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terça-feira, 27 de novembro de 2012

Avenida Doutor Lisboa (Fernandes Filho)


Determinando o retorno do nome do Dr. Lisboa à principal artéria de nossa cidade, a Câmara Municipal marchou ao encontro do povo, realizando um de seus grandes desejos.
O governo discricionário, implantado em 1937, não respeitava a vontade popular, nem submetia à sua consulta decisões que diziam de perto com o interesse do povo.
As mais caras tradições eram transformadas em brazas ardentes no turibulo em que se incensava os detentores do poder.
O incensório era o objeto mais usado e mais disputado naqueles regime de tão triste memória.
Em Minas, principalmente, só se conservava nas boas graças do suserano-mirim quem soubesse manejar com eficiência o vaso precioso.
Pouso Alegre, como as demais cidades, também teve sua quota, fornecendo matéria para o turibulo oficial. O nome da nossa principal avenida foi uma das brazas que fizeram subir aos céos a fumaça de resina aromática.

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Chamava-se José Antonio de Freitas Lisboa, e era médico na acepção do vocábulo. Não tinha limites seu amor pelos que sofram. Sua solidariedade era tamanha que o sofrimento alheio também o atingia em cheio. As portas de sua casa e do seu coração estavam sempre escancaradas.
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Cortava longas distancias no lombo do cavalo, afim de levar o auxilio da ciência ou o calor do seu coração aos que sofriam e choravam.
Em seu vocabulário tradicional não existia a palavra “não”, por que nunca soube pronunciá-la. O povo, que não podia pagar em moeda os seus benefícios, deu seu nome ao principal logradouro público.
A cidade cresceu e a rua tornou-se o coração da cidade. Lá estava, pregado nas paredes, o nome de seu benfeitor.
Um dia, porém, chegou o regime da adulação, e o coração da cidade, que era a bela avenida, foi escolhido para o sacrifício.
Atirou-se ao incensário aquele nome, para alimentar a fumaça perfumada que se evolava e ganhava as alturas.
Nunca o povo se conformou com a troca. Impossibilitado de manifestar abertamente o seu protesto, aguardava, confiante, o advento do regime da liberdade para fazer valer a sua vontade.
A Câmara interpretou a vontade do povo, determinando a volta do nome do Dr. Lisboa à nossa principal avenida.
No coração do não se entra pela força nem pela violência.

Jornal “A Cidade” 25/04/1948- capa

 

Denominações de avenidas e praças.


Prefeitura Municipal de Pouso Alegre

Decreto-Lei n° 11, 3 de novembro de 1938

Dispõe sobre denominações de avenidas e praças.

Tuany Toledo, prefeito do Município de Pouso Alegre, usando de suas atribuições, e considerando que o município vai comemorar festivamente, no dia 10 de novembro, o primeiro aniversário do Estado Novo;

Considerando que o Presidente Getulio Vargas é o Chefe da Nação e, como tal, tem definido o espírito de brasilidade, revelando em todos os seus atos, o sentimento e a consciência de um grande estadista;

Considerando que o dr. Benedito Valadares é o Governador do nosso Estado e, como tal, tem prestado assinalados serviços a Minas Gerais, realizando na sua administração obras notáveis, as quais, além de “honrarem uma geração de governantes”, só por si bastariam para recomenda-lo à estima, à admiração e ao respeito de todos os nossos patrícios;

Considerando ainda que a cidade de Pouso Alegre já prestou recentemente justa e oferecida homenagem ao Presidente Getulio Vargas e ao Governador Benedito Valadares, inaugurando no salão nobre da Prefeitura os retratos desses grandes vultos nacionais.

Considerando finalmente que é de inteira justiça completar a homenagem, ligando os nomes desses eminentes brasileiros à nossa cidade por um ato concreto, que traduza o reconhecimento do povo pousoalegrense, decreta:

Art. 1°- Fica denominada Praça “Getulio Vargas”- o trecho da avenida “Herculano Cobra”, compreendido entre os dois lados da via publica, da Catedral até a Rua “Samuel Libânio”.

Art. 2°: A atual avenida “Dr. Lisboa”- passa a denominar-se avenida “Benedito Valadares”.

