser essa machina utilíssima prestar todos os benefícios possíveis na sua esphera, tornando mais efficiente a apparelhagem do Hospital Regional.
Disse-nos um technico Manoel Pena que é o presente apparelho de Raios X p melhor do Estado de Minas, tendo custado vultuosa quantia.
O apparelho si, maravilha aos médicos, deslumbra os leigo que o vê.
Temos que agradecer ao Dr. Candido Lamy Filho os seus esforços e o que o seu enthusiasmo conseguiu; ao Dr. Miranda a confiança que impõe aos poderes públicos estaduaes, tudo isso fazendo do Hospital Regional “Samuel Libanio” um legitimo padrão de orgulho para nós.   
Extraído do jornal “A Cidade” 06/10/1935
Escrito como no original

Hospital Regional- Década de 30

Imagens da cidade

Santuario- 1928
Acervo do MHMTT
Santuario- Década de 40
Acervo do MHMTT
Calçamento da Duque de Caxias- 1941/1942
Acervo do MHMTT
Parque- 1907/1910
Acervo do MHMTT
Demoliçao da antiga Catedral- final da década de 40
Acervo do MHMTT

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Fabrica de Colla Chimica

Quando se noticiou nesta cidade que para aqui viria uma fabrica de colla chimica, esta folha debateu largamente e assumpto mostrando as vantagens que dahi adviriam fatalmente para Pouso Alegre.
Há poucos dias noticiamos a definitiva installação dessa industria e hoje informamos aos nossos leitores, que a fabrica já está funcionando regularmente.
É o proprietário da fabrica que veio dar maior movimento e riqueza a Pouso Alegre, a firma Industrias Chimicas Renard Lmitda.
O Diretor da firma é o Sr. Otto Renard.
A matéria prima é a caseína producto que até a pouco, era entre nós relegado como inútil. Agora esse producto desta zona, será empregado todo pela firma Renard. Dentro de pouco tempo será produzido uma quantidade de caseína correspondente a 50.000 litros diários.
A colla das fabricas Renard tem sindo empregada em São Paulo com grande acceitação. Alliás isto é muito natural pois que a colla é considerada como um producto de qualidade superior egual a extrangeira. Para corroborar a nossa affirmativa transcrevemos o trecho de uma noticia a respeito das realizações do Club Paulista de Planadores, sociedade de amadores de aviação que usam aviões sem motor. Referindo-se a colla diz o “Diario de São Paulo”:
“Uma particularidade interessante dos planadores é que nos seu fabrico não se prega um único prego. Tudo é madeira collada. Pequenas taxas grantem, depois da aplicação da colla, a adherencia de umas as outras peças e são depois retiradas. Colla de tanta resistência é a da caseína que, no apparelho actualmente em exposição é originaria do estado de Santa Catharina do Laboratorio Renard, de Blumenau.
A caseína de Santa Catharina, é igual a allemã. O verniz para diversas applicações, o material do contraplacado, a colla, o material para enchimento, a tela-tudo isto nada fica a dever ao material importado.
Podemos esperar pois, muito em breve a noticia da construcçao de aviões nacionaes collados com a colla Renard de Pouso Alegre.
O Director Technico da fabrica de Pouso Alegre é o Dr. Gerhard Grunow.
Extraído do Jornal “A Cidade” 02/12/1934, p. 02
*Escrito como no original

Marco do dia

28/06/1905: Parte para Roma o Exmo. Revmo. Sr. Bispo Dom João Baptista Corrêa Nery, regressando dia 03 de novembro.
28/06/1916: Chega a Pouso Alegre Dom Octávio Chagas de Miranda nomeado Bispo em 14 de fevereiro e sagrado em Campinas no dia 04 de junho.
29/06/1919: O Bispo Dom Octávio Chagas de Miranda benze o novo edifício da Escola Normal Santa Dorothea, construído pelo Eng. Mário Gissoni.
29/06/1939: Um grupo de entusiastas pousoalegrenses, promovem a instalação da Rádio Clube de Pouso Alegre- PRJ7- Fundadores: José Nunes Rebelo, José Francisco de Brito, Mário Silveira, Pedro Rebelo, Orfeu Butti, Joaquim Silveira, Demerval Coutinho.

