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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
Museu Histórico Municipal Tuany Toledo: Espaço das muitas memórias de Pouso Alegre
O Museu Histórico, neste segundo semestre,
recebeu inúmeras visitas de escolas, pesquisadores e pessoas que se interessam
pela história da cidade. Muitos estiveram à procura de informações, ou até
mesmo fazendo doações de suma importância que resgatam as memórias de Pouso Alegre.
Além dessas atividades, a equipe do Museu publicou a segunda edição da Revista
“Histórias de Pouso Alegre” e um livro comemorativo dos 30 anos do 20° Batalhão
da Policia Militar em Pouso Alegre.
Guardião
das Memórias
O MHMTT continua ampliando seu acervo. No 2º
semestre de 2012, foram confiadas à guarda do Museu imagens cinematográficas da
cidade. Entre elas um desfile realizado no dia 07 de setembro de 1938 e
desfiles nas décadas de 70, doadas por Elaine Delfino Ávila. Já a família do
ex-prefeito Antônio Ribeiro Duarte confiou a guarda de filmes relacionados a
Pouso Alegre no final da década de 40 e arquivos pessoais da família. As
doações podem ser feitas no próprio prédio do Museu.
O
aumento de pesquisadores
O Museu abriu seus arquivos para pesquisadores
no ano de 2012. A grande procura é por acadêmicos do curso de História,
buscando informações, principalmente em temas relacionados à linha de pesquisa “Historia
e Cidade”. Temas como: Avenida Doutor Lisboa, Cadeia Pública, Colônia Francisco
Sales, Estação Ferroviária, Distrito Industrial, Mercado Municipal entre outros
foram requisitados em nossos arquivos por estudantes de graduação, mestrandos e
doutorandos. Os pesquisadores tiveram acesso a alguns documentos como: jornais,
revistas, atas do poder legislativo, imagens fotográficas entre outros, muitas
vezes já digitalizados e arquivados no banco de dados da própria instituição.
Projeto
Passeio pela História
Desde
julho deste ano, o Museu recebeu cerca 2 mil estudantes de diversas
instituições de ensino de Pouso Alegre, além de uma escola da cidade de
Turvolândia (MG). Além de alunos de colégios estaduais, municipais e
particulares, visitaram o MHMTT crianças do Educandário Nossa Senhora de
Lourdes, acompanhadas por monitores, bem como adultos e idosos do CRAS São
Geraldo.
Alunos
de cursos técnicos do SENAC e do Instituto Federal Sul de Minas visitaram o
Museu e participaram de discussões sobre a história de Pouso Alegre no
Plenarinho da Câmara.
Essas
instituições visitaram o MHMTT, como parte do projeto Passeio pela História,
uma parceria entre a Câmara de Pouso Alegre e a Viação Princesa do Sul, que
disponibiliza o transporte gratuito dos visitantes. As visitas são agendadas
previamente pelo telefone 3429-6511.
Lançamento
da Revista “Histórias de Pouso Alegre”
A
tarde do dia 07 de novembro aconteceu o lançamento da segunda edição da revista
do MHMTT, em clima de lembranças, proporcionados por um vídeo com fotos relembrando
diversos momentos e histórias de Pouso Alegre e pequenos filmes das décadas de
30 e 40.
O lançamento contou com a participação do presidente da
casa, vereador Oliveira Altair, e os parlamentares Dulcinéia Costa, Hélio da
Van, Laércio Machado e Raphael Prado. Além deles, quatro vereadores eleitos
para a próxima legislatura estiveram presentes: Adriano Pereira Braga, Lílian
Siqueira, Rafael Huhn e Wilson Tadeu Lopes. Servidores da Câmara Municipal, diretoras
de escolas municipais, vice-diretoras, a equipe do Projeto Criartes, professores,
acadêmicos do Curso de História e amigos do MHMTT também prestigiaram o evento.
O diretor do Museu, Sr. Alexandre de Araújo, autografou
exemplares e os distribuiu para quem prestigiou o lançamento, juntamente com um
DVD contendo programas produzidos pelo Museu em parceria com a TV Câmara. Alexandre
é o idealizador do espaço que tem como principais objetivos preservar e
divulgar a história de Pouso Alegre às novas gerações.
