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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A Cirurgia no nosso hospital

Neste ultimo trimestre, entre as muitas intervenções médicos- cirúrgicas executadas no hospital desta cidade, destaca-se, pela sua importância e completo êxito, as seguintes: Maria Magdalena, de 17 annos de idade, casada, de cor branca, entrada em começo de março com um derrame pleural, lado esquerdo. Feita a puncção, levou-se a effeito a pleurotomia, tendo sido retirado cerca de um litro e meio de liquido francamente purulento, operação essa pela primeira vez praticada com resultado em nossa casa de caridade. A operada teve alta completamente restabelecida a 23 do mês findo.

Mariosa, italiano, maior de 55 annos de idade- infiltração urinaria dos escrotos e períneo por estreitamento urethral. Pela primeira vez nesta cidade praticou-se a operação de urethrotomia externa por abertura da urethra com fistula perineal, obtendo o doente alta radicalmente curado.

Felippe, árabe, maior de 48 annos de idade- estreitamento de urethra com múltiplas fistulas; abertura da urethra posterior, destruição do callo a bistori; fistula perineal; em segunda intervenção urethrotomia interna; fechamento das fistulas e cura completa do operado, que anteriormente já havia se recolhido no hospital. Esse importantíssimo e penoso trabalho cirúrgico foi também o primeiro que se praticou n’esta zona, sendo difficil, senão impossível encontrar-se um enfermo com estreitamento e adherência com que se apresentou no hospital o doente referido.

Todas as melindrosas e importantíssimas operações citadas foram hábil e pacientemente praticadas pelos nossos conceituados clínicos srs. Drs. Nothel Teixeira, Arthur Guimarães e J. Pinto de Carvalho, que se revelaram francos conhecedores dos segredos da cirurgia moderna, livrando assim de morte certa aos três enfermos pobres, amparados pelo nosso excellente hospital e restituídos a sociedade e as respectivas famílias pela pericia e dedicação dos citados clínicos, aos quaes enviamos nossas vivas felicitações pela victoria alcançada.  
 
Jornal “A Semana” 14/07/1912
Hospital Sao Vicente de Paula- 1918
Acervo do MHMTT

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

OS PRIMEIROS JORNAIS DE POUSO ALEGRE

Isaías Pascoal*

O padre, deputado e senador José Bento foi o pioneiro no jornalismo político em Pouso Alegre e região. Foram criações suas o Pregoeiro Constitucional e o Recopilador Mineiro. Quando surgiu, em 1830, o Pregoeiro Constitucional, sob a ótica do Liberalismo, se opôs a D. Pedro I de forma resoluta e agressiva. Suas matérias eram mais doutrinárias e filosóficas, com pouca preocupação em descrever fatos. Os textos eram extensos, faziam comparações entre governos tirânicos (Turquia) e os democráticos (Inglaterra), e exaltava a ideologia Liberal, na realidade, a grande bandeira de luta dos que se opunham ao imperador.

 Já o Recopilador Mineiro (1833-37) era de uma fase em  que D. Pedro I já havia renunciado ao poder. Na época, o interesse primordial do governo regencial era garantir a ordem política e social e salvar o país da “anarquia”. Suas matérias são mais relatos de acontecimentos. São menos filosóficos e doutrinários. Há anúncios que, no Pregoeiro Constitucional, eram impensáveis. O mote principal são os fatos políticos. Afinal, os leitores estavam interessados em acompanhar o rumo da política no país. De longe, a maior preocupação.

Os acontecimentos do exterior também eram assuntos de interesse dos leitores. Os jornais reservavam um espaço para o noticiário internacional, sobretudo se relevante para a situação interna crítica. Conhecer o que se passava fora do país, principalmente na Europa, servia como norte para as lideranças políticas brasileiras.
 
As notícias internacionais chegavam com muito atraso ao sul de Minas, cerca de três meses após o seu acontecimento. A imprensa não conseguia, nem mesmo, publicar notícias de uma província a outra sem que isso levasse ao menos um mês.

