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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Ribeirão das Mortes- Origem do nome


O nome de Ribeirão das Mortes é atribuído por alguns historiadores que ali, junto a veio d’água, travou-se dois grandes combates. O primeiro combate é atribuído às desavenças entre o povo de Pouso Alegre e os fiéis de Santana, atual Silvianópolis. Segundo a lenda a imagem do Senhor Bom Jesus dos Mártires, foi vendida pelo padre Hermógenes, pároco de Santana, para os fiéis e instalada na igrejinha do arraial de Pouso Alegre do Mandu. Os fiéis vieram de Santana com o intuito de recuperar a imagem, e no córrego do Cantagalo travaram batalha  com a multidão de homens e mulheres de Pouso Alegre. Os santanenses, sendo em menor número, perderam a batalha. Não houve mortos, apenas alguns feridos.
 
Alguns historiadores afirmam que o Ribeirão foi batizado assim devido ao grande combate travado na época dos Emboabas. Estudos aprofundados da história desmentem a lenda, e apontam o rio Cervo, aberto para o ouro de aluvião que aparecia nas suas margens, como alvo de disputa por paulistas e portugueses.

Ribeirão do Sangue foi o nome primitivo do córrego que nasce ao sul da serra do Cantagalo e corre dali para o Leste, até o rio Sapucaí. A compreensão do nome, segundo estudos realizados por  Augusto José de Carvalho, veio da matança dos porcos na região, a partir das últimas décadas do século dezenove. Ali eram abatidos muitos suínos para a indústria de banha.

CARVALHO, Augusto Jose. Terra do Bom Jesus. Artes gráficas Irmão Gino ltda..Pouso Alegre, Minas Gerais, 1982. P.98 a 90

Imagens da cidade

 
 
 
 

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Marco do dia


14/12/1982: É instalado o 20° BPMMG em Pouso Alegre. Sua área abrange 57 municípios do Sul de Minas.

Imagens da cidade

 
 
 
 

A Colônia Francisco Sales

 
No inicio do século foram criados vários núcleos agrícolas no Estado, visando estimular a agricultura. No Sul de Minas foram fundadas, em diferentes épocas, as colônias agrícolas Francisco Sales (Pouso Alegre), Senador José Bento (distrito de Congonhal) e Inconfidentes (Ouro Fino).

A Colônia Francisco Sales, propriedade do Estado, foi criada pela Lei nº 150 de 20 de julho de 1896. Em 1905 tem início sua instalação, ocupando as fazendas de Ramos Brandão (atual cerâmica Guersoni) e a de Antonio Libânio Teixeira (atual igreja de N.S. Aparecida e se estendia até ao bairro do Cristal).

Em Pouso Alegre glebas de terra foram divididas em lotes de 5 alqueires e vendidas a imigrantes europeus ao preço de 1:200$000 (hum conto e duzentos) em seis (6) prestações. Ali fixaram-se várias famílias de origem italiana, portuguesa e espanhola. Essas famílias deram origem a uma larga descendência, que mais tarde se fixou na cidade, como os Chiarini, Scodeler, Leone, Carletti, Cinquetti, Márquez, Fernandez, etc. Em Senador José Bento fixaram-se imigrantes de origem estoniana, e em Inconfidentes alguns alemães.

As colônias contavam com a assistência do governo, havendo na Colônia Francisco Sales um trator disponível para uso dos colonos, além da assistência de um agrônomo, sementes, adubos, etc.

A topografia montanhosa, em certas áreas da colônia, dificultava o transporte da cana-de-açúcar que era plantada na serra. Por isso, o transporte era feito por meio de cabo de aço, que ia do alto da serra até o engenho, o qual era movido pela energia gerada pela água represada de um açude feito pelos colonos. Os feixes de cana, amarrados, desciam pelo cabo preso em carretilhas e passavam pela moenda, indo depois para o alambique para a fabricação de aguardente.

Havia também extensas várzeas, onde se pretendia cultivar o arroz. Para esse fim importou-se da Itália uma máquina de beneficiar arroz, movida a vapor, tão grande e pesada que foi preciso construir-se uma carreta especial para transporta-la da estação para a colônia, sendo esta instalada num prédio construído especialmente para aquele fim. Havia na colônia vários açudes construídos pelos colonos, que evidenciavam a tendência de captar-se e armazenar água para usá-la como força hidráulica.

Em 7 de fevereiro de 1905, durante o episcopado de dom João Baptista Nery, o Estado confiou a direção do núcleo colonial Francisco Sales ao Bispado, para o fim de ser estabelecido uma escola agrícola na sua sede. A escola iniciou suas atividades em 10 de agosto do mesmo ano, sob a direção do então padre Octávio Chagas de Miranda. Contava a escola com 20 alunos internos e 15 externos, todos gratuitos. O pessoal admi­nistrativo e docente compunha-se de um diretor, de um professor de preparatories e subdiretor, padre Gastão de Morais, e um professor de agronomia. O programa de ensino abrangia varia matérias, entre as quais botânica, química, geologia e meteorologia agrícola, agricultura e zootécnica práticas, com trabalhos de campo, demonstração e experiência.

A Colônia Francisco Sales não teve o resultado esperado, enquanto as de Senador José Bento e Inconfidentes prosperaram e se tornaram mais tarde cidades.Os colonos acabaram por se fixar na cidade, e a escola agrícola não teve a continuidade esperada, encerrando as suas atividades em outubro de 1906

Anos mais tarde, quando dom Octávio Chagas de Miranda assumiu a direção da diocese, a sede da colônia foi adquirida para servir de colônia de férias do Seminário, e construiu-se uma nova capela, mais ampla, em louvor a Nossa Senhora da Aparecida.

