O MHMTT, na ultima
quarta feira (18/11), recebeu em seu recinto diversas pessoas que vieram prestigiar
o lançamento da 2ª Edição da Revista “Histórias de Pouso Alegre: Museu Histórico
Municipal Tuany Toledo”. Estiveram presentes alguns representantes do
Legislativo, vereadores eleitos, 20°BPM, professores, pesquisadores, servidores
públicos da Câmara Municipal de Pouso Alegre e amigos do Museu. Os presentes
tiveram a oportunidade de assistir um vídeo produzido pelo MHMTT com imagens de
diversas épocas da cidade de Pouso Alegre.
Tradutor
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
O PADRE QUADROS ARANHA
Entre
os vereadores que fizeram parte da primeira legislatura da Câmara de Pouso
Alegre, instalada em 1832, está o nome do padre João Dias de Quadros Aranha.
Além disso, ele se destacou por ser um dos colaboradores para o surgimento da
imprensa no Sul de Minas.
O
padre Quadros Aranha nasceu em Itu (SP), no ano de 1784. Na cidade de São
Paulo, ordenou-se sacerdote em 1807, aos 23 anos. Em 1818, mudou-se para Pouso
Alegre, onde começou a participar da vida política da então freguesia
pertencente à Vila da Campanha da Princesa (atual Campanha, MG).
Em
1830, ajudou o padre José Bento na redação do “Pregoeiro Constitucional”, o
primeiro jornal de Pouso Alegre e do Sul de Minas, e também o quinto a ser
impresso na então Província de Minas Gerais. O padre Quadros Aranha assumia a
direção do jornal durante as frequentes ausências de José Bento.
O
Decreto de 13 de outubro de 1831 criou a Vila de Pouso Alegre e estabeleceu
que, na vila recém-criada, deveria ser instalada uma Câmara Municipal. Por
isso, em 6 de maio de 1832, a Câmara de Pouso Alegre foi oficialmente
estabelecida, tendo como primeiro presidente o padre Mariano Pinto Tavares, e o
padre Quadros Aranha como um dos vereadores.
Segundo
pesquisa feita nas atas e livros de finanças da Câmara, consta que o padre
Quadros Aranha ocupou a função de presidente do Legislativo Municipal de 1833 a
1842, voltando a assumir o cargo de 1845 a 1849. A partir desta última data até
o ano de 1851, observa-se que houve uma alternância na presidência entre o
padre Quadros Aranha e José Antônio de Freitas Lisboa.
Em
1834, Quadros Aranha foi nomeado cônego da Sé de São Paulo. Eleito à Assembleia
Geral para a legislatura 1834-1837, voltou a ocupar o posto de deputado em
1842. Faleceu em 2 de outubro de 1868, com 84 anos.
Marco do dia
06/11/1810: Alvará elevando Pouso Alegre a categoria de Freguesia, 21
anos depois à Vila (1831) e pela Lei n° 433 de 19/10/1848, recebeu o título de
cidade.
07/11/1972: Portaria Ministerial do Exército de n° 036 denominando de 14°
GAC o 2°/4° RO-15mm.
09/11/1989: A TELEMIG implanta o Sistema de “Multimedição Local”.
10/11/1989: Inicio das obras de restauração do prédio do Conservatório
Estadual de Musica, criminosamente incendiado na madrugada de 09/03/1987.
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Imagens da cidade
Do Largo do Rosário à Praça João Pinheiro
No início do século XIX, Pouso Alegre, um vilarejo
recém formado, marcado fortemente pela religiosidade, já possuía um lugar onde
as pessoas se encontravam para realizar suas preces diárias, porém, sentiram a necessidade
de construir outro para se venerar Nossa Senhora do Rosário no referido Largo
da Alegria, assumindo este espaço seu primeiro uso de apropriação, abrigando
assim a população negra (escrava) da cidade:
“Era um edifício de paus a pique, baixo, em forma de um chalé, em cuja ponta de seu ângulo havia uma cruz singela, com duas varandas laterais em meia água, presas quasi ao seu telhado, tendo três portas, uma de cada varanda, todas elas dando ingresso para o corpo da igreja. Do lado esquerdo, na varanda e pelo lado de fora, havia tosco e simples, um senheiro pregado da madeira em mão francesa. Dentro da nave nenhuma obra de arte havia de apreço e notável relevo arquitetônico, senão muito singelicamente adornado o trono da Senhora do Rosário, altar-mór de algum lavor em ouro”.
Diferentemente de outras localidades da época, tal construção teve contribuições de Senhores e Escravos, e certa convivência se estabelecia em um mesmo espaço, como muito bem expressa o memorialista Eduardo Amaral: “A antiga Igreja dedicada a N. Sra. Do Rosário pertencia aos homens de cor, mas a sua administração estava afeta ao vigário de Pouso Alegre e as pessoas gradas do lugar”.