Imagens da cidade

Avenida Doutor Lisboa- 1948
Acervo do MHMTT
Praça Senador José Bento e Fonte Luminosa- 1940
Acervo do MHMTT
Colégio Sao José e Seminario- 1940
Acervo do MHMTT
Praça do Palacio Episcopal- 1930
Acervo do MHMTT
Colégio Sao José- 1910
Acervo do MHMTT

quinta-feira, 28 de junho de 2012

O Instituto Santa Dorotéia

Foi sem duvida em uma hora feliz para Pouso Alegre, aquela em que lhe passaram o solo as Irmãs Dorotéias. Já se escoaram desde então, 46 anos. Todos eles tem sido marcados por um labor contínuo, profundamente Cristão e humano , em favor da formação, não só da mocidade feminina de Pouso Alegre, mas, das cidades circunvizinhas.
O Instituto Santa Dorotéia possui como finalidade apostólica precípua a educação. Para este mister ele foi fundado pela MADRE PAULA FRASSINETTI. É, a educação, o seu campo de batalha na Igreja de Deus.
Em nossa terra tem sido, as Dorotéias, fiéis e exímias no desempenho de sua sublime missão. Quando as igrejas se enchem de povo em busca de vida divina. Quando no lar, a família vive a sua missão. Quando, nos hospitais, se encontram abnegadas Irmãs que suavisam as dores alheias. Quando, nos mosteiros, centenas de almas vivem o mistério da prece e da imolação. Quando, em meio ao mundo conturbado, se encontram almas de valor. Quando os seminários e comunidades religiosas se enchem de novos obreiros para a messe do Senhor, procuramos saber qual a seiva que fez frutificar tão fecunda sementeira, a resposta encontramos na educação cristã que foi ministrada. A resposta encontramos na abnegação integral da vida das educado
ras que souberam prepara para Deus, o seu povo; para o lar a esposa; para os hospitais, as enfermeiras; para os mosteiros, as monjas; para o mundo, os heróis; para o altar, os Sacerdotes; para a vinha do Senhor, novos religiosos.
Em nossa cidade é o que vem fazendo com a sua obra educativa as Irmãs Dorotéias. Há 46 anos a nossa juventude feminina, o que equivale dizer, nossas avós e nossas mães, nossas irmãs e nossas noivas vem passando por esta casa de educação, onde garantem os fundamentos de uma formação sadia para a família e a sociedade pousoalegrense.
No corrente ano, manteve o Instituto Santa Dorotéia os Cursos de Jardim da Infância, Primário e Admissão ao Ginásio, Ginasial e de Formação de Professoras, com a matricula de 500 e poucas alunas.
Há, aí, motivo de sobejo para que nosso “informativo” renda a esta entidade educacional o tributo de homenagem e incentivo a que prossiga na sua missão de semear o bem para a gloria de Deus e felicidade do mundo.  



Extraído da Revista “Informativo Pousoalegrense” 1957, p. 61
*Escrito como no original

Imagens da cidade

Rua Afonso Pena- 1940
Acervo do MHMTT
Pouso Alegre Hotel- 1938
Acervo do MHMTT
Avenida Doutor Lisboa- 1935
Acervo do MHMTT
Uma parte da Avenida Doutor Lisboa- 1935
Acervo do MHMTT
Praça- Catedral, 1940
Acervo do MHMTT