Edição
comemorativa pelos 30 anos do 20° BPM
No
dia 12 de dezembro acontece nas dependências da Câmara o lançamento do livro Orgulho
da Gerais, patrimônio do Sul de Minas, memórias da Polícia Militar em Pouso
Alegre, comemorativo dos 30 anos do 20º BPM. O trabalho é uma
realização da Polícia Militar e Museu Histórico Municipal Tuany Toledo feito pela jornalista, historiadora e assessora de imprensa do
MHMTT, Suely Ferrer, a orientação técnica da Sargento Marilza e correção do
professor de Língua brasileira e estrangeira Mayke Riceli.
O
livro faz uma viagem ao passado da Polícia Militar em Minas Gerais até chegar
os dias atuais do 20º BPM em Pouso Alegre. Além da pesquisa em documentos,
também estão publicados relatos dos ex-comandantes, ex-policiais e de
comandantes e policiais da ativa.
Além
do lançamento do livro acontece ainda a cerimônia de reinauguração do núcleo
temático do 20ºBPM, com seu acervo ampliado através de doações de objetos,
indumentária, documentos e fotografias feitas pelos policiais da Instituição.
AS ATAS DA CÂMARA MUNICIPAL
Ata
é um livro, com ou sem linhas (sem linhas até 1880), onde se registra o que
ocorre, acontece, numa sessão, reunião.
Nas
atas da Câmara Municipal de Pouso Alegre, em épocas pretéritas, não consta o
local onde se encontra instalada a Câmara.
A
primeira ata foi redigida no dia 6 de maio de 1832 (há 179 anos), data de sua
fundação, sob a presidência do padre Mariano Pinto Tavares, seu primeiro
presidente, nascido em São Paulo em 1795, assumindo a presidência aos 37 anos
de idade.
Justamente
esse valioso documento histórico está, infelizmente, ausente dos arquivos da
Câmara Municipal.
Onde
estará esse secular livro? Em que recanto estará ocultado? São perguntas que só
serão respondidas por aquele que tenha em seu poder, indevidamente, tão valioso
documento do Legislativo Municipal.
Perambulando,
curioso, colocando em ordem os livros de ata da Câmara Municipal, com páginas
delicadas e amarelecidas pelo tempo, desde minha admissão em abril de 1964, dei
pela falta de alguns livros de atas. Meu pensamento vagou no espaço exíguo da
sala, indo de encontro às paredes, procurando alcançar o porquê da inexistência
do mesmo no arquivo.
Quando
do falecimento de um ex-vereador, um de seus filhos colocou à minha disposição
o arquivo de seu querido e saudoso progenitor, para que eu escolhesse algo para
o nosso Museu.
Rebusquei
o escritório. Ao abrir uma gaveta corrediça, deparei, num canto, com alguns
livros. Peguei-os, verificando serem livros de atas. Olhei para a pessoa que me
acompanhava, dizendo-lhe: “Esses livros são da Câmara Municipal.” Resposta:
“Pode levá-los.” Eram livros de atas datados de 1839, 1842, 1859, 1856, 1862.
Em
02/01/1990, um velho e querido amigo, cujo avô, ex-vereador, falecera,
compareceu ao Museu sobraçando livros de atas que se encontravam em seu poder,
datados de 1840 e 1847. Agradeci a gentileza do gesto magnânimo.
Esses
dois fatos foram suficientes para corroborar meus pensamentos, deduzindo que
livros de atas e outros documentos estão por aí, enfurnados nas gavetas, nos
armários, aguardando, quem sabe, a triste hora de serem lançados à lixeira ou
vendidos.
Naquela
época, era costume o vereador, com ou sem o assentimento da presidência, levar
livros de atas para casa, para auferir algo dos pronunciamentos, seu e dos
colegas, para novas explanações nas sessões vindouras, discordando, ou não.
Daí
o esquecimento, a obrigação em devolvê-los.
Faço
um apelo à sua consciência: rebusque a sua biblioteca, ou se for alfarrabista,
se lá não existe algum livro de atas ou outro documento da Câmara Municipal,
entregando-o ao nosso Museu.
Seu
nome permanecerá sigiloso e eu, genuflexo, vou agradecer, com certeza, com
algumas gotas brotando nos cantos dos olhos.
