Vistas aéreas da
cidade de Pouso Alegre na década de 70 disponibilizadas pelo sr. João Urbano
Coutinho de Oliveira no Grupo “Memórias
de Pouso Alegre” – Facebook.
Tradutor
terça-feira, 20 de novembro de 2012
Pouso Alegre Hotel
O sensivel
adiantamento por que a nossa cidade vem passando desde a localisaçao do 10°
Regimento de Artilharia montada, hoje 8°, reclamava diversas medidas de bemfeitorias,
entre as quaes a da, construcçoes de prédios destinados a hotéis com o conforto
e medidas hygienicas, adequadas às exigências modernas.
Comprehendedores
desta lacuna que feria a sensibilidade a sensibilidade das nossas visões de progredir,
resolveram, alguns capitalistas, solucioná-la com a construcçao do confortável e
elegante prédio do HOTEL POUSO ALEGRE.
Depois de funccionar
algum tempo, sob diversas orientações, passou a direcçao firme e prática dos
antigos proprietários do Hotel Ferreira, José Ferreira de Almeida em sociedade
com Cyro Bastos, que imprimiu uma ordenação nova que nada deixa a desejar, ao
par de uma rigorosa hygiene, que muito recommenda a preferência com que estão disputados
os seus 4 luxuosos apartamentos e 30 quartos, com água corrente, tendo todo o mobiliário
preciso ao conforto dos seus hospedes.
Na ampla sala de
jantar esta installado optimo radio, e as refeições são servidas em mesas
isoladas ou em conjunto.
Há mais 15 quartos em
outro prédio próximo, seu filial (o antigo Hotel Roma) muito arejados e confortáveis.
Os banheiros,
chuveiros, installacçoes sanitárias de primeira ordem; garages e acommodaçoes
para tropas, completam este todo que constitue um orgulho a Pouso Alegre.
______________
Pouso
Alegre Hotel, reserva quartos solicitados por telegramma. Para estadias
prolongadas dos senhores turistas, é mister aviso com antecedência.
______________
Pouso
Alegre Hotel é o mais central, e fica na Avenida Doutor Lisboa; extenso
panorama é descortinado das janellas dos seus aposentos.
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
Imagens da cidade
Marco do dia
19/11/1984: Entregue oficialmente ao tráfego a “Perimetral”- com 5,5 km
de extensão. Custo de CR$ 970 milhões de cruzeiros. Prefeito: Dr. Simão Pedro
Toledo- Chefe do 6° DRF- (DNER).
21/11/1901: Chegaram em Pouso Alegre os Missionários do Coração de
Maria.
23/11/1983: Lei n° 2.040 criando a Guarda Mirim.
24/11/1947: É iniciada a demolição da parte da frente da velha Catedral
(adros-torres e mais 8 metros para dentro). A demolição ficou completa no dia
10/02/1948.
A Cirurgia no nosso hospital
Neste ultimo
trimestre, entre as muitas intervenções médicos- cirúrgicas executadas no hospital
desta cidade, destaca-se, pela sua importância e completo êxito, as seguintes:
Maria Magdalena, de 17 annos de idade, casada, de cor branca, entrada em começo
de março com um derrame pleural, lado esquerdo. Feita a puncção, levou-se a
effeito a pleurotomia, tendo sido retirado cerca de um litro e meio de liquido
francamente purulento, operação essa pela primeira vez praticada com resultado
em nossa casa de caridade. A operada teve alta completamente restabelecida a 23
do mês findo.
Mariosa, italiano, maior de 55 annos de idade- infiltração urinaria dos escrotos e períneo por estreitamento urethral. Pela primeira vez nesta cidade praticou-se a operação de urethrotomia externa por abertura da urethra com fistula perineal, obtendo o doente alta radicalmente curado.