quarta-feira, 27 de junho de 2012

O algoz da execução à forca de Antonio Congo em 1846


Há tempos relatamos nesta folha a existência da forca e a execução de Antonio Congo em nossa terra no ano de 1846. Completando hoje o nosso estudo, damos a seguir a descoberta que fizemos, pela leitura das “Ephemerides Mineiras”, de José Xavier da Veiga, vol. III, pagina 114, edição de 1897, que foi o carrasco Fortunato o algoz dessa execução, cujo traço biográfico é o seguinte:
“Fortunato José era natural da freguezia de Lavras, escravo de João de Paiva, cuja viúva- d. Custodia- criou-o com bondade e carinho. Esse tratamento, generoso, quasi maternal, não impediu que se tornasse de mãos instintos, ingratos, entregando-se cedo ao jogo, a embriaguez e a outros vícios. Admoestado frequentemente, mas com brandura, por sua Senhora, criou-lhe ódio, e um dia enfurecido, prostou-a morta com bordoadas. Foi isso em 1833, tinha então 25 annos o miserável, predestinado a vida medonha e abominável”. Assim, “Preso, julgado e condenado a morte, recolhido a cadeia de Ouro Preto, foi a pena comutada na prisão perpetua de acordo com ele com a obrigação de servir de algoz em Minas a outros miseráveis condenados a forca”.
Fortunato dizia-se “empregado publico” no seu oficio de executor da justiça. Falava que as primeira execuções lhe repugnaram, principalmente se eram mulheres que ia enforcar. Quanto aos homens ficou habituado logo e cumpria essa obrigação insencivelmente.   
“Contava sempre que, de ordinário, os sentenciados revoltavam-se contra os sacerdotes que buscavam suavisar-lhes os tristes e últimos momentos”.
Dizia mais “que, nos oficio dormia em comum com os demais presos, inclusive aquele que tinha de enforcar. Mas, certa vez, estando na cadeia de Pitanguy, um desses sentenciados a morte deu-lhe, durante o sono profundo das navalhadas, desde então ficou sempre separado dos presos condenados a morte”.
Tudo isso contava esse negro boçal, como diz Xavier da Veiga, no seu cinismo inconciente, afecto ao mais repugnante e hediondo viver, falando indiferentemente dos próprios atos, com jatancia mas sem vexame.
Notava que devendo o “emprego” ser-lhe rendoso pagavam-lhe mal.
“Fortunato era alto, musculoso, ainda forte em 1877 quando morreu, apezar dos seus 69 anos, dos quaes 44 de prisão, passou na cadeia de Ouro Preto grande parte, onde faleceu, após ter realisado 87 execuções judiciária” durante sua própria vida, até 1874, época em que foi abolida a pena de morte no Brasil, conforme relação que fornecera ele próprio.
Queixava-se no fim da vida, de reumatismo.
Dizia que “se obtivesse a liberdade iria viver socegado em algum canto”.
Segundo o seu relato exerceu seu horroroso oficio em 29 localidades de Minas e duas na Província do Rio de Janeiro, em cuja sombria resenha de suas execuções está uma única em Pouso Alegre.
Basta considerar que a pena de morte foi extinta em 1874, sendo que durante todo seu vigor Fortunato foi o único algoz oficial de Minas. Morrendo nesse posto em 1877, antes ele relata as 87 execuções feitas em diversas localidades mineiras, onde conta uma em Pouso Alegre.
Diz Xavier da Veiga: “Fortunato era acusado de ter enforcado seus pais em S. João del-Rei, ele protestava dizendo que taes execuções foram feitas por seu antecessor Antonio Rezende e todas demais execuções desde 1833 em Minas foram feitas por ele”.
Essa declaração por si só, nos convence de ter sido a execução de Antonio Congo a única feita em nossa terra, sobretudo quando sabemos que só as vilas podiam ter forca, e esta só apareceu aqui (depois da criação da Vila em 13 de outubro de 1831) em 4 de janeiro de 1835 quando se instalou pela primeira vez o júri de sentença, de acordo com a lei que o criava nos municípios.
Estas são finalmente as noticias sobre a lúgubre existência aqui vindo em 1874, a requisição do Juiz Municipal Julião Florencio Meyer, por intermédio da Câmara, para esse triste mister, ganhando apenas 1$021 reis por essa execução, conforme autos findos existentes no cartório crime desta cidade.
Assim, unicamente devido a abominável lei da pena de morte de tão triste lembrança, como bem disse Xavier da Veiga: “esse miserável, esse desgraçado, esse prescrito anônimo das alegrias e da luz!... tinha também uma alma obscurecida pela ignorância, pela fatalidade de um instinto irreprimível, foi se enegrecendo progressivamente cada dia internando-se mais e mais na zona tenebrosa, supremamente infeliz no seu irremediável destino”.
De quase meio século de cárcere e de objeção incomparável um oficio sinistro! Que ainda se fala em restaurar no Brasil.

Extraído do Jornal “A Cidade” 05/05/1936, p. 2, por Eduardo Amaral de Oliveira
*Escrito como no original

Imagens da cidade

Avenida Doutor Lisboa- Grupo Escolar Monsenhor José Paulino, 1930
Acervo do MHMTT
Banco Itajuba (atual Caixa Economica) 1934
Acervo do MHMTT
Trecho da Avenida Governador Valadares (Dr. Lisboa)- Década de 40
Acervo do MHMTT
Casa Minchetti- 1919
Acervo do MHMTT
Avenida Doutor Lisboa- Década de 60
Acervo do MHMTT