Nesta mesma praça, fora erguido o pelourinho, estabelecendo assim usos de relação e poder, onde seriam julgados e punidos os criminosos da cidade. Em Pouso Alegre houve apenas um caso emblemático, em que se utilizou tal instrumento, vindo a ruir-se tal símbolo antes mesmo de se iniciar o século XX, dando lugar a um parque, lugar este de encontros sociais e de lazer.
Com o passar dos anos, na década de 40, aquele lugar necessitava de uma reforma, pois como se refere a Revista do Centenário de Pouso Alegre “um velho parque (denominado Major Dorneles), cuja única utilidade, até então, era abrigar, na penumbra da noite fatos vergonhosos (...)”. Nesse intuito, a administração municipal, sendo presidida pelo então prefeito Tuany Toledo, executa uma obra de revitalização daquele espaço, que por muitos anos fora conhecido como “Parque Infantil João da Silva”. Exerciam-se diversas atividades esportivas (como jogos de volley e natação), praticas de escotismo e brincadeiras infantis, tornando-se privilegiado espaço de encontro das famílias pousoalegrenses.
Com o crescimento da cidade, houve a necessidade de se instalar um terminal rodoviário que acomodasse um número maior de veículos que conduzissem as pessoas para outras localidades. Em diversas discussões, no final da década de 60, fora determinado aquela localidade para que se construísse o terminal. O espaço em que antes era habitado por famílias, crianças, passa agora a ser ocupado por pessoas que embarcavam e desembarcavam na cidade, transformando-se assim em lugar de passagem.
Atualmente, a Praça João Pinheiro é utilizada por grupos sociais diferenciados. Ao mesmo tempo em que abriga os departamentos do poder público, ouvem-se os gritos alegres de crianças que estudam em um grupo escolar, as gírias de jovens que ali andam de skate e os burburinhos das prostitutas que vão em busca de seu ganho diário. Alguns eventos reúnem a população naquele espaço, entretanto, diariamente, ao surgir a noite, o movimento se torna escasso e o silêncio faz sua habitação.
“Era um edifício de paus a pique, baixo, em forma de um chalé, em cuja ponta de seu ângulo havia uma cruz singela, com duas varandas laterais em meia água, presas quasi ao seu telhado, tendo três portas, uma de cada varanda, todas elas dando ingresso para o corpo da igreja. Do lado esquerdo, na varanda e pelo lado de fora, havia tosco e simples, um senheiro pregado da madeira em mão francesa. Dentro da nave nenhuma obra de arte havia de apreço e notável relevo arquitetônico, senão muito singelicamente adornado o trono da Senhora do Rosário, altar-mór de algum lavor em ouro”.
Diferentemente de outras localidades da época, tal construção teve contribuições de Senhores e Escravos, e certa convivência se estabelecia em um mesmo espaço, como muito bem expressa o memorialista Eduardo Amaral: “A antiga Igreja dedicada a N. Sra. Do Rosário pertencia aos homens de cor, mas a sua administração estava afeta ao vigário de Pouso Alegre e as pessoas gradas do lugar”.
Nesta mesma praça, fora erguido o pelourinho, estabelecendo assim usos de relação e poder, onde seriam julgados e punidos os criminosos da cidade. Em Pouso Alegre houve apenas um caso emblemático, em que se utilizou tal instrumento, vindo a ruir-se tal símbolo antes mesmo de se iniciar o século XX, dando lugar a um parque, lugar este de encontros sociais e de lazer.
Com o passar dos anos, na década de 40, aquele lugar necessitava de uma reforma, pois como se refere a Revista do Centenário de Pouso Alegre “um velho parque (denominado Major Dorneles), cuja única utilidade, até então, era abrigar, na penumbra da noite fatos vergonhosos (...)”. Nesse intuito, a administração municipal, sendo presidida pelo então prefeito Tuany Toledo, executa uma obra de revitalização daquele espaço, que por muitos anos fora conhecido como “Parque Infantil João da Silva”. Exerciam-se diversas atividades esportivas (como jogos de volley e natação), praticas de escotismo e brincadeiras infantis, tornando-se privilegiado espaço de encontro das famílias pousoalegrenses.
Com o crescimento da cidade, houve a necessidade de se instalar um terminal rodoviário que acomodasse um número maior de veículos que conduzissem as pessoas para outras localidades. Em diversas discussões, no final da década de 60, fora determinado aquela localidade para que se construísse o terminal. O espaço em que antes era habitado por famílias, crianças, passa agora a ser ocupado por pessoas que embarcavam e desembarcavam na cidade, transformando-se assim em lugar de passagem.
Atualmente, a Praça João Pinheiro é utilizada por grupos sociais diferenciados. Ao mesmo tempo em que abriga os departamentos do poder público, ouvem-se os gritos alegres de crianças que estudam em um grupo escolar, as gírias de jovens que ali andam de skate e os burburinhos das prostitutas que vão em busca de seu ganho diário. Alguns eventos reúnem a população naquele espaço, entretanto, diariamente, ao surgir a noite, o movimento se torna escasso e o silêncio faz sua habitação.