O Pregoeiro Constitucional, de 20 de outubro de 1830, nº 13, fala sobre a revolução que explodiu em Paris no mês de julho. As matérias do exterior publicadas enfatizavam os conflitos entre os países. O Recopilador Mineiro, de 19 de dezembro de 1833, nº 89, trazia uma transcrição do Jornal do Commercio que fazia análise sobre a invasão da Ilha das Malvinas pela Inglaterra, explicitando o apoio dos brasileiros aos argentinos: “Invadidas as Ilhas Malvina pela Corveta de S. M.Britaneia (...) Entretanto a Regencia do Imperio  do Brazil, (...), tem sido um dos primeiros que de modo mais franco e nobre deu uma prova inequivoca de que olha para a Causa da America, como propria, e que em qualquer tempo se collocará á frente dos Estados Americanos para resistir ao poder Europêo. Estamos autorisados a publicar que a Regencia  do Brazil, sem outra iniciativa além de circular nosso Governo, ordenou seu Ministério Plenipotenciário em Londres o Cavallheiro Mello Mattos, coopere por todos os modos possiveis  a sustentar as reclamações do Ministro da Republica Argentina a respeito da usurpação das Malvinas por parte da Inglaterra”.

Além do dia-a-dia da política nacional e internacional, os jornais faziam comentários sobre o comportamento feminino, a chegada dos correios, divertiam seus leitores com anedotas, e até noticiavam o falecimento de seus desafetos.

Em 16 de outubro de 1830, na edição de nº 12 do Pregoeiro Constitucional, é noticiada a morte do presidente de Sergipe: “Consta-nos que morreu o Presidente de Sergipe; muitas vezes a morte de um mau empregado, é origem de paz, e tranqüilidade!”

O Recopilador Mineiro de 9 de novembro de 1833 trazia ao fim de sua edição uma anedota: “Anedocta: Aconselhava-se a um velho que cazasse: elle respondeu, que não gostava de mulheres velhas: Disserão-lhe que tomasse uma moça: oh! Replicou elle, eu sou velho, e não posso supportar as velhas, como uma moça me ha-de supportar?”

Este era o cotidiano retratado pelos jornais. Os acontecimentos políticos eram esperados e lidos com interesse. A sociedade sul-mineira se desenvolvia e procurava se espelhar na Corte em sua maneira de ser, de vestir e viver.  Os homens liam e discutiam as notícias em rodas de amigos, enquanto as mulheres faziam suas visitas, e José Bento realizava façanhas na política e no jornalismo.
 
 
*Professor no Instituto Federal de Educação do Sul de Minas. Formado em Pedagogia e História, com especialização em História Moderna e Contemporânea pela PUC-BH, mestrado em Sociologia pela UNICAMP e doutorado em Ciências Sociais também pela UNICAMP.

Fleming e o início do cinema brasileiro


O cinema brasileiro teve sua origem pioneira em Pouso Alegre, no ano de 1918. O jovem Francisco de Almeida Fleming, com apenas 18 anos, veio de Ouro Fino para gerenciar o Cine Íris, que ficava na Praça Senador José Bento.

Em 1920, Fleming exibiu um filme sincronizado a um gramofone, o que causou grande espanto aos espectadores do Cine Íris. No ano seguinte, produziu seu primeiro longa-metragem, “In Hoc Singo Vinces”, e, por causa disso, sua produtora de filmes é considerada a mais antiga do cinema brasileiro.

Fleming tornou-se conhecido pelo filme “Paulo e Virgínia” (1924), baseado no romance de Bernardino Saint Pierre. Esse e outros filmes do cineasta tinham como cenário a várzea do Rio Mandu e a do Rio Sapucaí-Mirim.

Outras produções de Fleming foram: “O Vale dos Martírios”, “Desafio do caipira”, “Minha cara Bo”, “Canção de Carabu”, “Capital Federal” e “Coração bandido”, entre outras. O cineasta produziu ainda mais de 300 documentários e reportagens. Conta-se que, para produzir “O Vale dos Martírios”, Fleming vendeu a própria residência.

Em 1977, Fleming recebeu uma homenagem do Ministério da Educação e Cultura, como um dos pioneiros do cinema nacional. Faleceu em São Paulo, no dia 10 de fevereiro de 1999, aos 98 anos.