terça-feira, 26 de junho de 2012

Pouso Alegre marcha para o progresso

A cidade cresce dia-a-dia, hora a hora, mês a mês, ano a ano, momento a momento e em cada etapa, emoldura-lhe em seu esplendor, além da situação geográfica, verdadeiramente privilegiada, onde montanhas, vales, rios, lagoas, em articulação perfeita, formam esse conjunto dadivoso, cheio de encantos, o sussurro da brisa centenária, badalando os sinos das sua igrejas, na oração perene do devotamento ao signo de Deus.
Preguiçosos rios contornam o seu município fertilizando a terra e a natureza prodiga, sempre engalanada na verdura de sua riqueza, é fator importante fdo desenvolvimento da cidade.
Município rico e ubérrimo, miniatura do paraizo celeste, formando com o seu esforço e com fé inabalável de seus filhos, um lugar onde ainda se pode viver, livre e tranquilo, despreocupado, feliz e alegre, longe das ondas contínuas, nervosas e sempre agitadas, da humanidade de além mar, buscando na inquietude farrapos e migalhas de felicidade.
Pouso Alegre caminha para frente de mãos dadas com a fé que tem e que lhe serve de estímulo e guia!
Pouso Alegre marcha para o progresso, progresso franco, decidido e palpável, quando acaba de completar seus cento e nove anos.
A cidade está no borborinho da sua vida que segue o destino que lhe foi traçado, através da esperança que cimenta os tijolos de sua maternidade N. Sra. de Fátima; da piscina , da sua praça de esportes; da reforma do Colégio São José e da Escola Doméstica Santa Terezinha; da estação rodoviária; da Faculdade de Direito do Sul de Minas; da reforma no Clube Literário e Recreativo; da reforma da cadeia e do edifício do Forum; das novas instalações do Carmelo e Escola Técnico de Comércio São José; do edifício da Associação Comercial; da reforma da instalação elétrica da Avenida Independência; do novo abastecimento de água potável; das construções dos prédios do Clube “28 de Setembro” e “União Operária”; das instalações das Agências dos Institutos do I.A.P.I e I.A.P.C; da construção do majestoso prédio da Escola Profissional “Delfim Moreira”; da reforma do Parque Infantil  “João da Silva”; do asfaltamento dos trechos da rodovia Fernão Dias, na parte que serve o nosso município; das novas instalações do Departamento Nacional de Estradas e Rodagens (D.N.E.R); da magnífica situação e belas instalações do Clube de Caça e Pesca; portanto Pouso Alegre persegue ativamente as conquistas pelo trabalho e pelo saber, através das gerações que se encorporam ao patrimônio da coletividade pousoalegrense, formando uma verdadeira rede de trabalho e realizações. E o progresso de intelectual, administrativa, econômica, agrícola, industrial, comercial, bancária, esportiva, social, religiosa, de seus filhos.
Rendemos nesta oportunidade não só aos filhos ilustres como a todos os demais colaboradores desta obra extraordinária de progresso, pois, todos são dignos e merecedores da admiração e estima dos vindouros, tornando-se credores das reverências pelo muito que fizeram.      
Extraído da Revista “Informativo Pousoalegrense” 1957, p. 55-56
*Escrito como no original

Imagens da cidade

Centro de Pouso Alegre- Década de 40
Acervo do MHMTT
Forum e Praça- 1935
Acervo do MHMTT
Avenida Doutor Lisboa- 1935
Avervo do MHMTT
Avenida Doutor Lisboa- Desfile do Colégio Santa Dorotéia- 1940
Acervo do MHMTT
Ruas de Pouso Alegre- Década de 40
Acervo do MHMTT

Exposição de Telas

Estão expostas no hall de entrada da Câmara Municipal de Pouso Alegre as telas criadas pelos alunos do “Projeto Crieartes” da Escola Municipal Professora Clarisse Toledo durante a 10ª Semana Nacional dos Museus, promovida pelo Museu Histórico Municipal Tuany Toledo. A exposição permanece nos horários de funcionamento da Câmara Municipal: de Segunda a Quinta Feira, das 12:00 às 18h e Sexta Feira das 8h às 14hs.





segunda-feira, 25 de junho de 2012

Projeto Crieartes realiza entrega de telas ao Museu


Na tarde de segunda-feira (25/06), nas dependências do Museu Histórico Municipal Tuany Toledo, foi realizada a entrega das telas do “Projeto Crieartes” da Escola Municipal Clarisse Toledo. Sob a orientação da Professora Jussara Moura Vieira Mantovani, os alunos participaram da 10ª Semana Nacional dos Museus realizando pintura de telas inspiradas em objetos ou espaços do Museu. Estiveram presentes o Presidente da Câmara Municipal de Pouso Alegre Oliveira Altair, a secretária geral do legislativo Fátima Belani, o curador do Museu Alexandre de Araújo, a diretora da Escola Municipal Clarisse Toledo Elouzi Braga Paiva, a idealizadora do projeto Prof. Jussara Mantovani e a equipe do Museu Histórico Municipal. Após receberem os certificados, os alunos realizaram a entrega de suas telas ao curador do Museu, onde ficarão expostas.  

Alunos participantes do Projeto Crieartes
A Secretaria geral da Camara Municipal, Fatima Belani, entrega o certificado
Fatima Belani (Secretaria Geral da Camara), Oliveira Altair (Presidente da Camara),
 Sr. Alexandre de Araujo (Curador do MHMTT)
O Ver. Oliveira entrega o certificado a Prof. Jussara Mantovani
A Diretora da Escola Municipal Clarisse Toledo, Elouzi Braga Paiva,
recebe o certificado das maos do Ver. Oliveira Altair
Entrega das Telas ao Curador do MHMTT Sr. Alexandre de Araujo