Marco do dia
27/10/1908: Em sessão da Câmara Municipal, presidida pelo Vereador
Coronel Octavio Meyer, o vereador Rodolpho Teixeira propõe e é aceita a mudança
de nome de “Praça 15 de junho” para “Praça João Pinheiro”.
29/10/1957: É inaugurado o novo prédio do Carmelo da Sagrada Família, no
final da Rua Com. José Garcia.
30/10/1908: Dom João Batista Correa Nery deixa a Diocese,
transferindo-se para Campinas (SP), diocese recém criada.
31/10/1993: É inaugurado o CIEM (Centro Integrado de Ensino Municipal)
no bairro do Algodão.
terça-feira, 23 de outubro de 2012
Algumas considerações sobre a história de Pouso Alegre- Isaias Pascoal
Pouso Alegre completa
este ano 161 anos de sua elevação à condição de cidade e 178 anos da sua
emancipação política. Hoje os dois processos são o mesmo. Na época do Império
Brasileiro, não. A emancipação de dava com a elevação a Vila, e não a cidade,
que era um título mais honorífico.
Já adverti
publicamente do erro em considerar o ano de 1848 como o da emancipação política
de Pouso Alegre. Em 19 de Outubro de 1848, foi assinada pelo presidente da
Província de Minas Gerais, Bernardino José de Queiroga, a Lei n° 433, que
elevou a Vila de Pouso Alegre à condição de cidade, não de sua emancipação
política, que ocorreu em 13 de outubro de 1831. Em 1832 foi instalada a Câmara
Municipal, símbolo da emancipação política. Vale lembrar que na época não havia
prefeito. As funções que hoje lhe são próprias eram executadas pelo presidente
da Câmara. Foi assim até a ascensão de Getúlio Vargas ao poder.
Na verdade, a
emancipação política e administrativa de Pouso Alegre tem 178 anos. Não consigo
entender a razão de os pouso-alegrenses comemorarem o dia 19 de Outubro como o
dia da cidade. Historicamente isto está errado, pois a maior parte pensa que
neste dia ocorreu a emancipação política. Não. Ela ocorreu em 1831, no mesmo
mês de outubro, mas não no dia 19 e sim no dia 13. Ao tornar-se cidade, em
1848, nada foi acrescentado à sua institucionalidade. Um estudo histórico mais
profundo poderia revelar os motivos que fixaram o dia 19/10/1848 como o dia e
ano da cidade. É possível que aí tenha se consolidado a data.
Mas acho que é um
erro. Se o ano de 1848 é o que deve ser focalizado, perde-se a memória da
pessoa que mais lutou pela autonomia administrativa e política de Pouso Alegre,
o padre e senador José Bento, que morreu em 08 de fevereiro de 1844.
Permitir isso é um
atentado contra a memória de José Bento, a figura política mais expressiva de
Pouso Alegre e todo o sul de Minas. Não dá para explicar o porquê disto aqui,
mas sugiro aos interessados ler a biografia de José Bento, escrita por Amadeu
de Queiroz, e meu artigo sobre a sua importância, que pode ser encontrado na
internet (www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-87752007000100012&script=sci_abstract).
Ainda mais que, neste ano, o Prefeito e a Câmara Municipal o entronizaram como
patrono das duas entidades. Sobre 1848, José Bento nada tem a dizer. Ele que
foi o principal responsável e o arquiteto da emancipação da então freguesia de
Pouso Alegre, que pertencia ao município de Campanha.
Sugiro às autoridades
que estudem o caso e que a Câmara Municipal crie uma lei estabelecendo que o
aniversário de Pouso Alegre não é 19 de outubro, e sim o dia 13 de outubro. E
que o ano de referência não é de 1848, e sim 1831.
O ano de 1848 e o dia
e o dia 19 de outubro podem até continuar sendo uma data comemorativa, ma não
da emancipação de Pouso Alegre. Só que não deixa de ser ironia que a data mais
importante da história de Pouso Alegre passe em branco, como se nada tivesse
ocorrido, quando na verdade ela é a mais significativa. Como se José Bento
passasse em “brancas nuvens” quando, na verdade, ele foi o maestro de tudo.
José Bento fez muito
pela cidade. Em uma época muito recuada, suas ações nos ensinam que quem age
pode mudar a situação. Há que ter garra, há que ter força, há que persistir, há
que desafiar limites. Ele é símbolo de tudo isso. Não pode e não deve ser
esquecido.
Fonte: HTTP://mais.uol.com.br/view/m0yiwic42nfl/algumas-consideracoes-sobre-a-historia-de-pouso-alegre-0402193468C4A93326?types=A&,
publicado em 09/02/2010).
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