Visite
o Museu; não ignore.
Venha,
porque fazemos questão de sua visita!
Marco do dia
19/12/1953: É fundada a Arcádia de Pouso Alegre, congregando os poetas
da terra.
20/12/1925: É lançada a pedra fundamental da Capela Nossa Senhora de
Aparecida, no bairro Faisqueira, pertencente à Diocese, junto da casa de campo
do Seminário.
27/12/1930: Recebe na Catedral a sagração episcopal o Exmo. Revmo. Sr.
Bispo Dom Lafayette Libânio, ex- vigário geral de Pouso Alegre. Bispo de São
João do Rio Preto.
29/12/1925: Lançamento da pedra fundamental para a construção do novo
Seminário Diocesano.
31/12/1930: É nomeado vigário geral da Diocese o Exmo. Sr. Mons. Dr.
Antonio Furtado de Mendonça.
31/12/1995: Inaugurada a Igreja de Santo Antônio, no bairro do mesmo
nome.
Ribeirão das Mortes- Origem do nome
O nome de Ribeirão das Mortes é atribuído por alguns historiadores que ali, junto a veio d’água, travou-se dois grandes combates. O primeiro combate é atribuído às desavenças entre o povo de Pouso Alegre e os fiéis de Santana, atual Silvianópolis. Segundo a lenda a imagem do Senhor Bom Jesus dos Mártires, foi vendida pelo padre Hermógenes, pároco de Santana, para os fiéis e instalada na igrejinha do arraial de Pouso Alegre do Mandu. Os fiéis vieram de Santana com o intuito de recuperar a imagem, e no córrego do Cantagalo travaram batalha com a multidão de homens e mulheres de Pouso Alegre. Os santanenses, sendo em menor número, perderam a batalha. Não houve mortos, apenas alguns feridos.
Alguns historiadores afirmam que o
Ribeirão foi batizado assim devido ao grande combate travado na época dos
Emboabas. Estudos aprofundados da história desmentem a lenda, e apontam o rio
Cervo, aberto para o ouro de aluvião que aparecia nas suas margens, como alvo
de disputa por paulistas e portugueses.
Ribeirão do Sangue foi o nome
primitivo do córrego que nasce ao sul da serra do Cantagalo e corre dali para o
Leste, até o rio Sapucaí. A compreensão do nome, segundo estudos realizados
por Augusto José de Carvalho, veio da
matança dos porcos na região, a partir das últimas décadas do século dezenove.
Ali eram abatidos muitos suínos para a indústria de banha.
CARVALHO, Augusto Jose. Terra do
Bom Jesus. Artes gráficas Irmão Gino ltda..Pouso Alegre, Minas Gerais,
1982. P.98 a 90
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
Marco do dia
14/12/1982: É instalado o 20° BPMMG em Pouso Alegre. Sua área abrange 57
municípios do Sul de Minas.
A Colônia Francisco Sales
No inicio do século foram criados vários núcleos agrícolas no Estado, visando estimular a agricultura. No Sul de Minas foram fundadas, em diferentes épocas, as colônias agrícolas Francisco Sales (Pouso Alegre), Senador José Bento (distrito de Congonhal) e Inconfidentes (Ouro Fino).
A Colônia Francisco Sales, propriedade do Estado, foi criada pela Lei nº 150 de 20 de julho de 1896. Em 1905 tem início sua instalação, ocupando as fazendas de Ramos Brandão (atual cerâmica Guersoni) e a de Antonio Libânio Teixeira (atual igreja de N.S. Aparecida e se estendia até ao bairro do Cristal).
Em Pouso Alegre glebas de terra foram divididas em lotes de 5 alqueires e vendidas a imigrantes europeus ao preço de 1:200$000 (hum conto e duzentos) em seis (6) prestações. Ali fixaram-se várias famílias de origem italiana, portuguesa e espanhola. Essas famílias deram origem a uma larga descendência, que mais tarde se fixou na cidade, como os Chiarini, Scodeler, Leone, Carletti, Cinquetti, Márquez, Fernandez, etc. Em Senador José Bento fixaram-se imigrantes de origem estoniana, e em Inconfidentes alguns alemães.
As colônias contavam com a assistência do governo, havendo na Colônia Francisco Sales um trator disponível para uso dos colonos, além da assistência de um agrônomo, sementes, adubos, etc.