Felippe, árabe, maior de 48 annos de idade- estreitamento de urethra com múltiplas fistulas; abertura da urethra posterior, destruição do callo a bistori; fistula perineal; em segunda intervenção urethrotomia interna; fechamento das fistulas e cura completa do operado, que anteriormente já havia se recolhido no hospital. Esse importantíssimo e penoso trabalho cirúrgico foi também o primeiro que se praticou n’esta zona, sendo difficil, senão impossível encontrar-se um enfermo com estreitamento e adherência com que se apresentou no hospital o doente referido.
Mariosa, italiano, maior de 55 annos de idade- infiltração urinaria dos escrotos e períneo por estreitamento urethral. Pela primeira vez nesta cidade praticou-se a operação de urethrotomia externa por abertura da urethra com fistula perineal, obtendo o doente alta radicalmente curado.
Felippe, árabe, maior de 48 annos de idade- estreitamento de urethra com múltiplas fistulas; abertura da urethra posterior, destruição do callo a bistori; fistula perineal; em segunda intervenção urethrotomia interna; fechamento das fistulas e cura completa do operado, que anteriormente já havia se recolhido no hospital. Esse importantíssimo e penoso trabalho cirúrgico foi também o primeiro que se praticou n’esta zona, sendo difficil, senão impossível encontrar-se um enfermo com estreitamento e adherência com que se apresentou no hospital o doente referido.
Todas as melindrosas
e importantíssimas operações citadas foram hábil e pacientemente praticadas
pelos nossos conceituados clínicos srs. Drs. Nothel Teixeira, Arthur Guimarães
e J. Pinto de Carvalho, que se revelaram francos conhecedores dos segredos da
cirurgia moderna, livrando assim de morte certa aos três enfermos pobres,
amparados pelo nosso excellente hospital e restituídos a sociedade e as
respectivas famílias pela pericia e dedicação dos citados clínicos, aos quaes
enviamos nossas vivas felicitações pela victoria alcançada.
Jornal “A Semana” 14/07/1912
| Hospital Sao Vicente de Paula- 1918 Acervo do MHMTT |
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
OS PRIMEIROS JORNAIS DE POUSO ALEGRE
Isaías Pascoal*
O padre, deputado e senador José Bento foi o pioneiro no jornalismo político em Pouso Alegre e região. Foram criações suas o Pregoeiro Constitucional e o Recopilador Mineiro. Quando surgiu, em 1830, o Pregoeiro Constitucional, sob a ótica do Liberalismo, se opôs a D. Pedro I de forma resoluta e agressiva. Suas matérias eram mais doutrinárias e filosóficas, com pouca preocupação em descrever fatos. Os textos eram extensos, faziam comparações entre governos tirânicos (Turquia) e os democráticos (Inglaterra), e exaltava a ideologia Liberal, na realidade, a grande bandeira de luta dos que se opunham ao imperador.
Já o Recopilador
Mineiro (1833-37)
era de uma fase em que D.
Pedro I já havia renunciado ao poder. Na época, o interesse primordial do
governo regencial era garantir a ordem política e social e salvar o país da
“anarquia”. Suas matérias são mais relatos de acontecimentos. São menos
filosóficos e doutrinários. Há anúncios que, no Pregoeiro
Constitucional, eram
impensáveis. O mote principal são
os fatos políticos. Afinal, os leitores estavam interessados em acompanhar o
rumo da política no país. De longe, a maior preocupação.
Os acontecimentos do
exterior também eram assuntos de interesse dos leitores. Os jornais reservavam
um espaço para o noticiário internacional, sobretudo se relevante para a
situação interna crítica. Conhecer o que se passava fora do país,
principalmente na Europa, servia como norte para as lideranças políticas
brasileiras.
As notícias internacionais
chegavam com muito atraso ao sul de Minas, cerca de três meses após o seu
acontecimento. A imprensa não conseguia, nem mesmo, publicar notícias de uma
província a outra sem que isso levasse ao menos um mês.