 
Referência Bibliográfica:

OLIVEIRA, Antonio Marques, Almanak do município de Pouso Alegre, 1900, p.93
GOUVÊA, Otávio Miranda. A História de Pouso Alegre, Imagem, 1998, p.134,135,136

 

Alexandre de Araujo


Alexandre nasceu em Pouso Alegre, em 17 de abril de 1922, filho de Sebastião de Araujo e Maria Luiza Dadado Laira de Araujo.

Frequentou escolas particulares e o Ginásio São José. Dos 12 aos 16 anos trabalhou no estabelecimento comercial de seu pai, a Casa Araujo, na Avenida Dr. Lisboa.

De 1939 a 1941, serviu no 8º Regimento de Artilharia Montada (RAM), em Pouso Alegre, e na 2ª Bateria Independente de Artilharia Automóvel, em Olinda (PE).

Residiu no Rio de Janeiro, em Juiz de Fora e Belo Horizonte, trabalhando em firmas particulares. De 1950 a 1978, foi funcionário do Departamento Nacional de Estradas e Rodagens (DNER), chefiando a Sessão Pessoal na construção da BR 381, a Rodovia Fernão Dias.

Na década de 1960, foi gerente da PRJ-7 e do Cine Glória. Em 1964, foi convidado por Argentino de Paula, então presidente da Câmara, para ocupar o cargo de secretário executivo no legislativo, assessorando presidentes e vereadores.

Em 1965, promoveu uma exposição de fotos e documentos relacionados com Pouso Alegre, nas vitrines da Casa Vitale, na Avenida Dr. Lisboa.

Em 1976, a Câmara lhe confere o título de “Grande Pouso-alegrense”, pelos serviços prestados à comunidade na legislatura 73/77.

Em 1984, instala no piso superior do prédio da Câmara a “Galeria para Exposição de Fotos e Documentos” relacionados a Pouso Alegre.

Em 1989, promove, junto à Prefeitura, a construção de um mausoléu para preservar os restos mortais do padre senador José Bento Leite Ferreira de Melo.

No mesmo ano, é nomeado, pela Câmara, supervisor da Galeria Tuany Toledo, posteriormente denominada de Museu Histórico Municipal Tuany Toledo. Alexandre de Araujo é o idealizador, criador e atual diretor do Museu.

Em 1990, o Jornal do Estado lhe confere o diploma de reconhecimento aos serviços prestados à comunidade. Em 1996, é condecorado pelo 14º GAC com os diplomas “Amigo do Grupo Fernão Dias” e “Colaborador Emérito do Exército”.

Publicou dois livros, “Ex-chefes do Executivo” e “Pouso Alegre através dos tempos: sequência histórica”, em 1997.

Em 2002, é homenageado pela Prefeitura com o diploma “Fundador da Cidade”, e em 2003, pela Câmara Municipal com a “Insígnia Tiradentes”.

Alexandre de Araujo é casado com Leonor Rocha de Araujo. Seus filhos: Wanderley, Lúcia Helena e Emerson. Possui cinco netos e dois bisnetos.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

O “LAVA-CAVALO”


Nas primeiras décadas do século XX, a várzea do São Geraldo se inundava na época das chuvas, e a rapaziada pouso-alegrense aproveitava para nadar nas águas do rio Mandu. A antiga ponte, que hoje não existe mais, pois sobre ela está a rotatória da Perimetral que separa o Centro do Bairro São Geraldo, servia de trampolim para os jovens mergulharem.

Havia também outro local onde se costumava nadar: o Lava-cavalo. Esse trecho do rio Mandu, que ficava aos fundos do quartel, era assim chamado pela população da cidade por ser o lugar onde os cavalos do 8º R.A.M., hoje 14º G.A.C., eram levados para “tomar banho”. Assim Gouvêa nos descreve o Lava-cavalo: “O rio serpenteava pela várzea e descrevia, naquele trecho, uma longa curva, depositando areia branca em uma das margens e tornando o local bastante convidativo. Havia também muitos barrancos, facilitando, assim, a prática dos mergulhos. (...) Era, por assim dizer, uma praça de esportes improvisada, pela qual os próprios freqüentadores zelavam, arrancando o mato das margens do rio, limpando-o ou introduzindo melhoramentos, como o trampolim todo de madeira de quase três (3) metros de altura.”

Segundo Alexandre de Araújo, o local foi bastante procurado pela “molecada” pouso-alegrense entre as décadas de 1930 e 1950. Além disso, Araújo nos descreve uma das brincadeiras que eles costumavam fazer: “A tabatinga (argila sedimentar, mole, untuosa) e de cores vermelha-amarela e preta, dos barrancos ensejavam os mais habilidosos, formar bonecos, cavalos, carroças, casas, etc. O mais divertido eram as costumeiras ‘guerras’ de bolotas de tabatinga, lambuzando todo o corpo.”

Alexandre de Araújo nos conta, ainda, com saudade e lirismo, como era nadar no Lava-cavalo: “No verão, às 5 da matina até o entardecer, era uma enormidade de aficionados da natação. Águas límpidas; nas margens, a exuberância e os frescor do vergel multicolorido. Como era divertido segurar no rabo dos cavalos dentro d’água, um deslizar suave até onde desse pé para o cavalo. Era correr e pular de qualquer barranco, ao afago vivificante das águas cristalinas do nosso saudosíssimo ‘Lava-cavalo’.”

Na década de 1980, com a abertura da Perimetral, um grande trecho do rio Mandu foi soterrado para ceder lugar à nova avenida, inclusive o local onde ficava o Lava-cavalo. Com isso, ele tornou-se apenas uma lembrança na memória dos que, quando jovens, passavam o tempo nadando nas águas do rio Mandu.