A topografia montanhosa, em certas áreas da colônia, dificultava o transporte da cana-de-açúcar que era plantada na serra. Por isso, o transporte era feito por meio de cabo de aço, que ia do alto da serra até o engenho, o qual era movido pela energia gerada pela água represada de um açude feito pelos colonos. Os feixes de cana, amarrados, desciam pelo cabo preso em carretilhas e passavam pela moenda, indo depois para o alambique para a fabricação de aguardente.
Havia também extensas várzeas, onde se pretendia cultivar o arroz. Para esse fim importou-se da Itália uma máquina de beneficiar arroz, movida a vapor, tão grande e pesada que foi preciso construir-se uma carreta especial para transporta-la da estação para a colônia, sendo esta instalada num prédio construído especialmente para aquele fim. Havia na colônia vários açudes construídos pelos colonos, que evidenciavam a tendência de captar-se e armazenar água para usá-la como força hidráulica.
Em 7 de fevereiro de 1905, durante o episcopado de dom João Baptista Nery, o Estado confiou a direção do núcleo colonial Francisco Sales ao Bispado, para o fim de ser estabelecido uma escola agrícola na sua sede. A escola iniciou suas atividades em 10 de agosto do mesmo ano, sob a direção do então padre Octávio Chagas de Miranda. Contava a escola com 20 alunos internos e 15 externos, todos gratuitos. O pessoal administrativo e docente compunha-se de um diretor, de um professor de preparatories e subdiretor, padre Gastão de Morais, e um professor de agronomia. O programa de ensino abrangia varia matérias, entre as quais botânica, química, geologia e meteorologia agrícola, agricultura e zootécnica práticas, com trabalhos de campo, demonstração e experiência.
A Colônia Francisco Sales não teve o resultado esperado, enquanto as de Senador José Bento e Inconfidentes prosperaram e se tornaram mais tarde cidades.Os colonos acabaram por se fixar na cidade, e a escola agrícola não teve a continuidade esperada, encerrando as suas atividades em outubro de 1906
Anos mais tarde, quando dom Octávio Chagas de Miranda assumiu a direção da diocese, a sede da colônia foi adquirida para servir de colônia de férias do Seminário, e construiu-se uma nova capela, mais ampla, em louvor a Nossa Senhora da Aparecida.
Referência Bibliográfica:
OLIVEIRA, Antonio Marques, Almanak do município de
Pouso Alegre, 1900, p.93
GOUVÊA, Otávio Miranda. A História de Pouso Alegre,
Imagem, 1998, p.134,135,136
Alexandre de Araujo
Alexandre
nasceu em Pouso Alegre, em 17 de abril de 1922, filho de Sebastião de Araujo e
Maria Luiza Dadado Laira de Araujo.
Frequentou
escolas particulares e o Ginásio São José. Dos 12 aos 16 anos trabalhou no
estabelecimento comercial de seu pai, a Casa Araujo, na Avenida Dr. Lisboa.
De 1939 a 1941, serviu no 8º Regimento
de Artilharia Montada (RAM), em Pouso Alegre, e na 2ª Bateria Independente de Artilharia
Automóvel, em Olinda (PE).
Residiu no
Rio de Janeiro, em Juiz de Fora e Belo Horizonte, trabalhando em firmas
particulares. De 1950 a
1978, foi funcionário do Departamento Nacional de Estradas e Rodagens (DNER),
chefiando a Sessão Pessoal na construção da BR 381, a Rodovia Fernão Dias.
Na década de
1960, foi gerente da PRJ-7 e do Cine Glória. Em 1964, foi convidado por Argentino
de Paula, então presidente da Câmara, para ocupar o cargo de secretário
executivo no legislativo, assessorando presidentes e vereadores.
Em 1965,
promoveu uma exposição de fotos e documentos relacionados com Pouso Alegre, nas
vitrines da Casa Vitale, na Avenida Dr. Lisboa.
Em 1976, a Câmara lhe confere
o título de “Grande Pouso-alegrense”, pelos serviços prestados à comunidade na
legislatura 73/77.
Em 1984,
instala no piso superior do prédio da Câmara a “Galeria para Exposição de Fotos
e Documentos” relacionados a Pouso Alegre.