Uma das cadeiras usadas na direção de filmes por Chiquinho Almeida, como era chamado, está exposta em nosso Museu.

Imagens da cidade

Revoluçao de 1932
Acervo do MHMTT
Praça Dr. Garcia Coutinho- Década de 50
Acervo do MHMTT
Colégio Sao José, Seminario Diocesano e Escola Profissional- Década de 40
Acervo do MHMTT
Vista Parcial da Cidade- Década de 50
Acervo do MHMTT
Carro de Boi- Parte de tras da Catedral, década de 20
Acervo do MHMTT

Marco do dia


13/11/1891: Lei n°11 criando a Comarca de Pouso Alegre.

13/11/1941: Fundação do Aero-Clube de Pouso Alegre- fundadores: Orfeu Butti, Luis Minchetti, Dionisio Machado, Benicio Pacheco dos Santos, João Batista Piffer e outros.

15/11/1905: “Festas no Gymnasio São José. Em seguida, um dos mais intelligentes alumnos do gymnasio, o Sr. Guilherme de Almeida, leu um substancioso e elegante discurso e foi enthusiasticamente applaudido”.

17/11/1907: Sagração de Dom Antonio Augusto de Assis, sendo sagrante o Cardeal Joaquim Arcoverde e assistentes Dom João Nery e Dom Eduardo Duarte Silva. 

18/11/1905: Lei n°49 que concede privilégio de 25 anos à empresa que propõe substituir a iluminação a petróleo pela luz elétrica.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Lançamento da revista


O MHMTT, na ultima quarta feira (18/11), recebeu em seu recinto diversas pessoas que vieram prestigiar o lançamento da 2ª Edição da Revista “Histórias de Pouso Alegre: Museu Histórico Municipal Tuany Toledo”. Estiveram presentes alguns representantes do Legislativo, vereadores eleitos, 20°BPM, professores, pesquisadores, servidores públicos da Câmara Municipal de Pouso Alegre e amigos do Museu. Os presentes tiveram a oportunidade de assistir um vídeo produzido pelo MHMTT com imagens de diversas épocas da cidade de Pouso Alegre.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

O PADRE QUADROS ARANHA


Entre os vereadores que fizeram parte da primeira legislatura da Câmara de Pouso Alegre, instalada em 1832, está o nome do padre João Dias de Quadros Aranha. Além disso, ele se destacou por ser um dos colaboradores para o surgimento da imprensa no Sul de Minas.
O padre Quadros Aranha nasceu em Itu (SP), no ano de 1784. Na cidade de São Paulo, ordenou-se sacerdote em 1807, aos 23 anos. Em 1818, mudou-se para Pouso Alegre, onde começou a participar da vida política da então freguesia pertencente à Vila da Campanha da Princesa (atual Campanha, MG).
Em 1830, ajudou o padre José Bento na redação do “Pregoeiro Constitucional”, o primeiro jornal de Pouso Alegre e do Sul de Minas, e também o quinto a ser impresso na então Província de Minas Gerais. O padre Quadros Aranha assumia a direção do jornal durante as frequentes ausências de José Bento.
O Decreto de 13 de outubro de 1831 criou a Vila de Pouso Alegre e estabeleceu que, na vila recém-criada, deveria ser instalada uma Câmara Municipal. Por isso, em 6 de maio de 1832, a Câmara de Pouso Alegre foi oficialmente estabelecida, tendo como primeiro presidente o padre Mariano Pinto Tavares, e o padre Quadros Aranha como um dos vereadores.
Segundo pesquisa feita nas atas e livros de finanças da Câmara, consta que o padre Quadros Aranha ocupou a função de presidente do Legislativo Municipal de 1833 a 1842, voltando a assumir o cargo de 1845 a 1849. A partir desta última data até o ano de 1851, observa-se que houve uma alternância na presidência entre o padre Quadros Aranha e José Antônio de Freitas Lisboa.
Em 1834, Quadros Aranha foi nomeado cônego da Sé de São Paulo. Eleito à Assembleia Geral para a legislatura 1834-1837, voltou a ocupar o posto de deputado em 1842. Faleceu em 2 de outubro de 1868, com 84 anos.