O Pregoeiro
Constitucional, de 20 de outubro de 1830, nº 13, fala sobre a
revolução que explodiu em Paris no mês de julho. As matérias do exterior
publicadas enfatizavam os conflitos entre os países. O Recopilador Mineiro,
de 19 de dezembro de 1833, nº 89, trazia uma transcrição do Jornal
do Commercio que
fazia análise sobre a invasão da Ilha das Malvinas pela Inglaterra,
explicitando o apoio dos brasileiros aos argentinos: “Invadidas as Ilhas
Malvina pela Corveta de S. M.Britaneia (...) Entretanto a Regencia do
Imperio do Brazil,
(...), tem sido um dos primeiros que de modo mais franco e nobre deu uma prova
inequivoca de que olha para a Causa da America, como propria, e que em qualquer
tempo se collocará á frente dos Estados Americanos para resistir ao poder
Europêo. Estamos autorisados a publicar que a Regencia do Brazil, sem outra iniciativa além de
circular nosso Governo, ordenou seu Ministério Plenipotenciário em Londres o
Cavallheiro Mello Mattos, coopere por todos os modos possiveis a sustentar as reclamações do Ministro da
Republica Argentina a respeito da usurpação das Malvinas por parte da
Inglaterra”.
Além do dia-a-dia da
política nacional e internacional, os jornais faziam comentários sobre o
comportamento feminino, a chegada dos correios, divertiam seus leitores com
anedotas, e até noticiavam o falecimento de seus desafetos.
Em 16 de outubro de 1830,
na edição de nº 12 do Pregoeiro Constitucional, é noticiada a morte do presidente de
Sergipe: “Consta-nos que morreu o Presidente de
Sergipe; muitas vezes a morte de um mau empregado, é origem de paz, e
tranqüilidade!”
O Recopilador Mineiro de 9 de novembro de 1833 trazia ao fim
de sua edição uma anedota: “Anedocta: Aconselhava-se a um velho
que cazasse: elle respondeu, que não gostava de mulheres velhas: Disserão-lhe
que tomasse uma moça: oh! Replicou elle, eu sou velho, e não posso supportar as
velhas, como uma moça me ha-de supportar?”
Este era o cotidiano
retratado pelos jornais. Os acontecimentos políticos eram esperados e lidos com
interesse. A sociedade sul-mineira se desenvolvia e procurava se espelhar na
Corte em sua maneira de ser, de vestir e viver. Os homens liam e discutiam as notícias
em rodas de amigos, enquanto as mulheres faziam suas visitas, e José Bento
realizava façanhas na política e no jornalismo.
Fleming e o início do cinema brasileiro
O cinema brasileiro teve sua origem pioneira
em Pouso Alegre, no ano de 1918. O jovem Francisco de Almeida Fleming, com
apenas 18 anos, veio de Ouro Fino para gerenciar o Cine Íris, que ficava na
Praça Senador José Bento.
Em 1920, Fleming exibiu um filme sincronizado
a um gramofone, o que causou grande espanto aos espectadores do Cine Íris. No
ano seguinte, produziu seu primeiro longa-metragem, “In Hoc Singo Vinces”, e,
por causa disso, sua produtora de filmes é considerada a mais antiga do cinema
brasileiro.
Fleming tornou-se conhecido pelo filme “Paulo
e Virgínia” (1924), baseado no romance de Bernardino Saint Pierre. Esse e
outros filmes do cineasta tinham como cenário a várzea do Rio Mandu e a do Rio
Sapucaí-Mirim.
Outras produções de Fleming foram: “O Vale
dos Martírios”, “Desafio do caipira”, “Minha cara Bo”, “Canção de Carabu”,
“Capital Federal” e “Coração bandido”, entre outras. O cineasta produziu ainda
mais de 300 documentários e reportagens. Conta-se que, para produzir “O Vale
dos Martírios”, Fleming vendeu a própria residência.
Em 1977, Fleming recebeu uma homenagem do Ministério
da Educação e Cultura, como um dos pioneiros do cinema nacional. Faleceu em São
Paulo, no dia 10 de fevereiro de 1999, aos 98 anos.
Uma das cadeiras usadas na direção de filmes
por Chiquinho Almeida, como era chamado, está exposta em nosso Museu.
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