Em 1989,
promove, junto à Prefeitura, a construção de um mausoléu para preservar os restos
mortais do padre senador José Bento Leite Ferreira de Melo.
No mesmo
ano, é nomeado, pela Câmara, supervisor da Galeria Tuany Toledo, posteriormente
denominada de Museu Histórico Municipal Tuany Toledo. Alexandre de Araujo é o idealizador,
criador e atual diretor do Museu.
Em 1990, o Jornal
do Estado lhe confere o diploma de reconhecimento aos serviços prestados à
comunidade. Em 1996, é condecorado pelo 14º GAC com os diplomas “Amigo do Grupo
Fernão Dias” e “Colaborador Emérito do Exército”.
Publicou
dois livros, “Ex-chefes do Executivo” e “Pouso Alegre através dos tempos:
sequência histórica”, em 1997.
Em 2002, é
homenageado pela Prefeitura com o diploma “Fundador da Cidade”, e em 2003, pela
Câmara Municipal com a “Insígnia Tiradentes”.
Alexandre de
Araujo é casado com Leonor Rocha de Araujo. Seus filhos: Wanderley, Lúcia Helena
e Emerson. Possui cinco netos e dois bisnetos.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
O “LAVA-CAVALO”
Nas primeiras décadas do século XX, a várzea
do São Geraldo se inundava na época das chuvas, e a rapaziada pouso-alegrense aproveitava
para nadar nas águas do rio Mandu. A antiga ponte, que hoje não existe mais,
pois sobre ela está a rotatória da Perimetral que separa o Centro do Bairro São
Geraldo, servia de trampolim para os jovens mergulharem.
Havia também outro local onde se costumava
nadar: o Lava-cavalo. Esse trecho do rio Mandu, que ficava aos fundos do
quartel, era assim chamado pela população da cidade por ser o lugar onde os
cavalos do 8º R.A.M., hoje 14º G.A.C., eram levados para “tomar banho”. Assim
Gouvêa nos descreve o Lava-cavalo: “O rio serpenteava pela várzea e descrevia,
naquele trecho, uma longa curva, depositando areia branca em uma das margens e
tornando o local bastante convidativo. Havia também muitos barrancos,
facilitando, assim, a prática dos mergulhos. (...) Era, por assim dizer, uma
praça de esportes improvisada, pela qual os próprios freqüentadores zelavam,
arrancando o mato das margens do rio, limpando-o ou introduzindo melhoramentos,
como o trampolim todo de madeira de quase três (3) metros de altura.”
Segundo Alexandre de Araújo, o local foi
bastante procurado pela “molecada” pouso-alegrense entre as décadas de 1930 e
1950. Além disso, Araújo nos descreve uma das brincadeiras que eles costumavam
fazer: “A tabatinga (argila sedimentar, mole, untuosa) e de cores
vermelha-amarela e preta, dos barrancos ensejavam os mais habilidosos, formar
bonecos, cavalos, carroças, casas, etc. O mais divertido eram as costumeiras
‘guerras’ de bolotas de tabatinga, lambuzando todo o corpo.”
Alexandre de Araújo nos conta, ainda, com
saudade e lirismo, como era nadar no Lava-cavalo: “No verão, às 5 da matina até
o entardecer, era uma enormidade de aficionados da natação. Águas límpidas; nas
margens, a exuberância e os frescor do vergel multicolorido. Como era divertido
segurar no rabo dos cavalos dentro d’água, um deslizar suave até onde desse pé
para o cavalo. Era correr e pular de qualquer barranco, ao afago vivificante
das águas cristalinas do nosso saudosíssimo ‘Lava-cavalo’.”
Na década de 1980, com a abertura da
Perimetral, um grande trecho do rio Mandu foi soterrado para ceder lugar à nova
avenida, inclusive o local onde ficava o Lava-cavalo. Com isso, ele tornou-se
apenas uma lembrança na memória dos que, quando jovens, passavam o tempo
nadando nas águas do rio Mandu.
Marco do dia
03/12/1996: Posse do 3° Arcebispo de Pouso Alegre Dom Ricardo Pedro
Chaves Pinto Filho.
05/12/1905: A Santa Sé confirmou São Sebastião como padroeiro da
Diocese.