Art. 3°: As placas respectivas serão inauguradas no dia 10 de novembro, por ocasião dos festejos comemorativos do primeiro aniversario do Estado Novo.

Art. 4°: Revogam-se as disposições em contrario.

Mando, portanto, a todas as autoridades a quem o conhecimento e execução deste decreto-lei pertencer, que o cumpram e façam cumprir tão inteiramente como nele se contém.

Gabinete da Prefeitura Municipal de Pouso Alegre, 3 de Novembro de 1938. Tuany Toledo, Prefeito Municipal.

Publicado no Jornal “O Municipio” 03/11/1938, capa.

Imagens da cidade

 
 
 

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Imagens da cidade

Vistas aéreas de Pouso Alegre II
 
 
 
 
 

Crônica da Cidade

Este é outro capitulo do que escrevo sobre os tipos característicos...
Sempre resta alguém que não devo deixar de abordar... É tudo uma questão de dor na consciência... de uma sentimental...
Recordo-me, vivamente, neste instante, do velho Seu Antônio Português, que morava no ginásio São José...
Como era divertido conversar com aquele bom velhinho... que vivia dando lições de moralidade... Lembro-me bem, da braveza que ele ficava, quando falávamos: “Boa tarde, seu Antônio”, e ele respondia: “Nunca é tarde...”
Até esta presente crônica, ainda não trouxe à lembrança suas, também, a figura imponente e cheia de simpatia, do preto feio e alegre, chamado por “Agostinho”...
Quem não sente falta das musicas solfejadas, entre dedos, por aquele negro?
Ele era forte e tinha muito estilo... suas sinfonias comoviam... e dava vontade de fazer brotar águas nos olhos...
Que imenso era seu repertorio... Em qualcanto da rua, atraia espectadores e fãs... Eu mesma pequena ainda, gostava de ser plateia para aquele artista... nato...
Saudades e mais saudades... (Zal Jomar)
O Jornal de Pouso Alegre, 20/07/1968  

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Imagens da cidade

Vistas aéreas da cidade de Pouso Alegre na década de 70 disponibilizadas pelo sr. João Urbano Coutinho de Oliveira no Grupo  “Memórias de Pouso Alegre” – Facebook.  
 
 
 
 
 

Pouso Alegre Hotel


O sensivel adiantamento por que a nossa cidade vem passando desde a localisaçao do 10° Regimento de Artilharia montada, hoje 8°, reclamava diversas medidas de bemfeitorias, entre as quaes a da, construcçoes de prédios destinados a hotéis com o conforto e medidas hygienicas, adequadas às exigências modernas.

Comprehendedores desta lacuna que feria a sensibilidade a sensibilidade das nossas visões de progredir, resolveram, alguns capitalistas, solucioná-la com a construcçao do confortável e elegante prédio do HOTEL POUSO ALEGRE.

Depois de funccionar algum tempo, sob diversas orientações, passou a direcçao firme e prática dos antigos proprietários do Hotel Ferreira, José Ferreira de Almeida em sociedade com Cyro Bastos, que imprimiu uma ordenação nova que nada deixa a desejar, ao par de uma rigorosa hygiene, que muito recommenda a preferência com que estão disputados os seus 4 luxuosos apartamentos e 30 quartos, com água corrente, tendo todo o mobiliário preciso ao conforto dos seus hospedes.

Na ampla sala de jantar esta installado optimo radio, e as refeições são servidas em mesas isoladas ou em conjunto.

Há mais 15 quartos em outro prédio próximo, seu filial (o antigo Hotel Roma) muito arejados e confortáveis.

Os banheiros, chuveiros, installacçoes sanitárias de primeira ordem; garages e acommodaçoes para tropas, completam este todo que constitue um orgulho a Pouso Alegre.

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Pouso Alegre Hotel, reserva quartos solicitados por telegramma. Para estadias prolongadas dos senhores turistas, é mister aviso com antecedência.

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Pouso Alegre Hotel é o mais central, e fica na Avenida Doutor Lisboa; extenso panorama é descortinado das janellas dos seus aposentos.