08/12/1905: Inaugurado o Santuário do Coração de Maria, com a pedra
fundamental lançada em 1903. Coberto com telhas francesas, em posição bastante
inclinada, conforme o estilo a que ele obedece (Gótico).
09/12/1985: Instalação da Sobral Invicta S/A.
terça-feira, 27 de novembro de 2012
Avenida Doutor Lisboa (Fernandes Filho)
Determinando o
retorno do nome do Dr. Lisboa à principal artéria de nossa cidade, a Câmara
Municipal marchou ao encontro do povo, realizando um de seus grandes desejos.
O governo discricionário,
implantado em 1937, não respeitava a vontade popular, nem submetia à sua consulta
decisões que diziam de perto com o interesse do povo.
As mais caras tradições
eram transformadas em brazas ardentes no turibulo em que se incensava os
detentores do poder.
O incensório era o
objeto mais usado e mais disputado naqueles regime de tão triste memória.
Em Minas, principalmente,
só se conservava nas boas graças do suserano-mirim quem soubesse manejar com eficiência
o vaso precioso.
Pouso Alegre, como as
demais cidades, também teve sua quota, fornecendo matéria para o turibulo
oficial. O nome da nossa principal avenida foi uma das brazas que fizeram subir
aos céos a fumaça de resina aromática.
____________________
Chamava-se José
Antonio de Freitas Lisboa, e era médico na acepção do vocábulo. Não tinha
limites seu amor pelos que sofram. Sua solidariedade era tamanha que o sofrimento
alheio também o atingia em cheio. As portas de sua casa e do seu coração estavam
sempre escancaradas.
v>
Cortava longas
distancias no lombo do cavalo, afim de levar o auxilio da ciência ou o calor do
seu coração aos que sofriam e choravam.
Em seu vocabulário tradicional
não existia a palavra “não”, por que nunca soube pronunciá-la. O povo, que não podia
pagar em moeda os seus benefícios, deu seu nome ao principal logradouro público.
A cidade cresceu e a
rua tornou-se o coração da cidade. Lá estava, pregado nas paredes, o nome de
seu benfeitor.
Um dia, porém, chegou
o regime da adulação, e o coração da cidade, que era a bela avenida, foi
escolhido para o sacrifício.
Atirou-se ao incensário
aquele nome, para alimentar a fumaça perfumada que se evolava e ganhava as
alturas.
A Câmara interpretou
a vontade do povo, determinando a volta do nome do Dr. Lisboa à nossa principal
avenida.
No coração do não se
entra pela força nem pela violência.
Jornal “A Cidade”
25/04/1948- capa
Denominações de avenidas e praças.
Prefeitura Municipal de Pouso Alegre
Decreto-Lei n° 11, 3 de novembro de 1938
Dispõe
sobre denominações de avenidas e praças.
Tuany Toledo,
prefeito do Município de Pouso Alegre, usando de suas atribuições, e
considerando que o município vai comemorar festivamente, no dia 10 de novembro,
o primeiro aniversário do Estado Novo;
Considerando que o
Presidente Getulio Vargas é o Chefe da Nação e, como tal, tem definido o espírito
de brasilidade, revelando em todos os seus atos, o sentimento e a consciência de
um grande estadista;
Considerando que o
dr. Benedito Valadares é o Governador do nosso Estado e, como tal, tem prestado
assinalados serviços a Minas Gerais, realizando na sua administração obras notáveis,
as quais, além de “honrarem uma geração de governantes”, só por si bastariam
para recomenda-lo à estima, à admiração e ao respeito de todos os nossos patrícios;
Considerando ainda
que a cidade de Pouso Alegre já prestou recentemente justa e oferecida
homenagem ao Presidente Getulio Vargas e ao Governador Benedito Valadares,
inaugurando no salão nobre da Prefeitura os retratos desses grandes vultos
nacionais.
Considerando finalmente
que é de inteira justiça completar a homenagem, ligando os nomes desses
eminentes brasileiros à nossa cidade por um ato concreto, que traduza o
reconhecimento do povo pousoalegrense, decreta:
Art. 1°- Fica
denominada Praça “Getulio Vargas”- o trecho da avenida “Herculano Cobra”,
compreendido entre os dois lados da via publica, da Catedral até a Rua “Samuel
Libânio”.
Art. 2°: A atual avenida “Dr. Lisboa”- passa a
denominar-se avenida “Benedito Valadares”.
Art. 3°: As placas
respectivas serão inauguradas no dia 10 de novembro, por ocasião dos festejos
comemorativos do primeiro aniversario do Estado Novo.
Art. 4°: Revogam-se
as disposições em contrario.
Mando, portanto, a
todas as autoridades a quem o conhecimento e execução deste decreto-lei
pertencer, que o cumpram e façam cumprir tão inteiramente como nele se contém.
Gabinete da Prefeitura
Municipal de Pouso Alegre, 3 de Novembro de 1938. Tuany Toledo, Prefeito
Municipal.
Publicado
no Jornal “O Municipio” 03/11/1938, capa.
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
Crônica da Cidade
Este
é outro capitulo do que escrevo sobre os tipos característicos...
Sempre
resta alguém que não devo deixar de abordar... É tudo uma questão de dor na
consciência... de uma sentimental...
Recordo-me,
vivamente, neste instante, do velho Seu Antônio Português, que morava no
ginásio São José...
Como
era divertido conversar com aquele bom velhinho... que vivia dando lições de
moralidade... Lembro-me bem, da braveza que ele ficava, quando falávamos: “Boa
tarde, seu Antônio”, e ele respondia: “Nunca é tarde...”
Até
esta presente crônica, ainda não trouxe à lembrança suas, também, a figura
imponente e cheia de simpatia, do preto feio e alegre, chamado por
“Agostinho”...
Quem
não sente falta das musicas solfejadas, entre dedos, por aquele negro?
Ele
era forte e tinha muito estilo... suas sinfonias comoviam... e dava vontade de
fazer brotar águas nos olhos...
Que
imenso era seu repertorio... Em qualcanto da rua, atraia espectadores e fãs...
Eu mesma pequena ainda, gostava de ser plateia para aquele artista... nato...
Saudades
e mais saudades... (Zal Jomar)
O Jornal de Pouso Alegre,
20/07/1968
terça-feira, 20 de novembro de 2012
Imagens da cidade
Vistas aéreas da
cidade de Pouso Alegre na década de 70 disponibilizadas pelo sr. João Urbano
Coutinho de Oliveira no Grupo “Memórias
de Pouso Alegre” – Facebook.
Pouso Alegre Hotel
O sensivel
adiantamento por que a nossa cidade vem passando desde a localisaçao do 10°
Regimento de Artilharia montada, hoje 8°, reclamava diversas medidas de bemfeitorias,
entre as quaes a da, construcçoes de prédios destinados a hotéis com o conforto
e medidas hygienicas, adequadas às exigências modernas.
Comprehendedores
desta lacuna que feria a sensibilidade a sensibilidade das nossas visões de progredir,
resolveram, alguns capitalistas, solucioná-la com a construcçao do confortável e
elegante prédio do HOTEL POUSO ALEGRE.
Depois de funccionar
algum tempo, sob diversas orientações, passou a direcçao firme e prática dos
antigos proprietários do Hotel Ferreira, José Ferreira de Almeida em sociedade
com Cyro Bastos, que imprimiu uma ordenação nova que nada deixa a desejar, ao
par de uma rigorosa hygiene, que muito recommenda a preferência com que estão disputados
os seus 4 luxuosos apartamentos e 30 quartos, com água corrente, tendo todo o mobiliário
preciso ao conforto dos seus hospedes.
Na ampla sala de
jantar esta installado optimo radio, e as refeições são servidas em mesas
isoladas ou em conjunto.
Há mais 15 quartos em
outro prédio próximo, seu filial (o antigo Hotel Roma) muito arejados e confortáveis.
Os banheiros,
chuveiros, installacçoes sanitárias de primeira ordem; garages e acommodaçoes
para tropas, completam este todo que constitue um orgulho a Pouso Alegre.
______________
Pouso
Alegre Hotel, reserva quartos solicitados por telegramma. Para estadias
prolongadas dos senhores turistas, é mister aviso com antecedência.
______________
Pouso
Alegre Hotel é o mais central, e fica na Avenida Doutor Lisboa; extenso
panorama é descortinado das janellas dos seus aposentos.
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